Em seu novo trabalho, Luiz Rosemberg
Filho faz uma declaração de amor ao
cinema e uma inquietante pergunta:
o que foi que fizemos com a imagem?
Por José Carlos Asbeg, do Rio de Janeiro
Para Lêdo Ivo, a poesia é uma magia verbal, um “idioma” específico dentro da linguagem e um testemunho da condição humana. A verdadeira celebração do Universo pelo homem. Por Floriano Martins, de Fortaleza
Jornalismo e redes sociais: experiência fadada ao fracasso?
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Por Daniele Barizon, do Rio de Janeiro
“A orientação pluridimensional e heterogênea da comunicação em rede, a exemplo do que acontece em sites que permitem a troca de informações com o público através de fóruns, chats, e-mails ou formulários de publicação (blogs) soterra a concepção de uma mídia linear em nome de uma atividade recursiva. A integração de emissor e receptor na figura do interagente permite que cada pessoa seja um só simultâneo de criação, assimilação e reconstrução da mensagem midiática, desenhando um movimento de relações e trocas que assemelha-se a uma espiral. Tal dinâmica, de viés explicitamente complexo, conduz a uma incessante complementaridade graças às ferramentas de incentivo à interação, que possibilitam a participação ativa de qualquer internauta na produção de mensagens.” Brambilla, A.M., A reconfiguração do jornalismo através do modelo open source. Sessões do Imaginário, 2005.
O jornalismo colaborativo ou open source já é prática indispensável nas páginas online dos jornais de grande circulação. Em tempos de crise – da imprensa, diga-se claro – é preciso se adequar à realidade do mercado, a fim de não perder posto à concorrência que, aliás, abrange os mais diversos meios, desde os próprios sites de empresas jornalísticas, aos inúmeros portais de notícias e, claro, os cada dia mais popularizados blogs e sites particulares. Não é de admirar, portanto, que alguns veículos tenham ido além do óbvio e apostado em outras possibilidades inovadoras de interação. Intrigantes, por outro lado, são as circunstâncias pelas quais as mesmas novidades se interrompem, sem explicações satisfatórias que justifiquem o ato.
Há cerca de dois anos o jornal O Globo hospeda, na internet, uma comunidade de relacionamentos (www.globoonliners.com.br) que abriga cerca de cinco mil usuários. Trata-se de conjuntos de blogs de distintos temas, mantidos por diferentes perfis de indivíduos cadastrados. Aparentemente uma iniciativa bem sucedida, uma vez que a proposta era justamente a de estabelecer um fórum de debates sobre os mais variados assuntos. No último dia 13, entretanto, a moderação local surpreendeu os comunitários ao anunciar o fim do sítio, dando prazo de um mês aos blogueiros para salvarem o conteúdo de seus posts que, após o período, serão eliminados.
A alegação é de que o referido espaço social já tinha cumprido o seu papel, estando agora necessitado de reformulações, para melhor ajustar-se ao noticiário da rede. O que nos leva, invariavelmente, a pensar que o terreno cedido aos leitores – os quais, com boa vontade e originalidade, trouxeram à baila discussões interessantíssimas e criaram, entre si, fortes vínculos culturais e de amizade – talvez tenha sido mero laboratório de experiências. Ou, numa análise um pouco atrevida, podemos supor que o “suicídio” tenha sido decretado pelo fato de que, ao estimular o livre pensamento, sem censura, o controle possa ter escapado das mãos, ou melhor, da linha editorial da organização.
Em resumo: se o ideal é contrário aos interesses em jogo, torna-se, naturalmente, inviável. Mas, em ambiente dito democrático, não custa nada (por ingenuidade, que seja) perguntar: Se a máxima é a da isenção, qual a lógica de pôr freios às francas opiniões? Lógica de mercado, diriam alguns. E não deixariam de ter razão. Afinal, em certos casos, liberdade de expressão é apenas um nome pomposo que, por ora, ainda consta dos manuais.
3/5/2009
Fonte: ViaPolítica/A autora
Daniele Barizon nasceu no Estado do Rio de Janeiro, em 1983, é estudante de jornalismo. Autora e diretora teatral, escreveu e dirigiu vários espetáculos, entre os quais Esses e outros 500, Como enlouquecer um homem em 10 lições, Filhos da Pátria e Cinderela da Silva. Foi diretora administrativa do Teatro Celso Peçanha, diretora artística de eventos culturais e coordenadora teatral de projetos de ressocialização para dependentes químicos. Escreveu matérias para o jornal Tribuna Post, publicou trabalho pela Editora Degrau (Manual Prático, edição 13 – tópico liderança, projeto Folha Dirigida) e colabora com os sites Observatório da Imprensa, Wellness Club, CMI Brasil e Blocos online, entre outros.