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Qual o legado dos EUA no Iraque?

A infeliz verdade pode ser que o Iraque tenha já atingido uma sinistra forma de estabilidade, onde persiste um alto nível de violência e um estado semi-desfuncional. Por Patrick Cockburn, de Counterpunch, em tradução de Luis Leiria, para Esquerda.net
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Aquilo que não ouvimos falar
sobre o Iraque
Antes da invasão americana do Iraque em 2003, a percentagem da população urbana que vivia em bairros de lata ou favelas situava-se abaixo dos 20%. Hoje em dia essa percentagem subiu para 53%. Por Adil E. Shamoo, em Foreign Policy In Focus
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A China vai continuar
puxando o mundo?
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Por Milton Pomar

Fábrica na China,
mais do mesmo em 2010
Transformação da China milenar e agrária em um país urbano e high-tech requer muito mais do que cidades novas. Trata-se de urbanizar mais de meio bilhão de pessoas no tempo equivalente a duas gerações.

Especialistas costumam referir-se à "China profunda" para deixar claro que os ocidentais têm contato apenas com a superfície do país e que conhecer realmente o país asiático é muito mais difícil do que parece. Não apenas por causa dos 4.000 anos de história, das dezenas de etnias e línguas faladas e escritas, ou das aparentes contradições econômicas e políticas. Essa outra China seria a "autêntica", ainda bastante pobre e atrasada em todos os aspectos, a nação dos 800 milhões de pessoas das áreas rurais e da periferia das grandes cidades.

A existência dessa China "profunda" é a razão para a crença de que o país vai continuar puxando o mundo pelos próximos 30 (50?) anos, em uma marcha de desenvolvimento que vai da costa para dentro, visando à redução das desigualdades entre rurais e urbanos e entre as cidades litorâneas e do interior. É necessário, para isso, manter o ritmo frenético de crescimento econômico e dar conta da urbanização de mais de 600 cidades com populações entre 200 mil e quatro milhões de pessoas. Essa melhoria de vida acelerada consumirá trilhões de dólares, quantidade inacreditável de materiais e equipamentos de construção civil, infraestruturas de energia, telecomunicações, e tudo o mais que a vida nas cidades modernas demanda.

Mas a transformação da China milenar e agrária em um país urbano e high-tech requer muito mais do que cidades novas. Trata-se de literalmente urbanizar mais de meio bilhão de pessoas, no tempo equivalente a duas gerações. Evidentemente, a parte rápida é a da engenharia, do concreto e do aço. Já o grande desafio é a fase de transformação dessas pessoas de rurais em urbanas, de agricultores em empresários e trabalhadores dos setores industrial e de serviços.

As repercussões do fenômeno em todo o mundo ainda são pouco estudadas, talvez porque poucos conheçam verdadeiramente a China, e menos ainda acreditem na determinação dos chineses em levar o desenvolvimento a toda a população do país, inclusive à da "China profunda". Imagine-se o que aconteceria no mundo se a Índia e a China, com os seus 2,5 bilhões de habitantes somados, mantivessem o ritmo chinês nos próximos 30 anos...

A China em 2010 será mais do mesmo. Continuarão os investimentos crescentes no exterior e o avanço agressivo nos mercados em que concorre com o Brasil. Além disso, empresas chinesas seguirão instalando-se em solo brasileiro para atuar em nível continental. Internamente, o país asiático continuará investindo na infraestrutura das regiões Centro-Norte e Oeste, ciência e tecnologia, produção de energia (petróleo, solar, eólica) e de alimentos. Ou seja, a China continuará à frente das maiores economias, na cola dos EUA e mantendo o ritmo de 8% a 10% anuais de crescimento.

Para o Brasil, significa a possibilidade de aumentar mais a balança comercial com o país, que hoje é o seu maior parceiro - era apenas o 12º maior em 2000. Se houve crescimento de 2.365% da balança nos últimos dez anos, passando de menos de US$ 2 bilhões em 1998, para US$ 36,4 bilhões em 2008, por que não continuar nesse ritmo em 2010?

Esta é uma questão difícil de ser respondida agora pelo setor exportador brasileiro, que pena com o câmbio há dois anos. Conjunturas adversas dificultam decisões estratégicas, como é o caso do investimento na China, movimento que exige estudar o país, conhecer in loco o mercado, saber quem é quem, tornar-se conhecido, compreender as diferenças, estabelecer relacionamentos... São dois anos de trabalho prévio, pelo menos - quem pretende entrar lá, em 2011, tem de começar imediatamente. Como aliás está fazendo o Polo de Excelência do Leite, de Minas Gerais, de olho no excedente de cinco bilhões de litros, previsto para 2013, e na demanda chinesa de produtos lácteos nos próximos anos.

7/2/2010

Fonte: ViaPolítica/Amanhã

URL: http://www.amanha.com.br/...

Milton Pomar é consultor de negócios e diretor da
BWP S/A

Siga AMANHÃ no Twitter: www.twitter.com/revista_amanha
 
08.02.2010
 
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