A infeliz verdade pode ser que o Iraque tenha já atingido uma sinistra forma de estabilidade, onde persiste um alto nível de violência e um estado semi-desfuncional. Por Patrick Cockburn, de Counterpunch, em tradução de Luis Leiria, para Esquerda.net
Antes da invasão americana do Iraque em 2003, a percentagem da população urbana que vivia em bairros de lata ou favelas situava-se abaixo dos 20%. Hoje em dia essa percentagem subiu para 53%. Por Adil E. Shamoo, em Foreign Policy In Focus
Em gravações executadas durante 15 meses em diferentes locações da Bolívia, a produção conta com análises de reconhecidos intelectuais latino-americanos, além de depoimentos dos principais protagonistas da atualidade boliviana. Emilio Cartoy Diaz acaba de apresentar Bolívia para todos, em que faz uma excelente descrição, com imagens deslumbrantes e música encantadora, da luta entre as classes médias e altas brancas da Meia Lua, entre elas as regiões do Beni e Santa Cruz de la Sierra, e os povos originários, com suas roupas características e sua linguagem rústica tão expressiva e tão autêntica, agora no poder.
Aqui se conta o desafio da Assembléia Constituinte, que consagrou a Nova Constituição da Bolívia “para todos” os seus cidadãos, sem importar a raça, religião, classe social, atividade, ideologia etc., consagrando direitos sociais e soberania sobre os recursos naturais.
Apesar da revolução de Paz Estenssoro, de 1952 – que poderia ser comparada com a de Juan Perón, em 1945, na Argentina –, a Bolívia vive, sem dúvida, depois de tantas lutas e tantos golpes militares apoiados pelo império do Norte, como se tivesse que começar novamente do zero.
É incrível entrar no olhar do povo (como o faz magistralmente o documentário) e ver o que ele vê. Algo que, em especial, chama a atenção no filme é o fato de escutar os líderes do separatismo, os “branquinhos” de Santa Cruz de la Sierra, mandar mensagens de solidariedade aos setores do campo argentino, como que dizendo “estamos na mesma, nós, aqui, contra estes “collitas”, e vocês, lá, contra estes “negritos peronistas”.
É notável a oportunidade de ouvir suas mensagens “entre-branquinhos”. Também é duro ver, pelos noticiários da TV boliviana, como as brigadas da Juventude de Santa Cruz humilhavam a quantos “collas” ou guaranis agarravam, desnudando-os no torso, atando-os com cordas como animais, e colocando-os de joelhos nas praças públicas. Também se vê a “caça” aos “collas” e a posterior surra até causar-lhes graves ferimentos. Tudo diante das câmeras de TV, que apoiavam os separatistas. Assim, na Bolívia, como na Argentina. Cada um com seu estado mental e com seu “estilo” mais descarnado ou mais “civilizado” de intolerância racial. (Tradução de Omar L. de Barros Filho)