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Mensagem do Ministério Público
Mauro Henrique Renner
 
Mensagem do Ministério Público
Ricardo Vaz Seelig
 
Palavra dos Editores
Omar L. de Barros Filho e Sylvia Bojunga
 
Apresentação
Roberto Speciale
 
Introdução
Annita Garibaldi Jallet
 
O mito de Garibaldi: origem e significados no Cone Sul até 1907, ano do centenário de seu nascimento
Pietro Rinaldo Fanesi
 
Rio de Janeiro, a porta de entrada de Garibaldi para a América Latina
Maria Pace Chiavari
 
O “aprendizado” de Garibaldi na América Latina: a “scuola delle palle” e a “escola moral”
Anna Maria Lazzarino Del Grosso
 
Garibaldi: republicano e revolucionário internacional
Carmen Lícia Palazzo
 
Memória de Garibaldi e a construção da identidade entre italianos no
Rio Grande do Sul
Núncia Santoro de Constantino
 
A densidade social do mito: Garibaldi no Centenário da Revolução Farroupilha
Rosemary Fritsch Brum
 
Garibaldi: a gênese do mito
Alvaro Bischoff e Cíntia Vieira Souto
 
Garibaldi na América do Sul
Yvonne Capuano
 
Livro Completo
 
 
 
Patrocinio Cultural:
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Mensagem do Ministério Público


Ricardo Vaz Seelig
____________________________________________________
Procurador de Justiça
Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul

Quando o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul passou a desempenhar a missão constitucional que lhe foi conferida, de zelar pela proteção do patrimônio histórico e cultural, entendeu que o cumprimento desse comando não deveria se limitar a tão somente estabelecer demandas em caso de ofensa aos bens que lhe foram confiados, mas também empenhar-se na implantação de projetos que visassem a proporcionar a integração dos diversos meios sociais no seu conhecimento, respeito e proteção.

Com este objetivo, o Ministério Público, através de seus diversos canais de atuação, tem dedicado seus melhores esforços, não na constituição de um mero e estéril repositório de memórias e reminiscências do passado, mas na consecução deste verdadeiro fundamento da cidadania, apoiando ações culturais voltadas ao estudo e à divulgação desse patrimônio, como é o caso da obra Os Caminhos de Garibaldi na América, que ora ajudamos a organizar.
Ao assinalarmos, neste ano de 2007, o bicentenário de Giuseppe Garibaldi, alvitramos reunir eminentes estudiosos para refletir sobre a biografia de um dos mais importantes personagens da história universal, tentando compor, no mosaico multifacetado de sua atuação no Velho e no Novo Mundo, um retrato inteligível não só de seu caráter, mas de sua trajetória de jovem aventureiro a grande estadista, responsável pela unificação italiana.

O estudo dos fatos históricos leva-nos à conclusão de que é impossível estabelecer os fundamentos do que poder-se-ia denominar de “ciência histórica”, pois nunca conseguiremos verificar exatamente o resultado de uma hipótese. Isso posto, poderíamos supor que, não fossem suas experiências militares no sul do Brasil e no Uruguai, Garibaldi teria logrado materializar os sucessos que veio a obter em sua terra natal?

Giuseppe Garibaldi teve enorme projeção na opinião dos povos quando sua vida foi retratada pelo escritor Alexandre Dumas, autor de clássicos como O Conde de Monte Cristo e Os Três Mosqueteiros. Sua vida, tal como contada, teria sido uma ficção? Ora, o problema da ficção é que ela faz sentido, ao contrário da realidade — esta, sob a perspectiva humana, pelo menos, não faz sentido algum. Como diria Aldous Huxley, no seu romance outonal O Gênio e a Deusa, o critério da realidade é a sua incongruência intrínseca. Sob esse enfoque, quanto “mais real” a ficção, menos verossímil será.

Como os grandes personagens da História, a figura do “herói de dois mundos” ora é mitificada, ora vilipendiada. Sua imagem foi apropriada por diversos segmentos e matizes ideológicos, da esquerda à direita, e em diversos momentos históricos, desde a propaganda política do Partido Republicano, no Rio Grande do Sul, ao fascismo de Mussolini, por exemplo.

Daí a importância da presente publicação, onde a contribuição dos historiadores e pesquisadores que se debruçaram sobre esse grande personagem é inestimável e significativa para o estudo dos seus “caminhos”.

Em seu ensaio Garibaldi: republicano e revolucionário internacional, por exemplo, a pesquisadora Carmen Lícia Palazzo observa que não obstante, na chamada História Cultural, o estudo e a escrita dos acontecimentos não se façam mais em torno de relatos factuais ou de biografias de grandes personalidades, tais paradigmas não excluem o interesse por personalidades que, como Garibaldi, merecem figurar como objeto de estudo por que muito acrescentaram ao conhecimento histórico.

Neste diapasão, portanto, destaca-se a importância desta obra, que se inscreve em um projeto com diversificada agenda de eventos, exposições, espetáculos artísticos, concursos escolares, tanto na América como na Europa.

Esperamos, pois, ao somar os nossos esforços aos das demais instituições participantes dessa ampla agenda internacional, contribuir, através do estímulo ao pensamento crítico e ao resgate histórico, manter aberto um importante espaço de reflexão sobre a história e a cultura européia e sul-americana.

Se este for o resultado desta iniciativa cultural – valorizar uma das mais emocionantes epopéias da história da humanidade – , então teremos alcançado nosso objetivo.

 
 
 
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