A infeliz verdade pode ser que o Iraque tenha já atingido uma sinistra forma de estabilidade, onde persiste um alto nível de violência e um estado semi-desfuncional. Por Patrick Cockburn, de Counterpunch, em tradução de Luis Leiria, para Esquerda.net
Antes da invasão americana do Iraque em 2003, a percentagem da população urbana que vivia em bairros de lata ou favelas situava-se abaixo dos 20%. Hoje em dia essa percentagem subiu para 53%. Por Adil E. Shamoo, em Foreign Policy In Focus
Para que serve um quatrilhão? Estaria esta cifra espantosa a serviço do mambembe capitalismo
monopolista internacional?
Veja o curta Paixão, de Sergio Santeiro, uma manifestação, em curta-metragem, contra o golpe de 64 no Brasil. Com Gilson Moura, Mario Prieto e José Wilker. Imagens de Gilberto Santeiro.
Não o dele, nem o meu, ambos em dezembro, é o Natal no Rio Grande do Norte, onde é natal o ano inteiro, e não o de Santa, mas o da grande duna que litoral afora vai dar no Ceará. Ainda outro dia, numa das últimas aulas do ano, semana passada, cogitávamos, os estudantes e eu, de dois grandes eventos que marcam o tempo que vivemos.
Um foi o surgimento súbito e inesperado da cifra espantosa mobilizada para satisfazer a ânsia devoradora do capitalismo internacional: o quatrilhão. O que é um quatrilhão? Nem consigo pensar. Meu teto financeiro imaginável é um milhão, pra mais é coisa demais pra mim, mas foi o que por primeira vez li no jornal. Botei no quadro branco a cifra, começando com o 1 e fui acrescentando os zeros, afinal 15. Ficou lá, como enigma para os retardatários que iam chegando e que não conseguiam decifrá-lo. O que é isto: 1.000.000.000.000.000?
Outra questão também colocada na aula, referindo-se ao natal que já entope ruas e lojas à cata de mais um surto de consumo consumista, foi o que será de Noel, não o nosso, o Rosa, mas o deles, o Nicolau, quando se derreterem as calotas polares, já que se vão derretendo todas as neves suspensas. E descobrimos: virá um novo, lá de onde tudo começou, não o das neves mas o de África. Um Noel tinto e retinto, como a mamacaca Ardi, que já enalteci aqui tempos atrás. Aqui em Natal aportei a convite do festival, felizmente ainda não internacional, e que assim se conserve, para passar três dos meus filmes: Primeiros Cantos (1977),
Isto é Brasil (1984) e Passion a la Vie (2009), e me encontrar com os realizadores da terra. O que primeiro vi, é claro, foi o mar. Este marzão besta que não tivesse sangue mineiro sempre me encanta.
Aqui é diferente, parece mais selvagem, é mar aberto, com ondas não grandes, mas em quase imediata sucessão de vagas derramando na areia, uma pequena faixa, que, na alta, quase some. Fui vê-lo à noite, maravilhoso, luzes iluminando a praia e, portanto, também as ondas, encostado à balaustrada do hotel acima.
Aqui também é diferente, a expansão de hotéis na orla, atração ao turismo, ocupa o lado da praia, que se torna de acesso direto não exclusivo para os hóspedes, não sei se é bom, mas acho meio esquisito. Fico imaginando uma ressaca nem das piores e o mar vai acabar entrando pra hóspede. E tem o vento permanente, como o calor é quente, o vento sempre refresca. Hospitalidade e bom atendimento foram as marcas do festival potiguar.
E sempre há o encontro e o reencontro de novos e velhos camaradas, bem como os novos e os velhos adversários, mas a despeito de estranhamentos, nessas ocasiões, vige um código de mútua cordialidade e podemos trocar acenos e afagos até com quem de quem falamos ou fomos mal falados. Uma pequena nuance de sorriso ou cumprimento mostra até que ponto é possível esta convivência pública.
Convivência e não conivência para todos os envolvidos, cada um continuará com seus princípios, se os tiver, com os seus meios e seus fins, mas podemos trocar uma palavra, sempre há pelo menos uma palavra de cinema nesses torneios, que funcionam como pretexto para uma conversa desarmada.
Bom Natal para todos nós.