Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.
Rio de Janeiro – Uma das minhas paixões quando jovem foi a descoberta das brasilianas, as coleções de livros sobre as realidades brasileiras como a da Editora Nacional, depois a José Olympio, a Difel, e a Civilização Brasileira, entre outras.
Mais tarde vi a série de filmes de Humberto Mauro, também brasilianas, e tive o prazer de ser incluído na coleção brasilianas do Ctav/ Funarte com cópias de quatro dos meus filmes em vídeo. Acabei concluindo que na minha série de filmes, os meus curtas, acabei compondo também uma brasiliana.
Com Paixão, flagrei meu sentimento com o golpe de 64. Com Sousândrade refiz com seus poemas uma visão da história do Brasil. Filmei a feitura do aço na Companhia Siderúrgica Nacional em 1970 e, em 1971, a fabricação do café solúvel, depois a arquitetura rural paulista e, consecutivamente, nos meus 16 filmes, cheguei ao registro então contemporâneo de Luiz Carlos Prestes.
Muitos destes filmes foram aqui apresentados e estarão todos em www.youtube.com.br/sergiosanteiro
O que hoje trago, Ismael Nery, com produção ganha em concurso da Funarte em 1978, enfoca em sete minutos a obra do poeta e pintor paraense, cuja presença artística se deve como se sabe ao zelo de seu amigo Murilo Mendes que salvou muitas de suas telas e textos que Ismael não guardava.
Além de suas telas reproduzidas no filme, intercalei-as com cenas filmadas nas ruas do Rio, em estilo de cinema mudo, imaginando-o como um transeunte atual de nossa cidade. Ele era, sem dúvida, um artista e um espírito do urbano.
Famosos os seus retratos e auto-retratos que acabam absorvendo a atmosfera surrealista de seu tempo e a ponderar metafisicamente sobre a existência. Acredito que pertença a uma corrente subjacente na cultura brasileira, uma corrente católica mas profana, como o próprio Murilo Mendes, Cornelio Pena, Otavio de Faria, Lucio Cardoso e muitos outros na década de ‘40 em diante, antes com Alphonsus de Guimaraens como precursor.
Acompanha o filme uma declamação minha de seu poema pós-essencialista que atesta e confirma o que sua pintura ressalta: retratos da condição humana, os exteriores e também os interiores de nossos corpos.
Na tela, a vida e a existência segundo Ismael Nery que eu espero que apreciem:
Ilustração:
"Figura", 1927, por Ismael Nery
Óleo sobre tela, 105 x 69,2 cm
Acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo
Fonte: MAC/USP http://www.mac.usp.br