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Entre olhares...

Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica

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Milo Manara:
O rei dos quadrinhos
eróticos, agora nu
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
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O microfone humano

Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.

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Kino Kaos
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Luna zapatista

Um clip ilustrado por Kalvellido, o andaluz errante, homenageia os zapatistas e as lutas do povos contra a opressão. Música de Orlando & Ogando

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Keny Arkana

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Tradução do espanhol para o português de
Omar L. de Barros Filho

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“Não sou uma rapper, mas uma contestadora que faz rap”, afirma Kenny Arkana, que se define assim como cidadã antes que como artista. E, de fato, seu rap é antes de tudo música comprometida com a transformação social e com a filosofia dos movimentos altermundistas, anticapitalistas, revolucionários e anticolonialistas; música politizada que afirma sua posição crítica e convida a tomar consciência tanto da realidade do mundo como da necessidade de lutar contra a injustiça.

Marselhesa de mãe francesa e pai argentino, Keny Arkana nasceu em 20 de dezembro de 1983. Aos nove anos começaram as fugas: primeiro de casa e depois dos abrigos e internatos onde chegou por ordem judicial. Até que a frágil Keny encontra, na rua, um meio de afirmar sua sede de liberdade. Esta experiência é evocada em sua canção Je me barre (Me largo) ou também em La mère des enfants perdus (A mãe das crianças perdidas).


Vitória



Leia mais aqui (em espanhol)

Conheça a letra da canção Vitória:

“Eu sou Vitória, nasci há 14 abris
Num lugar perto de Salta onde vivia antes
Isso faz mais de 10 anos agora
que com Papai e Mamãe
meus irmãos e minhas irmãs
Abandonamos nossos campos
Viemos a nos amontoar em uma desses barracos, na entrada da cidade
Foi Papai quem construiu, mas não está acabado
Só tenho vagas lembranças do lugar
Mamãe chora quando me fala dele porque não gosta da vida aqui
Estrangeiros incendiaram nossas casas para nos roubar as terras
Papai enraivece, eu não entendo, fala de agribusiness
Diz que os políticos são predadores que semeiam o medo
e que no lugar de ter coração têm um estômago
Aqui nenhum trabalho, nenhuma oração se cumpre
Depois das aulas vou com minha irmã vender pulseiras por dois reais
E apesar de todos estes esforços, restam esses dias sem comida
À noite Mamãe chora, noite adentro Mamãe não dorme

Não chores minha filha
Eu não perdi as esperanças
Os bandidos ditadores
Jamais poderão destruir a luta dos povos
que não podem esquecer seus desaparecidos.


Meu vizinho me disse “durante a ditadura foi mais difícil
Então não vou me queixar mesmo que aqui não haja futuro”
 Gosto muito de estudar, me disseram “está bem mas não é útil”
Aqui muitos abandonaram até mesmo antes de saber escrever
Em meu jardim secreto, cultivo o sonho de ser médico
Curar todas essas crianças doentes, que apenas comem
Não entendo a cidade, vejo esses meninos agrandando a mão,
Diante do desprezo dos que se chamam a gente boa.
Eu me pergunto, não vêem a miséria?
Nos esmagam para abençoar o homem chegado de outro hemisfério.
Papai diz que nos tratam como cães
Graças a Deus tenho minha família, mais longe existem órfãos que vivem nos lixões.
Às vezes choro escondida
Mas durante pouco tempo porque penso nos caras que conheceram o som das metralhadoras.
E mais, minha avozinha sempre dizia “de esperança vive o homem”,
Se não tens, és como um morto, e viver é uma proeza

Não chores minha filha
Eu não perdi as esperanças
Os bandidos ditadores
Jamais poderão destruir a luta dos povos
que não podem esquecer seus desaparecidos.


Papai não tem mais forças, beira a loucura
quando uma manhã se inteirou
De que o banco havia roubado sua poupança
Impotente, todo o mundo estava enlouquecido
Não era o único, era a nação inteira que tinham roubado
Desde aquele dia, com muita gente da cidade
Bloqueiam as estradas para bloquear a economia
É a única maneira de se fazer entender
Mas eu tenho medo de que vá embora, há alguns que não voltam, a polícia é violenta
E os apelidaram de Piqueteiros
Os jornais são mentirosos
Dizem que são bandidos, ainda há gente que tem medo
Papai disse, podem matar homens, mas não matarão a memória
As mães dos desaparecidos sempre cantam contra o esquecimento
Vivemos o fruto de uma democracia fracassada,
Em um país tão rico tantas crianças só têm no estômago uma caneca de mate.
Pois é a máfia do crime que nos dirige,
Eu não entendo e pergunto por quê?
Sempre me responde “porque estamos na Argentina”

A pobreza não é desonra
se com dignidade se vive
Piqueteiros, papeleiros
na luta dos povos
Em memória de Marcos Guevara Zapata
Juntos até a vitória,
JUNTOS ATÉ A VITÓRIA


E mais:

Veja outros vídeos: http://www.keny-arkana.com/...

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Ouça a rádio: http://www.keny-arkana.com/radio/index.html

Clip A raiva do povo com legenda em espanhol: http://because.tv/public/kenyarkana/...

Tradução do espanhol para o português de Omar L. de Barros Filho, editor de ViaPolítica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser livremente reproduzida na condição de que sejam citados o autor, as fontes e o tradutor, e que sua integridade seja respeitada. Versão em espanhol de Florian Courtey, com revisão de Antonio Antón Fernández, membro de Rebelión e Tlaxcala

Fonte: Tlaxcala



 

       
 
 
 
 
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