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7. Qual o impacto dos Bric, como grupo e individualmente, na economia mundial e com qual dimensão e extensão esse impacto se exerce?
A grande justificativa para a existência da sigla Bric, segundo seu propositor original, é a dimensão do impacto dessas economias emergentes na economia mundial e sua capacidade de moldar o futuro de muitos outros países em desenvolvimento. De fato, à exceção do Brasil, os três outros Bric vêm consistentemente ganhando peso e importância no contexto global e setorial, como se depreende da tabela 7.
7. PIB em PPP em proporção do PIB mundial (%)
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Teoricamente, portanto, como indicam os autores desse tipo de estudo, os Bric representarão, em poucos anos, um quinto da economia mundial, caminhando paulatinamente para ultrapassar o G7 em duas décadas, segundo as estimativas. Essa agregação de “volumes” individuais pode fazer sentido nesse tipo de exercício intelectual, no qual a aritmética parece predominar sobre a política; mas é pouco provável que ela indique tendências de desenvolvimento da economia mundial, cujos vetores são dados por transformações tecnológicas, fluxos de capitais e informação de tipo científico e estratégico, como sempre ocorreu, aliás, na história do capitalismo.
De fato, pela sua crescente importância demográfica, assim como através da disseminação crescente da tecnologia e de capitais de investimento, pode-se prever com toda segurança que a participação dos países em desenvolvimento (entre os quais estão inseridos os Bric, segundo o FMI) nas exportações mundiais de bens e serviços e no PIB total deverá se expandir a partir dos valores atuais, resumidos na tabela abaixo.
8. Participação no PIB agregado, nas exportações de bens e serviços e na população mundial, 2007 (%)
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Trata-se, no entanto, de uma constatação elementar, que nada diz sobre os demais aspectos, sobretudo institucionais e políticos, que atuam de modo interativo com as forças estruturais que estão moldando o sistema econômico mundial. Ou seja, o impacto econômico dos Bric é necessariamente decisivo; mas ele sozinho nada diz sobre os demais condicionantes de um complexo relacionamento que não se resume à contabilidade de PIB e exportações, mas tem a ver com fatores complexos de interdependência recíproca, não dos Bric entre si, mas entre eles, individualmente tomados, e seus múltiplos parceiros na economia mundial.
Em outros termos, os valores registrados nos intercâmbios globais, bem como os próprios volumes físicos de bens e serviços comercializados, não podem ser considerados unicamente em sua base territorial ou sua jurisdição nacional, uma vez que eles resultam de relações contratuais de propriedade intelectual e de criação e apropriação tecnológica – subjacentes a outros fluxos de renda não computados de modo adequado naquelas estatísticas – que traduzem a verdadeira complexidade da economia contemporânea (e futura). Desse ponto de vista, os Bric não possuem existência econômica de fato, sendo puramente uma criação do “espírito econômico”.
Brasília, 26 de agosto de 2008.
(a continuar na próxima edição)