|
|
|
| . |
 |
ViaPolítica divulga, em primeira mão, os trechos traduzidos do que hoje se configura como a última reportagem feita em vida com o médico vienense e criador da Psicanálise, Sigmund Freud. O autor da façanha, o jornalista alemão Rainer Wainer Wenk, contava apenas 20 anos, e antes de ir à casa do eminente psicanalista confessa que não fazia ideia de“quem era aquele velho”. Hoje, aos 91 anos, interno num hospício, admite que o encontro mudou a sua vida. E mudará também sua conta bancária, já que o livro Freud & Eu está saindo do forno. Os trechos a seguir, revelam uma nova faceta até então inusitada do famoso intelectual, e cremos nós, podem indicar novos rumos para uma ciência tão controvertida quanto a psicanálise – isto se posteriormente os relatos do senhor Rainer não forem considerados uma fraude...
Freud e seus seguidores
“Na realidade eu nunca quis formar discípulos para a psicanálise nem nenhum outro tipo de ciência oculta. Eu os recrutava originalmente com a intenção de montar um time de baseball. Foi uma pena que não deu certo. Estaríamos milionários hoje.”
|
| . |
 |
“Não nego que Jung sempre foi meu discípulo preferido. Dividíamos tudo; mulheres, clientes, cocaína. Tínhamos um relacionamento profissional tão bom que uma vez eu quase o pedi em casamento”. Quando Freud ia à Ópera, Jung atendia seus clientes. Mas uma vez o jovem assistente quase se deu mal. Sua mãe ficou doente e ele teve que ir visitá-la. Quando voltou, Reich havia roubado todos os seus clientes, aproveitando-se de sua ausência e trancando-os dentro de um orgone.
Na época ninguém reparou mas o jovem analista suíço já sofria certo preconceito do grupo por não ser judeu. Porque todos ali eram judeus, com exceção de um ou outro complexo grego presente entre eles. “Uma vez tentaram circuncidá-lo à força, é claro que não deixei. Acho que não gostavam dele, pois sempre se vangloriava de ter o sábado livre”.
Talvez fosse isso, já que Adler e Reich, apesar da nítida adesão à ideologia comunista jamais se interessaram pela teoria a respeito do inconsciente coletivo de Jung, e este, notório conquistador, jamais quis levar as namoradas para uma “festinha” particular no Orgone do colega. Mas os desentendimentos não paravam por aí nem eram circunscritos à origem ou religião:
“Um dia minha filha Anna, e Melanie Klein se envolveram numa horrível briga de facas. E não era para preparar o jantar. Tentei separá-las e quase perdi a ponta de meu cavanhaque. Forrei então o chão com toalhas e fiquei esperando o desentendimento acabar. Por sorte nenhuma das duas se machucou gravemente. Por mais que não gostasse, tive que tomar uma atitude. Eu tinha que ser justo. Assim sendo, dei um abraço em Anna e mandei Melanie catar coquinho”.
Um árduo começo
Mas quem pensa que os únicos empecilhos na carreira de Freud foram seus discípulos, se engana. Como todo pioneiro em sua área, ele também teve de começar de baixo. Naquele tempo, mesmo em Viena, o mercado de neuroses, não andava lá estas coisas. Com pouco capital, Freud começou a realizar atendimentos a princípio com uma cadeira, depois com um sofá, até com a evolução dos procedimentos psicoterápicos, chegar ao divã.
No entanto, nos momentos de maior crise financeira, quando os Skinnerianos pareciam ter tomado de assalto a Alemanha, Freud chegou a usar até, pasmem, um colchonete. Ainda estava longe, portanto, o período áureo em que atenderia seus pacientes mais célebres: o Homem-rato, Anna O., a Mulher Frígida, e outros super-heróis. A primeira paciente de Freud foi Susan Hegel, uma mulher que achava que era um aspirador de pó. Acabada a sessão, Freud, usou-a para limpar seu consultório. Ele permaneceu limpo por cinco anos.
A segunda paciente, Gertrude Von Rundstedt, lhe deu um pouco mais de trabalho. Tratava-se de uma bela jovem austríaca com todas as características de uma personalidade histérica: tímida, recatada e frígida. Casada há mais de um ano, recusava-se a cumprir o dever matrimonial,
mas, quando devidamente convencida por seu marido, seu estado clínico transformava-se totalmente, tornando-se uma perversa ninfomaníaca. Seu furor uterino era tal que, em certa ocasião, ela foi capaz de violentar três homens ao mesmo tempo, um deles impotente. Depois de trancar seus charutos, Freud achou por bem esconder a paciente de Jung, e após algumas sessões lhe deu alta. O fato de Frau Gertrude ter se suicidado algumas horas depois engolindo uma banana de dinamite deve ser encarado como a prova de que as coincidências existem.
Avanços no tratamento de quem não está bem da bola
É bom que se diga que no começo, quando a psicanálise havia sido recém inventada, não era ainda o processo longo (cinco anos) e caro que temos hoje. Pelo contrário, Freud defendia consultas baratas e acessíveis principalmente quando realizadas em feriados e com um psicanalista que não fosse ele.
Talvez o paciente mais rápido atendido por Freud tenha sido Homem-ramster, irmão do Homem-rato. Sua análise durou cerca de 5 minutos e 17 segundos cravados no relógio. Em três minutos Freud lhe tirou duas neuroses, introduziu uma paranóia e lhe trocou um complexo (Qual você prefere o de Édipo ou o de Electra?”). “O procedimento teria sido um sucesso” garante o bom doutor, “se ao final da sessão, o pobre homem não tivesse sido devorado por um gato.”
Freud admite ter psicanalisado Otto Rank em 8 minutos, e Karl Abraham em dois intervalos de 15 minutos, com uma pausa para o lanche. Já, Melanie Klein foi psicanalisada via telefone. O único paciente que realmente necessitou de cinco anos de tratamento foi um gago com fixação na fase oral. Ao fim do processo, ele já podia dizer “paralelepípedo” tranquilamente.
Mas tanta rapidez não livrava o ilustre vienense de críticas, às vezes vindas dos próprios discípulos. Quando atendeu a amante de Ernest Jones, prometeu devolvê-la em três semanas, o que efetivamente, ele fez. O detalhe é que após a terapia, ela não queria mais saber do antigo amante. “Ela voltou sem um ou outro complexo, mas faltando algumas peças”, disse o solitário Jones, enquanto preenchia o cheque referente à consulta.
Estes e outros relatos estarão disponíveis no mercado editorial brasileiro no fim deste semestre, já que
Freud & Eu, encontra-se em processo de tradução. Segundo seus editores, “o fato de o senhor Rainer estar sendo processado por calúnia, difamação e danos morais, em seu país de origem, devido a seus outros dois volumes biográficos;
O que Nietzsche disse Para Mim e Ninguém Mais e
Confissões do filho caçula de Karl Marx, não deve desacreditá-lo perante os leitores brasileiros. Aliás, essas duas obras também serão publicadas por nós, em papel couché, no momento oportuno”.
24/1/2010
Fonte: ViaPolítica/O autor
Silvio Fernando é jornalista e psicólogo formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Formou-se também em roteiro e dramaturgia pelo Núcleo do Teatro de Arena paulista. Entre outros veículos, foi colunista e crítico de cinema do site Bibliaworldnet, repórter da rádio baiana Brasil FM e atualmente é redator e roteirista das rádios Terra AM e Musical FM. No teatro, integrou as companhias Quarteto em Rir Maior e Os Terroristas do Riso. Escreveu e dirigiu peças de cunho educativo encenadas por populações em desvantagem social e jovens em situação de risco.
E-mail: sfernandor@hotmail.com
Do mesmo autor, leia também em VP:
“Sacrifício em megahertz”
“O quanto você é sedutor?”
“Não acredite em tudo o que você lê nos jornais”
“As notícias... mais ou menos”
“A cultura ao alcance de todos”
“Anúncios exóticos”
“No começo era assim”
"Pílulas de sabedoria"
"O Promovido"