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Os militantes antiglobalizadores do Fórum Social Mundial, movimento que começou na então capital petista de Porto Alegre, em 2001, deram início aos preparativos para o próximo conclave anual do movimento. O encontro está previsto para realizar-se, desta vez, na capital do Quênia, Nairobi, entre os dias 21 e 24 de janeiro de 2007, adotando-se, a partir daí, uma organização regionalizada. A despeito de pretenderem ser designados de “altermundialistas”, eles devem na verdade ser chamados de antiglobalizadores, a despeito mesmo de constituírem um dos grupos mais globalizados que se conhece no imenso leque de organizações não-governamentais.
Para esse encontro de Nairobi, as organizações participantes do FSM – nem todas as que gostariam de ser podem sê-lo, pois todas precisam concordar com a plataforma antiglobalizadora da qual elas se orgulham, o que significa que não se admitem discordâncias e desvios do “pensamento único” que defendem – elaboraram, em 2006, um conjunto de objetivos gerais que expressam, presumivelmente, a visão do mundo de seus militantes, quando não sua filosofia de vida. Trata-se de iniciativa meritória, uma vez que, até aqui, os militantes do FSM tinham se concentrado mais nos protestos do que nas proposições, produzindo muito mais transpiração do que inspiração em seus ruidosos encontros.
Pretendo, no presente texto e nos seguintes, transcrever os nove objetivos gerais traçados pelos antiglobalizadores, tais como expressos no site do FSM, e tecer, em seguida, comentários tópicos sobre cada um deles, agregando, a cada vez, argumentos de natureza conceitual e histórica sobre o que me parece correto e o que considero serem equívocos dos “ideólogos” desse movimento (“ideólogos”, aqui, no bom sentido da palavra, isto é, como produtores de idéias). Faço-o num puro espírito de debate intelectual, que geralmente ocorre de modo unilateral, pois raramente tenho encontrado antiglobalizadores que aceitem debater suas “idéias”. Não importa. Vejamos, em primeiro lugar, o que eles têm a dizer.
Cito, do site e de mensagem recebida em 2 de janeiro de 2007:
“Veja a seguir a lista completa dos nove objetivos gerais, que foram definidos a partir de consulta realizada entre junho e agosto de 2006 sobre ações, campanhas e lutas em que estão envolvidas as organizações participantes do FSM:
1. Pela construção de um mundo de paz, justiça, ética e respeito pelas espiritualidades diversas;
2. Pela libertação do mundo do domínio das multinacionais e do capital financeiro;
3. Pelo acesso universal e sustentável aos bens comuns da humanidade e da natureza;
4. Pela democratização do conhecimento e da informação;
5. Pela dignidade, diversidade, garantia da igualdade de gênero e eliminação de todas as formas de discriminação;
6. Pela garantia dos direitos econômicos, sociais, humanos e culturais, especialmente os direitos à alimentação, saúde, educação, habitação, emprego e trabalho digno;
7. Pela construção de uma ordem mundial baseada na soberania, na autodeterminação e nos direitos dos povos;
8. Pela construção de uma economia centrada nos povos e na sustentabilidade;
9. Pela construção de estruturas políticas realmente democráticas e instituições com a participação da população nas decisões e controle dos negócios e recursos públicos.”
Fonte: Reunião do Conselho Internacional do FSM, em Parma, Itália, 10-12 de outubro de 2006.
Link:
http://www.forumsocialmundial.org.br/main.php?id_menu=7&cd_language=1.
No seguimento deste texto, aduzirei meus comentários sobre cada um desses objetivos.