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Fórum Social Mundial:
propostas idealistas,
grandes equívocos (9)
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Por Paulo Roberto de Almeida  

www.pralmeida.org
pralmeida@mac.com

(na continuidade do artigo 8 desta série)

8. Pela construção de uma economia centrada nos povos e na sustentabilidade

Pelo que eu conheço dos princípios econômicos elementares, toda e qualquer economia é baseada nos povos e na sustentabilidade, do contrário ela já teria desaparecido da face da Terra. Em outros termos, esse objetivo geral não quer dizer absolutamente nada, a não ser que os velhos “ideólogos” do FSM – não os seus jovens idealistas, entre os quais podem estar alguns que já estudaram o seu manual de economia, o famoso text-book Economics 101 –, queiram significar com isso que a economia não pode se sustentar nos mercados, nas trocas mercantis e na busca desenfreada de lucro, o que é muito mais provável, se eu conheço a fauna do FSM.

Não é segredo para ninguém que as organizações que militam no FSM abrigam um número considerável – preponderante mesmo, eu diria – de pessoas que rejeitam, quase como um anátema ou a peste em pessoa, o capitalismo, os mercados, o lucro, enfim, tudo aquilo que se assemelhe, de perto ou de longe, a formas de apropriação privada dos meios de produção e a formas mercantis de distribuição de bens e serviços. Seu ideal seria um mundo que funcionaria sem mercados, sem dinheiro, sem capitalismo, de preferência sem os capitalistas, o que seria o máximo de genialidade possível. Infelizmente para os órfãos do socialismo estatal e para os viúvos do planejamento centralizado, o embate entre modos de produção já se deu nos bastidores da história e, pelo que eu sei, o capital venceu. Tudo isso pode não ser muito agradável para os idealistas de sempre (e para alguns rancorosos irredentistas), mas a história tem dessas coisas que, de vez em quando, resultam no soterramento definitivo de paquidermes pouco adaptados às novas condições ambientais: o socialismo foi um deles. Pode-se até chorar uma lágrima pelo desaparecimento desses monstros do passado, mas não se pode querer sua sobrevivência em contradição com os novos dados da história (ou até da “geologia” econômica).

Quero crer que os que redigiram este objetivo “econômico” estejam entre a dor pungente de terem perdido um ente querido e a confusão mental de não terem absolutamente nada para colocar no lugar dele, do contrário não teriam formulado um objetivo tão “sem pé nem cabeça” como esse. Eu proponho simplesmente que os militantes do FSM retirem esse objetivo da sua lista, refaçam o dever de casa e voltem depois com algo melhor, isto é, algum objetivo que tenha consistência econômica ou, pelo menos, sustentabilidade lógica.

(a continuar)

[Brasília, 3 de janeiro de 2007;
São Paulo, 12 de janeiro de 2007]
Rev.: Bsl, 29 jan 2007

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