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(na continuidade do artigo 10, e penúltimo desta série)
Concluo, por este comentário geral, minha análise das nove propostas, idealistas, dos militantes do Fórum Social Mundial, reconhecendo nelas algum grau de boa-vontade, e até mesmo alguma capacidade de iniciativa, em relação aos grandes problemas enfrentados pela humanidade no bojo do processo de globalização, mas ressaltando, ainda assim, a inconsistência intrínseca e a falta de adequação à realidade da maior parte dessas propostas.
De modo geral, comparando-se o mínimo de estruturação conceitual que se registra hoje em alguns dos textos dos militantes do FSM com a grande confusão mental que reinava em seus primeiros encontros – da fase de Porto Alegre –, percebe-se que os chamados altermundialistas (que eu prefiro chamar de antiglobalizadores) estão fazendo um grande esforço para afinar as suas idéias, tanto quanto se percebe, e tentam, honestamente, se ouso dizer, fazê-las encontrar-se com a realidade do mundo. Mas, eles ainda estão bem longe da “realidade efetiva das coisas”, como diria um outro filósofo italiano (totalmente globalizado, cabe registrar).
Atualmente, em todo caso, em lugar dos
jamborees anuais, nos quais o maior esforço de transpiração consistia em xingar o imperialismo, em lugar de uma saudável inspiração mental, nota-se o sincero desejo de oferecer algumas respostas mais ou menos estruturadas aos problemas complexos com que se defrontam os povos (que eles dizem representar). Mais algum esforço e um pouco mais de organização – porque globalizados eles já estão, talvez até mais do que os seus odiados “primos” capitalistas de Davos –, os altermundialistas justificarão finalmente o nome pelo qual pretendem ser chamados: eles ainda precisam oferecer uma forma alternativa, mas factível, de organização social da produção que não seja inerentemente injusta e desigual como atualmente o é a capitalista. Eu, pessoalmente, desconfio que, antes disso, muitos desses militantes se converterão em sisudos capitalistas alternativos. Mas isso faz parte do processo.
Em todo caso, eu desejo que todos continuem sonhando!
(final da série)
[Brasília, 3 de janeiro de 2006;
São Paulo, 12 de janeiro de 2007]