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Um outro Fórum Social
Mundial é possível...
(aliás, é até mesmo necessário)
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Por Paulo Roberto de Almeida  

www.pralmeida.org
pralmeida@mac.com

O slogan central do Fórum Social Mundial e do movimento antiglobalizador – adotado originalmente pelos altermundialistas franceses da Attac – é “um outro mundo é possível” (e todas as derivações geográficas e temáticas: uma outra África, um outro Piauí, uma outra economia, uma outra sociedade etc.). Acredito tratar-se de um bom slogan, pelo menos em termos de marketing e publicidade, que permite esse tipo de simplificação para vender uma boa idéia, sem necessariamente entrar nos detalhes de sua efetivação.

Eu também acho que um outro mundo é, não apenas possível, como desejável, em vista dos muitos problemas neste que conhecemos, não apenas em termos de iniqüidades econômicas e injustiças sociais, mas também ausência de democracia em muitos países, desrespeito generalizado aos direitos humanos – inclusive, e sobretudo, os da mulher, em incontáveis nações de um determinado arco civilizatório e religioso – e esse outro mundo é tão mais necessário que milhões de pessoas, em nosso mundo concreto, sobrevivem em condições inaceitáveis de pobreza e de miséria. Por isso, devemos todos esforçar-nos para tornar factível um outro mundo de prosperidade, de respeito aos direitos humanos – sem qualquer ressalva culturalista ou “politicamente correta” –, de democracia plena e de oportunidades iguais para todos.

O diabo, como já disse alguém, está nos detalhes: como, exatamente, construir esse outro mundo talvez possível, mas certamente desejável? Por um momento, desde o surgimento do movimento altermundialista na Europa, há mais ou menos dez anos, acreditamos que seus militantes devotados e os nobres defensores de suas causas humanitárias e progressistas, fossem nos trazer as respostas indispensáveis para que se pudesse dar início à construção desse “outro mundo possível”. Eu, pessoalmente, venho aguardando, nestes dez anos de agitação altermundialista, que seus promotores apresentem a receita desse outro mundo julgado possível, que eles anunciam, insistente e repetidamente a cada ano, sem jamais apresentar a fórmula milagrosa dessa genial trouvaille.

De fato, a cada ano é a mesma história: os altermundialistas se reúnem, ruidosamente, a grandes clarins de publicidade gratuita (de uma imprensa que me parece tão leviana quanto eles), fazem manifestações coloridas, ouvem dezenas de discursos de seus gurus oficiais, sufocam (sem ar condicionado) em centenas de reuniões e encontros de trabalho certamente muito animados e, depois... nada, rigorosamente NADA!

Não estou dizendo nenhuma novidade jornalística se afirmar que eles falham, cada ano, em suas promessas reincidentes: nunca, jamais de la vie, ever and ever, mai, eles conseguiram entregar o que prometem tão enfaticamente, o que anunciam a tantos golpes de publicidade globalizada (e, o que é mais importante, gratuita, como jamais desfrutou o seu irmão inimigo de Davos). Nesses dez anos, nunca houve, nem parece haver condições de existir, sequer um rascunho da arquitetura desse outro mundo possível que eles anunciam cada vez.

Bem, o mundo certamente mudou nestes dez anos, não sei se eles perceberam, pelo menos para chineses, indianos e um bocado de gente espalhada por aí. Talvez não seja exatamente o mundo que eles, altermundialistas, estivessem esperando, isto é, um mundo sem capitalistas, sem lucros, sem mercados e sem várias outras coisas que eles acreditam estar na raiz das iniqüidades atuais. Eles deveriam perguntar aos chineses o que eles, chineses, estão achando da globalização. Provavelmente, a resposta não será conforme ao que eles esperam, mas talvez este seja o mundo possível, atingível por milhões de chineses e indianos.

Como os altermundialistas – que são, na verdade, antiglobalizadores, ou pelo menos pretendem uma outra globalização –, não conseguem entregar o seu peixe, isto é, revelar o segredo desse outro mundo possível, eu só posso concluir que um outro Fórum Social Mundial é, não apenas possível, como necessário, pois o que existe até o momento não consegue deliver o que promete.

Para ajudá-los nessa tarefa ingente de transformar sonhos em realidades, promessas em realizações tangíveis, talvez eles devessem começar lendo bons livros de história, de desenvolvimento econômico, de relações internacionais, pois, pelo visto, as cartilhas que andam percorrendo – uma mistura de Noam Chomsky, com Eduardo Galeano e outros perfeitos idiotas da globalização – não estão servindo para nada. Eles devem, antes de mais nada, se desvencilhar de idéias caducas, inadequadas ao mundo atual ou simplesmente equivocadas. Para ajudá-los na tarefa, começo por listar alguns dos artigos que escrevi nos últimos anos, tendo como objeto, justamente, a globalização e seus românticos (e ineficazes) detratores. Talvez eles possam fazer um novo encontro com outras idéias possíveis, pois as atuais são impossíveis...

Brasília, 25 de janeiro de 2008.

Lista de trabalhos de Paulo Roberto de Almeida sobre a antiglobalização e os altermundialistas:

1853. “Fórum Social Mundial 2008: Um pouco menos de transpiração e um pouco mais de inspiração, por favor...”, Via Politica (newsletter 82, 21 janeiro 2008; link: http://www.viapolitica.com.br/...)

1762. “Globalização perversa e políticas econômicas nacionais: um contraponto às visões correntes em certos meios”, Espaço Acadêmico (n. 74, julho 2007; link: http://www.espacoacademico.com.br/...).

1715. “Ocaso de uma utopia?: objetivos nobres e vacuidade de idéias no Fórum Social Mundial”, Espaço Acadêmico (nº 69, fevereiro 2007; link: http://www.espacoacademico.com.br/...).

1665. “Uma previsão marxista...”, Espaço Acadêmico (ano VI, nº 65, outubro 2006, link: http://www.espacoacademico.com.br/...).

1579. “Um diálogo sobre a globalização: Intercâmbio de idéias nunca faz mal”, blog Diplomatizando (link: http://diplomatizando.blogspot.com/...).

1574. “Sorry, antiglobalizadores: a pobreza mundial tem declinado, ponto!”, Resumo no blog Diplomatizando (link: http://diplomatizando.blogspot.com/...). Integra: “A distribuição mundial de renda: caminhando para a convergência?”, Meridiano 47 (setembro 2006; link: http://www.pralmeida.org/...).

1573. “A globalização e seus descontentes: um roteiro sintético dos equívocos”, Espaço Acadêmico (nº 61, junho 2006; link: http://www.espacoacademico.com.br/...).

1538. “Uma imprensa superficial ou uma cobertura vazia de conteúdo?: a propósito do Fórum Social Mundial e a “inteligência” jornalística”, Observatório da Imprensa (23.01.2006, link: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/...).

1533. “Anti-globalizadores super globalizados”, Brasília, 16 janeiro 2006, 1 p. Comentários sobre a agenda globalizada de reuniões do FSM. Blog PRA (link: http://paulomre.blogspot.com/...).

1532. “Resultados antecipados do Foro de Caracas: um exercício de futurologia garantida...”, Blog PRA (link: http://paulomre.blogspot.com/...).

1530. “Perguntas impertinentes a colegas que me acusam de ser ‘liberal fundamentalista’”, Blog PRA, link: http://paulomre.blogspot.com/...; “Perguntas impertinentes a um amigo anti-globalizador”, Meridiano 47 (Brasília: Instituto Brasileiro de Relações Internacionais, ISSN 1518-1219, nº 65, dezembro 2005, p. 2-4; link: http://www.relnet.com.br/...).

1525. “Um debate sobre processos econômicos”, Blog PRA (http://paulomre.blogspot.com/...).

1523. “Think Again (2): Alter-mundialismo?”, Blog PRA (http://paulomre.blogspot.com/...).

1297. “Contra a anti-globalização: Contradições, insuficiências e impasses do movimento anti-globalizador”, Meridiano 47 (nºs 49-58, agosto 2004-maio 2005, link: http://www.pralmeida.org/...).

1281. “Globalização para todos os gostos”, Resenha do livro de Jagdish Bhagwati: Em Defesa da Globalização: como a globalização está ajudando ricos e pobres (Rio de Janeiro: Elsevier-Campus, 2004, 348 p.). Site Parlata (setembro 2004; link: http://www.parlata.com.br/...).

1258. “A globalização e seus benefícios: um contraponto ao pessimismo”, Espaço Acadêmico (nº 37, junho 2004; link: http://www.espacoacademico.com.br/...).


1252. “O debate sobre a globalização no Brasil: muita transpiração, pouca inspiração”, Meridiano 47 (Brasília: nº 44-45, março-abril 2004, p. 13-16; link: http://www.relnet.com.br/...).

1205. “A globalização e o desenvolvimento: vantagens e desvantagens de um processo indomável”, Achegas (Rio de Janeiro: nº 20, novembro-dezembro de 2004; link: http://www.achegas.net/...; disponível no site pessoal, link: http://www.pralmeida.org/...).

1011. “Três vivas ao processo de globalização: crescimento, pobreza e desigualdade em escala mundial”, Revista Autor (ano III, n 21, março 2003, ISSN 1677-3500; link: http://www.revistaautor.com.br/). Publicado em três partes na revista Espaço Acadêmico (Maringá; Ano III, 1ª parte: nº 29, outubro de 2003; link http://www.espacoacademico.com.br/...; 2ª parte: nº 30, novembro de 2003; link: http://www.espacoacademico.com.br/...; 3ª parte: nº 31, dezembro de 2003; link: http://www.espacoacademico.com.br/...).

920. “O Brasil como sócio menor da globalização: insuficiente interdependência econômica e pequena participação comercial”, Revista de Economia e de Relações Internacionais (São Paulo: Fundação Armando Alvares Penteado; ISSN: 1677-4973; vol. 1, nº 2, janeiro 2003, pp. 5-17; Link: http://www.faap-mba.br/...).

737. “O Brasil e os primeiros 500 anos de globalização capitalista”, revista Estudos Iberoamericanos (Porto Alegre: PUC-RS, Edição Especial, nº 1, 2000, pp. 149-180).

734. “O Brasil e os impactos econômicos e sociais da globalização”, in Universidade Católica de Brasília (org.), Relações Internacionais e Desenvolvimento Regional (Brasília: Editora Universa, 2000, 305p.; p. 115-149.

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