A infeliz verdade pode ser que o Iraque tenha já atingido uma sinistra forma de estabilidade, onde persiste um alto nível de violência e um estado semi-desfuncional. Por Patrick Cockburn, de Counterpunch, em tradução de Luis Leiria, para Esquerda.net
Antes da invasão americana do Iraque em 2003, a percentagem da população urbana que vivia em bairros de lata ou favelas situava-se abaixo dos 20%. Hoje em dia essa percentagem subiu para 53%. Por Adil E. Shamoo, em Foreign Policy In Focus
Um dia dei-me conta que em toda a filmografia brasileira pouco ou quase nada registrava a presença de uma das maiores personalidades de nossa história: o comandante da revolução brasileira, Luis Carlos Prestes.
Havia o filme do Ruy Santos, o comício do Vasco, perdidos nos desvãos da repressão política, trechos de entrevistas e a grande entrevista a Nelson Pereira dos Santos na extinta TV-Manchete. Quando pela primeira vez me aproximei para filmá-lo, soube mais tarde, que consultados ganhei o aval do próprio Ruy Santos e do grande Helio Silva. Eis um bom caminho para um bom filme. Posso elogiá-lo porque ele vale ou nada vale por sua qualidade, mas vale um tudo por registrar em ação, em vida, em cores, o que é a militância de um dos maiores tribunos da história. Orador simples, porque sincero, suas afirmações apoiadas numa das mais longas e agitadas experiências de vida. As sociedades primitivas (porque mais verdadeiras?) têm grande apreço pelo conselho de anciãos.
Quando finalmente consegui o minorado e minguado orçamento, aprestei-me a filmá-lo no 1º de maio de 1987, o do centenário. Era para ser no Rio, no Campo de São Cristóvão, mas na antevéspera
decidiram por fazê-lo em São Paulo. Para lá fomos, de madrugada, Rio-S.Paulo à frente.
O resultado aqui está. Por favor, não façam como o esquerdista baiano que chamou o filme de preguiçoso, o que ripostei-lhe, vindo de um baiano é elogio. Ele reclamou que não tinha música, não tinha isto ou aquilo.
Queria por acaso que eu interrompesse o discurso para ouvirmos, entre o que gravei ao vivo naquela Praça da Sé, a Internacional cantada pela multidão ou quem sabe acompanhada em coro pela multidão, nada menos que Vandré, Pra Não Dizer Que Não Falei De Flores, cantada por Chitãozinho e Xororó?
Tive o prazer da autorização do Prestes antes e sua aprovação ao ver o filme pronto, afinal eu editara e reduzira o seu memorável discurso. O seu comentário foi notável, gentil como era o Velho:
– Mas tem muito eu neste filme, e a organização do evento, as outras falas ...
Pois é, senador, um filme não pode ser todos, este é a tentativa de guardar para netos e bisnetos o recorte de uma época, a sua. Só não tive o prazer de vê-lo exibido no cumprimento da lei do curta, fui três vezes reprovado pelo júri, cujo presidente por desavenças pessoais dava-me zero, sucessivamente, no que ao que consta era acompanhado por alguns sequazes seus, inclusive o canhoto acima.
Antevia a repercussão deste grande momento da vida brasileira nos cinemas de nosso país, é pra isto que serve a lei do curta, é para servir ao público o que servimos a todos. Não foi possível exibi-lo amplamente como previsto em vida, a não ser numa simpática homenagem do Festival do Rio ao Prestes, mostrado o filme em hors concours, como me cabe, fora de competição.
Talvez não tenha realmente nada a não ser o depoimento para a posteridade do quanto vale ser Luis Carlos Prestes – o Cavaleiro da Esperança.