“Assim como o fim da escravidão, no século 19, erradicar a pobreza é o grande desafio civilizatório do século 21”, compara o secretário da Justiça e do Desenvolvimento Social do Estado do Rio Grande do Sul (SJDS), Fernando Schüler. O tema pautou o Seminário Nacional “O Fim da Pobreza – tecnologias sociais, papel do governo e sociedade”, promovido em Porto Alegre na última sexta-feira, 27 de novembro.
No encontro foram apresentados os resultados da pesquisa “O Fim da Pobreza: Perspectivas para o Rio Grande do Sul”, desenvolvida pela Fundação de Economia e Estatística (FEE). O estudo revelou a situação em que se encontram os gaúchos com base na análise de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao período de 1992 a 2008. Há uma informação animadora: a erradicação da pobreza no Estado poderá se concretizar no espaço de duas décadas, dependendo, é claro, da coordenação de esforços de governos, iniciativa privada e sociedade civil.
No cenário nacional, Minas Gerais é hoje um exemplo da combinação positiva de políticas de transferência de renda com tecnologias inovadoras de combate à pobreza. A experiência mineira de modernização na gestão pública e investimento em capital humano foi relatada pelo vice-governador do Estado, Antonio Augusto Anastasia. “Sem números confiáveis, não podemos fazer planejamento”, disse, enfatizando que o planejamento é o fio condutor de todas as atuais políticas públicas estaduais.
Depois de alcançar o equilíbrio das contas públicas, o Estado de Minas trabalha para ampliar e qualificar resultados, em projetos de educação, formação profissional e inclusão produtiva. Para o vice-governador, é importante lembrar que o período de êxito econômico que vivemos se tornou possível em decorrência da estabilidade da moeda proporcionada a partir do Plano Real.
No Rio Grande do Sul, embora os índices venham se reduzindo de forma significativa, ainda há 443.900 famílias abaixo da linha de pobreza. Metade dessa população tem menos de 18 anos e vive em áreas urbanas. Para acelerar a alteração desse quadro, o Governo do Estado tem investido em tecnologias sociais, tais como o
Programa Estruturante Emancipar – todo mundo é cidadão, que trata a pobreza em sua complexidade, articulando recursos das próprias comunidades com a finalidade de elevar a qualidade de vida das famílias.
“Já dispomos de uma ampla gama de tecnologias sociais: programas de transferência de renda, qualificação para o trabalho, micro-crédito, governança local e redes cooperativas”, conta o secretário Fernando Schüler. “Não estamos muito longe do fim da pobreza. Resta saber se queremos esperar mais 20 anos ou acelerar o processo superando modelos ultrapassados de gestão pública e realizando projetos inovadores”.
O título do seminário, que contou com o patrocínio do Banrisul, é uma referência à obra do economista norte-americano Jeffrey Sachs,
O Fim da Pobreza, publicada em 2005. Respeitado consultor de governos em todos os continentes, professor da Universidade de Columbia (EUA), Sachs aborda, neste livro, o desafio do desenvolvimento sustentável no ambiente complexo da atualidade, apontando princípios e linhas de ação para a superação da pobreza no mundo.
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Seminário Nacional O Fim da Pobreza
29/11/2009
Fonte: ViaPolítica/A autora