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Em greve desde 6 de abril de 2010, os servidores do Ministério do Trabalho e Emprego
exigem do Governo Federal a implementação do Plano de Carreira aprovado em 2009.
A luta desses servidores cria uma nova força no movimento sindical, a Associação dos Servidores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (ASDERT). Em Porto Alegre, entrevistamos Vladimir Alcorte, presidente da entidade e um dos principais dirigentes da mobilização nacional.
Anote este nome: ASDERT, a Associação dos Servidores da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do Estado do Rio Grande do Sul. As SRTEs são órgãos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A ASDERT nasceu da necessidade desta categoria de se organizar para defender seus direitos, uma mobilização tipo “faça você mesmo” ou “mãos à obra”.
Que direitos esses servidores públicos buscam? O primeiro deles é a criação de um Plano de Carreira para corrigir injustiças e disparidades. Por exemplo, um servidor do mesmo nível no INSS ganha mais do que um na SRTE – diferença que só aumenta a cada ano. Cabe à categoria apoiar todas as atividades de repressão ao trabalho escravo e infantil, além da emissão das carteiras de trabalho e seguro desemprego – sem estes funcionários, as atividades do MTE perdem muito de seu conteúdo social.
“Simplesmente não é justo”, afirma, em Porto Alegre, o presidente da ASDERT/RS, Vladimir Alcorte. Com um computador e o site www.asdert.org.br , ele passou a coordenar várias ações da categoria pela conquista do Plano de Carreira.
“O plano é a maneira correta de acabar com as diferenças, dar estabilidade aos servidores e garantir melhores condições de trabalho”, diz Vladimir Alcorte – ele mesmo um servidor administrativo, lotado na SRTE/RS, concursado, com 15 anos de dedicação ao trabalho.
A luta para alcançar o Plano de Carreira começou há quase 20 anos, quando o MTE foi desmembrado do Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS) – foi naquele momento de ruptura que os servidores do MTE tiveram seus salários rebaixados.
Depois de uma luta silenciosa – greves com repressão e baixas nos quadros de servidores – a categoria começou a enxergar uma luz no fim do túnel. No ano passado, o MTE concordou com a criação do plano. Em acordo com os funcionários, fez-se o texto e ele foi mandado para cima, para aprovação do Governo Federal.
Quando parecia que ia sair, tudo trancou no Ministério do Planejamento (MPOG). Um burocrata do segundo escalão segurou o processo e deixou as coisas se arrastarem penosamente – frustrando os quase 10 mil servidores envolvidos.
A categoria então respondeu com mais greve – o último recurso para obtenção do plano de carreira. Com a mobilização vieram novas retaliações do governo, o sempre desgastante processo de corte do ponto, pressões e ameaças aos dirigentes do movimento.
“Só com a greve nossa voz começou a ser ouvida”, diz Vladimir Alcorte. No final do ano passado a categoria conseguiu sensibilizar o Congresso Nacional, após uma audiência na Comissão do Trabalho e Serviço Público da Câmara Federal. Os deputados concluíram que havia boa vontade por parte dos servidores, que o MPOG estava mesmo trancando o Plano de Carreira, que o descontentamento da categoria era uma mancha do governo Lula – além de revelarem a situação calamitosa por que passam algumas SRTEs, totalmente desaparelhadas para seus objetivos.
O que pretendem, afinal, esses servidores que começam a se organizar e bater panelas? “Queremos trabalhar, mas também queremos ser ouvidos e respeitados”, conclui Vladimir Alcorte, para quem “a luta está apenas começando”.
Nesta entrevista em vídeo, o dirigente da ASDERT/RS, Vladimir Alcorte, sintetiza os caminhos da mobilização nacional da entidade que marca um importante episódio da luta trabalhista no encerramento do governo Lula.
6/6/2010
Fonte: ViaPolítica
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