Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.
Quando vivia em Bogotá (faz tempo), conheci um velho sindicalista e líder da esquerda radical argentina no exílio. Conversávamos com freqüência sobre a profissão do Jornalismo, principalmente quando o repórter, por dever de ofício, escrevia sobre outros países que não o seu de origem, como era o caso. Sempre bem-humorado, ele explicava: “A verdadeira política é sempre ao contrário do que aparece na superfície, nas manchetes de jornais.”
Comecei a recordar da frase quando li as notícias de que Hugo Chávez estava deslocando tropas e equipamentos blindados venezuelanos para os limites com a Colômbia. O mesmo quando ouvi os discursos de Rafael Correa, justamente indignado com a violação do território do Equador pelo exército “israelense” do colombiano Álvaro Uribe, em blitz contra o acampamento de Raúl Reyes, o segundo dos farcos em comando.
Não esqueci meu amigo argentino durante toda a semana em que durou a crise que se encerrou com afagos e sorrisos pacíficos (incluindo os do nicaragüense Daniel Ortega), primeiro com a resolução conciliadora da OEA, e depois com o encontro diplomático em Santo Domingo, onde não faltaram gordas manchetes para ninguém. Preponderaram as razões de Estado sobre as razões da força, ultima ratio, o que ocorre quando as negociações e pressões se mostram frágeis.
Sobre o guerrilheirismo dos farcos é preciso notar que a decadência política e militar é quase inevitável frente ao seu isolamento popular, desvios nacionalistas, centrismo e práticas moralmente condenáveis. Essa trajetória errante minou a capacidade de mobilização e resistência das FARC ao governo Uribe e seus aliados norte-americanos, cujas ações militares nunca respeitaram os direitos e as fronteiras dos países que se lhes opuseram. De qualquer maneira, no mundo de hoje, as FARC estão mesmo condenadas à obsolescência e, cedo ou tarde, farão parte da arqueologia da política aventureira na América Latina.
O valioso vídeo que aqui apresentamos documenta, em fevereiro de 2008, o último depoimento público gravado pelo comandante Raúl Reyes, na realidade Luis Edgar Devia Silva, antes de sua morte violenta. O fato foi lamentado até pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, que com ele negociava a libertação de reféns da guerrilha na Colômbia. Reyes nasceu em La Plata, Huila, em 30 de setembro de 1948. Foi sindicalista (trabalhou na Nestlé), e integrou-se às FARC no fim dos anos 70. Porta-voz da organização, foi um dos sete membros de seu Secretariado, e companheiro de Olga Marín, filha de Manuel Marulanda, o Tirofijo, fundador das FARC. (Por Omar L. de Barros Filho)
8/03/2008
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