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Entre olhares...

Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica

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Milo Manara:
O rei dos quadrinhos
eróticos, agora nu
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
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O microfone humano

Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.

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Kino Kaos
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Luna zapatista

Um clip ilustrado por Kalvellido, o andaluz errante, homenageia os zapatistas e as lutas do povos contra a opressão. Música de Orlando & Ogando

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Bloco de Notas  
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Lembrando Brecht

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Por Marino Boeira

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Bertolt Brecht

Nessa época pré-eleitoral, com o noticiário político fazendo as manchetes dos principais jornais brasileiros e os partidos disputando os votos dos eleitores no horário nobre da televisão, voltam a se ouvir aqueles comentários de sempre das pessoas incomodadas com a importância dada aos fatos políticos: “tenho horror à política”, “todos os políticos são corruptos”, “só voto por obrigação”, e por aí vai.

Para estas pessoas, que pretendem estar acima de qualquer discussão política, vale lembrar o comentário de Bertolt Brecht, o dramaturgo alemão nascido em Augsburg, em 1898, e falecido em Berlim, em 1956, sobre participação política. Diz o autor da clássica peça Mãe Coragem: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, não participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nascem a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”

Aliás, quem se der ao trabalho de reler alguns textos do dramaturgo alemão, vai encontrar muitas frases plenamente adaptáveis ao Brasil de hoje. Vejam alguns exemplos.

"Primeiro vem o estômago, depois a moral."

"Para quem tem uma boa posição social, falar de comida é coisa baixa. É compreensível: eles já comeram."


"O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso.”

"Perante um obstáculo, a linha mais curta entre dois pontos pode ser a curva."

"De todas as coisas seguras, a mais segura é a dúvida."

"Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la."

"Temam menos a morte e mais a vida insuficiente."

"Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de heróis."

"Muitos juízes são absolutamente incorruptíveis; ninguém consegue induzi-los a fazer justiça."

“A ambição da ciência não é abrir a porta do saber infinito, mas pôr um limite ao erro infinito.”

“Que é roubar um banco em comparação com fundar um banco?”

Voltando para casa

Os Estados Unidos anunciaram a retirada das suas últimas tropas de combate do Iraque. Permanecem lá ainda 50 mil soldados, encarregados de treinar as forças armadas iraquianas. Os americanos deixam o país em meio ao recrudescimento de uma onda de violência, com os jornais noticiando atentados e mortes de dezenas de pessoas todos os dias. Quando em 2003, Bush iniciou a guerra, o objetivo declarado era impedir que o Iraque usasse seu arsenal de armas letais contra o Ocidente. Comprovou-se depois que não havia as tais armas de destruição em massa.

O segundo objetivo era derrubar Saddam Hussein, acusado de ligações com os terroristas que atacaram os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001, e instituir uma democracia nos moldes ocidentais no Iraque. Saddam foi preso e depois executado. Eleições, controladas pelos americanos, foram realizadas no país. Nem por isso, pode-se dizer que o Iraque se tornou uma democracia.

Agora, os americanos voltam para casa ou para novas guerras, como no Afeganistão e quem sabe mais adiante, no Irã, deixando um saldo de mais de 90 mil civis iraquianos e 4.400 soldados americanos mortos e gastos de mais de 700 bilhões de dólares. Valeu à pena? Para os povos, norte-americano e iraquiano, certamente não. Talvez tenha valido à pena para as grandes empresas que ganharam as concorrências para a reconstrução do que a guerra tinha destruído e para os mercenários envolvidos na segurança privada de negócios e pessoas nas cidades iraquianas.

Papel da imprensa

As grandes empresas jornalísticas são também empresas sujeitas às leis dos países onde exercem suas atividades. Por isso, quando elas são punidas por transgredirem alguma dessas leis, não vale apelar para o velho chavão de que estão sendo vítimas de um ataque à liberdade de imprensa. É o caso da Argentina, onde o governo pretende aprovar democraticamente no Congresso uma lei transformando a produção e comercialização de papel jornal em setor de interesse nacional.

Hoje, a Papel Prensa produz três quartos desse papel e é controlada pelos jornais Clarín e La Nación, com 71,49 % das ações. O governo acusa os dois jornais de exercerem hegemonia no mercado por terem vantagens competitivas, como preço e disponibilidade sobre os demais jornais, em número de 170 na Argentina. O Clarín e La Nacion, obviamente, acusam o governo de atentado contra a liberdade de imprensa.

A empresa Papel Prensa pertencia a família Graiver, que vendeu suas ações para os atuais donos, durante o regime militar, depois que seus membros foram presos por administrarem o dinheiro da guerrilha argentina Montoneros. A matriarca da família Graiver, Lídia Papaleo, disse que – presa e torturada – foi pressionada pelos militares para que vendesse suas ações para O Clarín e La Nacion.

Em busca da paz

Pressionado pelos americanos, o governo de Israel concordou em participar de uma reunião com representantes palestinos em Washington no início de setembro. Hillary Clinton deve receber para conversações o primeiro ministro de Israel, Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Na mesma semana, o presidente Barack Obama se reunirá com o rei Abdullah, da Jordânia, o presidente Mubarak, do Egito e Tony Blair, representando o Grupo dos Quatro - Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU – para discutir o mesmo tema.

Recorda-se que em 1993, o então presidente Bill Clinton anunciou em Oslo que havia conseguido formalizar um acordo entre Isaac Rabin e Yasser Arafat para estabelecer a paz entre palestinos e judeus, com a garantia do surgimento de um Estado Palestino. O acordo nunca foi implementado, Israel avançou sobre mais terras palestinas e o Estado Palestino ficou só no papel.   Dificilmente a mulher de Clinton, Hillary, terá melhor sorte. Netanyahu, pressionado pelos militares, religiosos e partidos de direita em Israel, poucas concessões poderá fazer, enquanto Abbas, além da oposição do grupo Hamas, que controla Gaza, tem a sua representatividade contestada em Cisjordânia.

Mineiros

A retomada dos contatos com os mineiros presos há três semanas a mais de 700 metros de profundidade na mina San José, em Copiapó, foi motivo de júbilo no mundo inteiro, mas não deve servir para atenuar a culpa da empresa mineradora, que na sua ânsia de lucros, não cumpriu medidas elementares de segurança, como a manutenção de uma escada de emergência num dos dutos de ventilação da mina.

Quando ocorreu o desabamento, os mineiros tentaram fugir pela escada de emergência e, então, descobriram que ela não existia. Agora, as famílias de 28 dos 33 mineiros presos entraram com uma ação na Justiça do Chile contra a mineradora, em busca de indenização e do pagamento de salários e seguros. A mina de San José tinha sido fechada em 2007 por falta de segurança para os trabalhadores, mas foi reaberta dois anos depois. Sobre o assunto, consulte o site especializado No a la Mina, que traz informações exclusivas e importantes sobre o dramático episódio.

28/8/2010

Fonte: ViaPolítica/O autor

Marino Boeira é graduado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É jornalista e publicitário em Porto Alegre, e professor universitário na área de Comunicação Social. Publicou De Quatro (crônicas com outros três autores); Raul: Crime na Madrugada (novela); Tudo que você não deve fazer para ganhar dinheiro na propaganda (novela). Participações em obras coletivas: Nós e a Legalidade; Porto Alegre é assim, Salimen, uma história escrita em cores, e Publicidade e Propaganda - 200 anos de história no Brasil.   
 
E-mail: marinobo@uol.com.br


       
 
 
 
 
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