A infeliz verdade pode ser que o Iraque tenha já atingido uma sinistra forma de estabilidade, onde persiste um alto nível de violência e um estado semi-desfuncional. Por Patrick Cockburn, de Counterpunch, em tradução de Luis Leiria, para Esquerda.net
Antes da invasão americana do Iraque em 2003, a percentagem da população urbana que vivia em bairros de lata ou favelas situava-se abaixo dos 20%. Hoje em dia essa percentagem subiu para 53%. Por Adil E. Shamoo, em Foreign Policy In Focus
Rio de Janeiro – Uma das minhas paixões quando jovem foi a descoberta das brasilianas, as coleções de livros sobre as realidades brasileiras como a da Editora Nacional, depois a José Olympio, a Difel, e a Civilização Brasileira, entre outras.
Mais tarde vi a série de filmes de Humberto Mauro, também brasilianas, e tive o prazer de ser incluído na coleção brasilianas do Ctav/ Funarte com cópias de quatro dos meus filmes em vídeo. Acabei concluindo que na minha série de filmes, os meus curtas, acabei compondo também uma brasiliana.
Com Paixão, flagrei meu sentimento com o golpe de 64. Com Sousândrade refiz com seus poemas uma visão da história do Brasil. Filmei a feitura do aço na Companhia Siderúrgica Nacional em 1970 e, em 1971, a fabricação do café solúvel, depois a arquitetura rural paulista e, consecutivamente, nos meus 16 filmes, cheguei ao registro então contemporâneo de Luiz Carlos Prestes.
Muitos destes filmes foram aqui apresentados e estarão todos em www.youtube.com.br/sergiosanteiro
O que hoje trago, Ismael Nery, com produção ganha em concurso da Funarte em 1978, enfoca em sete minutos a obra do poeta e pintor paraense, cuja presença artística se deve como se sabe ao zelo de seu amigo Murilo Mendes que salvou muitas de suas telas e textos que Ismael não guardava.
Além de suas telas reproduzidas no filme, intercalei-as com cenas filmadas nas ruas do Rio, em estilo de cinema mudo, imaginando-o como um transeunte atual de nossa cidade. Ele era, sem dúvida, um artista e um espírito do urbano.
Famosos os seus retratos e auto-retratos que acabam absorvendo a atmosfera surrealista de seu tempo e a ponderar metafisicamente sobre a existência. Acredito que pertença a uma corrente subjacente na cultura brasileira, uma corrente católica mas profana, como o próprio Murilo Mendes, Cornelio Pena, Otavio de Faria, Lucio Cardoso e muitos outros na década de ‘40 em diante, antes com Alphonsus de Guimaraens como precursor.
Acompanha o filme uma declamação minha de seu poema pós-essencialista que atesta e confirma o que sua pintura ressalta: retratos da condição humana, os exteriores e também os interiores de nossos corpos.
Na tela, a vida e a existência segundo Ismael Nery que eu espero que apreciem:
Ilustração:
"Figura", 1927, por Ismael Nery
Óleo sobre tela, 105 x 69,2 cm
Acervo do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo
Fonte: MAC/USP http://www.mac.usp.br