VIA POLÍTICA - Livre Informação e Cultura _______________________________________
.
Página Inicial
.
  Versus - Páginas da Utopia
 
.
Busca em Via Política:
Busca no Google:
 
 
 
 
  HOME
  Brasil
  Sem Fronteiras
  O Balcão
  Meio Ambiente
  Comunidades
  Entrevista
  Marca-Página
  Entreato
  Anima
  Diplomatizzando
  Cinema de Invenção
  Perfil
  No Contrapé
  VP Online
  Ornitorrinco
  Brasil Adentro
  Boca de Bacco
  Humor à Mão
  Outro Olhar
  Artigo
  Palavra do Leitor
  Quem Somos
     
 
 
Anima
.

Braços de
Janis Joplin

Respiro o teu nome e volto a conferir os rascunhos que fiz de teu corpo. Poema-imagem em português e espanhol, de Floriano Martins, de Fortaleza
.
..Leia mais
 
Kino Kaos
.
O discurso das imagens
Em seu novo trabalho, Luiz Rosemberg Filho faz uma declaração de amor ao cinema e uma inquietante pergunta: o que foi que fizemos com a imagem? Por José Carlos Asbeg, do Rio de Janeiro
.
..Leia mais
 
Perfil
.

Um poeta chamado Lêdo Ivo

Para Lêdo Ivo, a poesia é uma magia verbal, um “idioma” específico dentro da linguagem e um testemunho da condição humana. A verdadeira celebração do Universo pelo homem. Por Floriano Martins, de Fortaleza
.
..Leia mais
 
 
.
Cadastre-se e receba ViaPolítica
.
Nome:
E-Mail:
 
 
twitter.com/viapolitica
.
 
 
 
 
.
Imprimir Indicar Anteriores Aumentar tamanho do texto Diminuir tamanho do texto
 
Uma quarta guerra mundial?
.
Por Paulo Roberto de Almeida  

www.pralmeida.org
pralmeida@mac.com

Os historiadores, os cientistas sociais, os atores políticos e até os simples cidadãos sabem exatamente o que é o terrorismo, ainda que possam divergir quanto à sua exata definição, ou discordar, em função de suas sociedades de origem e de suas preferências ideológicas, quanto ao seu papel na presente etapa da humanidade, supostamente promotora do respeito aos direitos humanos e da legalidade internacional sob a égide da ONU e de convenções internacionais.

Qualquer que seja a definição que possamos dar ao fenômeno terrorista, uma modalidade específica se destaca na atualidade: o terrorismo islâmico-fundamentalista. Não há nenhuma dúvida de que ele constitui uma terrível realidade contemporânea da qual talvez não tenhamos (mas deveríamos ter) a dimensão e a consciência exatas do que ela significa na história da humanidade. Está se constituindo uma modalidade de terrorismo político-religioso sem qualquer precedente na história da humanidade, que promete ficar conosco durante muito tempo ainda: o terrorismo islâmico-fundamentalista, uma nova espécie de barbárie, que precisa ser chamada pelo que ela é, efetivamente.

Essa modalidade de terrorismo está sendo identificado, por alguns analistas, como sendo a Quarta Guerra Mundial (a terceira sendo constituída pela Guerra Fria, que terminou com a implosão do comunismo, que não foi obviamente destruído pelo capitalismo, mas foi eliminado por sua própria incompetência econômica e tecnológica). Alguns dos problemas para definir a sua especificidade e que dificultam sua compreensão e o seu combate eficaz derivam, talvez, dessa própria característica: a de que ele venha sendo designado como uma ameaça militar e que os meios de combatê-lo seriam basicamente de ordem tática. A própria escolha dos termos pode influenciar a estratégia de combate ao terrorismo, como revelado, por exemplo, na preferência do governo Bush por caracterizar suas iniciativas nessa área como sendo a war on terror. Vejamos, contudo, quais são algumas dessas especificidades e por que pode ser extremamente difícil lidar com essa nova realidade.

Esse novo terrorismo, de base inegavelmente e inquestionavelmente (é preciso que se o diga) islâmico-fundamentalista, visa simplesmente a causar o maior número de mortos, de forma indiscriminada (mesmo entre os próprios seguidores da religião islâmica), em nome de objetivos muito difusos, mas que todos têm a ver com a recusa da modernidade ocidental, com a rejeição das conquistas do iluminismo (que foi ocidental, mas é propriamente universal).

Esse terrorismo islâmico-fundamentalista é profundamente reacionário e obscurantista, e alguns observadores o acusaram de fascista, mas não creio que esse conceito apreenda suas características peculiares. O fascismo tem a ver com uma determinada noção de um regime político, com a conquista do Estado e a obtenção de objetivos políticos, econômicos e sociais. O terrorismo islâmico-fundamentalista é mais uma negação do que existe do que a construção de uma nova sociedade.

Esse terrorismo se baseia num estoque infindável de pessoas-bomba, de todos os gêneros e idades. Não é incomum assistir-se, na TV, reportagens que mostram alguma mãe de um pequeno candidato a menino-bomba (existem garotos de dez anos sendo treinados para isso) dizendo se sentir orgulhosa de ver seu filho sendo treinado para ser um combatente contra o inimigo sionista e americano. Pode ser patético, mas é revelador de um certo estado de espírito.

Qual é a sociedade que produz uma mãe que pede, literalmente, que o seu filho converta a si mesmo em bomba humana, levando consigo o maior número possível de inimigos? Não creio que seja uma sociedade “normal”, mas esse tipo de predisposição para o martírio corresponde a um movimento determinado, o do fundamentalismo islâmico, que aparentemente conquistou muita gente. Existem, como se sabe, muitos “meninos-bomba” em preparação, da Palestina ao Paquistão, e talvez mais além.

Não nos enganemos: todos esses candidatos voluntários ao martírio pertencem a um arco civilizatório específico: o do islamismo decadente e fracassado, não enquanto religião, mas enquanto sociedades “normais”. Por várias razões – entre elas a autocracia política e a falta de modernização econômica e social, pelo próprio fracasso dessas sociedades e desses Estados autoritários em prover meios de vida decentes a uma massa considerável de jovens desesperançados (e alimentados no ódio ao Ocidente, como se ele fosse responsável pelos fracassos) –, o movimento do terrorismo fundamentalista-islâmico dispõe hoje de um estoque infinito de candidatos a pessoas-bomba.

O que o Hezbollah, o Jihad, o Hamas e outros movimentos assemelhados fazem hoje, da Palestina à Índia, passando pelo Iraque e pelo Afeganistão, é exatamente isso: uma nova modalidade de terrorismo inaceitável na perspectiva de qualquer nação civilizada na face da terra.

Sim, existe uma diferença entre esses bárbaros e os antigos terroristas, da fase anarquista, quase romântica. Os antigos anarquistas, geralmente de extração operária, faziam atentados isolados, visando diretamente aos soberanos (presidentes, reis, autoridades em geral), pois queriam combater o Estado, que viam como mal absoluto. Expunham-se pessoalmente e conseguiam, em alguns casos, o seu intento. Era uma tática terrorista numa estratégia mais ampla de luta política, mas algo desorganizada, geralmente condenada pelos demais grupos de esquerda.

Os bárbaros da atualidade explodem a tudo e a todos, matando inocentes sem contar, sem qualquer objetivo militar aparente, numa estratégia de terror pelo terror. Eles também se expõem pessoalmente – e como: na promessa mirífica do paraíso dado automaticamente aos mártires – mas seus objetivos são indiscriminados, atingindo inocentes e alguns “correligionários”.

Acho que a realidade terrível está exposta, claramente. A nova barbárie bateu à nossa porta e ela promete perdurar por longos anos à frente. As pessoas que se julgam conscientes e responsáveis deveriam tomar partido. A linha divisória está posta.

Eu fico assustado de ver como a esquerda brasileira, e talvez a esquerda mundial, ainda se permite aplaudir esse tipo de gesto, apenas porque ele se dirige, supostamente, contra o inimigo imperialista ou sionista. Não gostaria de constatar que a esquerda se colocou do lado dos bárbaros, absolutos, inaceitáveis a qualquer pretexto.

Por outro lado, não creio que a resposta a esse novo fenômeno tenha de ser basicamente militar, isto é, baseada no enfrentamento de grupos terroristas com o objetivo de aniquilá-los, fisicamente. Esse tipo de tática os converte, imediatamente, em guerreiros de um novo exército, os eleva à categoria de soldados de uma causa e lhes traz, ao mesmo tempo, responsabilidade e respeitabilidade (aos olhos dos que comungam das mesmas idéias). A estratégia correta, mas muito mais difícil – reconheço – seria vencê-los no terreno das idéias, demonstrar a profunda desumanidade que encarnam, o total niilismo dos procedimentos e resultados. Obviamente, a responsabilidade maior por este tipo de mensagem “desmanteladora” da legitimidade das idéias terroristas está, antes, com os líderes religiosos e os clérigos do Islã (em suas diversas correntes) do que com os responsáveis dos países ocidentais.

O fato é que, atualmente, existe algo de profundamente errado e vicioso nas atitudes dos líderes religiosos do Islã; sua responsabilidade pelo terrorismo fundamentalista islâmico não pode, de nenhuma maneira ser afastada. O simples fato de não condenar, de forma veemente, autores e planejadores, cada vez que um ato bárbaro é perpetrado, os converte em coniventes, para dizer o mínimo, com seus autores. Existe uma guerra, mas ela se passa no interior do Islã...

Brasília, 1712: 18 janeiro 2007; revisão 23 junho 2007.

Mais sobre Paulo Roberto de Almeida
 
Imprimir Indicar Anteriores Aumentar tamanho do texto Diminuir tamanho do texto Página Inicial
 
 
 
 
 
Clique aqui para saber mais
.
Clique aqui para saber mais
.
a rede de tradutores pela diversidade lingüística
.
Correio da Cidadania
.
Rio Apa Expedições
.
Correio da Cidadania
.
Guyra Paraguay - Conservando la Biodiversidad
.
FC&P - Fotografia, Cachaça & Política
.
AALONG
.
Clique aqui para saber mais
.
.
.
Revista RETRATO DO BRASIL
.
.
 
 
.. Iniciativa: Laser Press Comunicação
  Créditos