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Acusada de terrorismo, a ativista cultural e poetisa peruana Melissa Patiño está, injustamente, encarcerada na prisão de Santa Mônica, em Lima, há cerca de 50 dias. A violência provocou um clamor generalizado em favor de sua imediata libertação. O Pen Club, associação internacional de escritores fundada em 1921, peticionou ao governo peruano pedindo a liberdade de Melissa Patiño. ViaPolítica, no Brasil, e Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística, hoje com 90 membros associados, somam-se aos esforços pela revogação da arbitrária decisão das autoridades do Peru. Neste sentido, reproduzimos, a seguir, os vídeos mais relevantes sobre o assunto recém divulgados no site de Tlaxcala.
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Clique aqui para ver as imagens selecionadas e ler o texto de uma carta aberta dirigida ao presidente peruano Alan Garcia. (em espanhol)
Leia também, abaixo, traduzida do espanhol para o português, uma entrevista do blogueiro Rodolfo Ybarra com Melissa Patiño, tomada por escrito no cárcere de Santa Mônica.
1 – Melissa, acreditamos em tua versão, por que as autoridades não podem aceitá-la e te incriminam com acusações difamatórias?
R – Porque não querem aceitar seu erro. Sabem que sou inocente. Não querem retroceder para não cair no ridículo diante da opinião pública.
2 – Qual foi o problema com teus advogados? Por que não apelaram inicialmente, sabendo que os outros detidos sim o fizeram e que a prática comum de procedimento? R – Porque naquele momento eu estava mudando de advogado.
3 – Muitos intelectuais, ultimamente, perceberam tua inocência, desde Rocio Silva Santiesteban até César Hildebrantd. Não podemos dizer que se tratam de posições tardias em relação a tua prisão e depois de quase 50 dias de maus tratos. Qual seria teu apelo aos intelectuais e à opinião pública em geral, que ainda é adversa?
R – Que investiguem o caso e que se conscientizem de que não há provas que sustentem a acusação contra mim.
4 – O fato de não militar em nenhum partido ilegal ou grupo armado não exclui tua sensibilidade social. O que opinas a respeito e que desabafos gostarias de fazer?
R – Não pertenço a nenhum partido político. Menos ainda simpatizo com algum movimento subversivo. Sou contra a violência, sou pacifista. Não acredito que o terror seja o caminho para a mudança.
5 – Os poetas e escritores foram os primeiros em levantar a voz contra tua detenção, a solidariedade aconteceu não só no Peru, mas também no estrangeiro. Como poeta, o que opinas sobre horror que estás vivendo? Estendo também a pergunta ao teu estado de saúde. R – É terrível. O cárcere não é um bom lugar para ninguém.
6 – Contaram-me que teus “direitos” estão restringidos, como não participar nas oficinas, não ter acesso aos telefones, visitas limitadas (somente quatro familiares e menos horas que o resto), não ter acesso a equipamentos eletrônicos como o rádio, televisor, etc. A que se deve este agravamento? R – Querem que eu passe mal. É injusto. Estou sob o regime carcerário mais rigoroso.
7 – Algumas palavras para o ministro do Interior, Alva Castro.
R – Que ainda não é tarde demais para que reconheça seu equívoco.
Melissa, obrigado por esta breve entrevista e para ti toda nossa força nesta hora difícil.
Tradução do espanhol para o português de Omar L. de Barros Filho, editor de ViaPolítica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística.
Esta tradução pode ser livremente reproduzida na condição de que sua integridade seja respeitada e citados os autores e as fontes.