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Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica

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Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
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De olho em Copenhague

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Por Renato Araújo, de Porto Alegre

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Mineração
Fonte: Agencia Periodística do Mercosul
 

É tempo de sonhar alto com algo novo. E adotar uma cosmovisão que nos faça partes integrantes da Terra, ao invés de seus donos.

Clique aqui e veja
as animações
produzidas pelo
Free Range Studio


O destino de nossa civilização está em discussão na Conferência das Nações Unidas, em Copenhague, Dinamarca, que versa sobre mudanças globais do clima. Neste encontro, os países ricos e os chamados países em desenvolvimento discutirão acordos para evitar o aumento da temperatura da Terra em mais de 2ºC em relação à era pré-industrial. O principal responsável pelo aquecimento global, segundo a comunidade científica, é o aumento da emissão de CO² na atmosfera, gerada principalmente pelo uso de combustíveis fósseis e, no caso do Brasil, devido ao grande índice de desmatamento e queimadas.

Será que os líderes mundiais estão prontos para encarar esta que é a maior crise que a humanidade já enfrentou? Muito temos ouvido falar sobre o desenvolvimento sustentável, a preocupação com as gerações futuras e tudo mais. Entretanto, a definição em voga de desenvolvimento sustentável não nos diz como atingir este tão esperado futuro ecológico. Vemos, sim, empresas altamente poluidoras considerando-se sustentáveis por realizarem um programa de separação de resíduos e aulinhas de preservação da água e energia. Para a Terra, desenvolvimento sustentável é algo muito mais profundo.

Tendo como base a teoria de Gaia, do físico britânico James Lovelock, onde a Terra é um grande organismo vivo, surge uma noção bem diferente de sustentabilidade. Para Gaia, ou o organismo Terra, manter as condições possíveis para a manutenção da vida, um sistema harmônico funciona a milhares de anos, é uma necessidade. Antes do surgimento das plantas na superfície da Terra, a atmosfera quase não possuía oxigênio em sua formação. Somente pela capacidade dos vegetais de absorver CO² e liberar o oxigênio como resultado de sua fotossíntese, é que foi possível para os animais se desenvolverem em terra firme. Temos aí um sistema interconectado, onde o impacto de uma espécie reflete no sistema inteiro.

Com essa percepção de sistema vivo, um desenvolvimento sustentável deveria se ater às questões mais profundas, como a resignificação de riqueza e progresso. Lendo o livro Garimpo ou Gestão,de Lutzenberger, entrei em contato com ideias muito interessantes, como a análise de nosso modelo atual de civilização. Medimos nosso progresso e riqueza, tradicionalmente, pelo índice econômico chamado Produto Interno Bruto ou PIB. Enquanto não mudarmos os parâmetros que nos informam nosso verdadeiro índice de desenvolvimento, teremos uma distorcida visão de progresso. O PIB representa a soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região num período determinado. Nada nos diz em relação ao real estado de conservação da natureza e qualidade de vida dos cidadãos. Como por exemplo, na produção de alumínio, do qual o Brasil é um grande exportador.

Extraímos bauxita, através da mineração, e para produzir o alumínio necessitamos grandes quantidades de energia. Assim, grandes áreas são inundadas na construção de hidrelétricas. Tudo isso para exportar uma matéria prima de baixo valor agregado. Se analisarmos os índices econômicos, como o PIB, o país está mais rico, mas se analisarmos com outros olhos, de fato estamos mais pobres como nação. Quem sai ganhando são os compradores desse alumínio, que não têm de arcar com os altos impactos que esse sistema produz. Ou seja, índices econômicos, como o PIB, não nos dizem nada sobre o real estado de vida dos cidadãos. E podemos até dizer que quanto mais aumenta o PIB, mais diminui nossa qualidade de vida. Outro exemplo que aprendi com Lutzenberger é o relativo a um acidente aéreo, onde o PIB apenas refletiria o fluxo monetário gerado por tal tragédia. Como no caso do acidente da TAM em 2007, os índices econômicos tradicionais não consideram as perdas qualitativas, as vidas.

Vejo que os líderes mundiais devem perceber que a economia humana faz parte da economia da Terra. Esses dois sistemas devem estar em harmonia, caso contrário estaremos tomando apenas medidas paliativas. Enquanto o sistema humano baseia-se em um fluxo linear de materiais, a Terra funciona ciclicamente, ou seja, nós extraímos da natureza, criamos produtos feitos para serem descartados em curto período de tempo, com o uso de energias não renováveis, e os descartamos em aterros sanitários ou lixões, enquanto a Terra recicla todo o material e utiliza a energia solar. O sistema humano não é suportável para o sistema terrestre.

Necessitamos de um modelo de desenvolvimento que leve em consideração os bilhões de anos de experiência bem sucedida que a Terra nos apresenta. Não podemos resolver um problema com a mesma lógica que o criou. E é isto que está sendo discutido em Copenhague nesta semana. Mecanismos como o mercado de carbono não irão solucionar nossos problemas. É como medicar um paciente com câncer cerebral com pílulas para dor de cabeça. Existem ótimas animações que falam sobre esse tema, intituladas The Story of Cap and Trade, e o The Story of Stuff Project http://www.storyofstuff.com/, produzidas pelo Free Range Studio. Não deixe de assistir.

Enquanto isso, vê-se aqui Rio Grande do Sul a política seguindo essa mesma lógica mercantilista para lidar com o caso do aquecimento global. A visão de nossos legisladores é a de flexibilização das leis ambientais, como o fim da reserva legal e a diminuição das áreas de preservação permanente. Além disso, temos propostas políticas que focam os mecanismos de captação de carbono, principalmente para empreendimentos de reflorestamento. Necessitamos de algo novo, não será fácil, mas é tempo de sonharmos alto. Ao invés de seguirmos a mesma lógica que causou o atual estado, necessitamos adotar uma nova cosmovisão, onde somos partes integrantes da Terra e não seus donos.

13/12/2009

Fonte: ViaPolítica/O autor

Renato Araújo é voluntário da Fundação Gaia, onde atua na divulgação de eventos culturais, em especial das atividades que ocorrem na sede rural da instituição, o Rincão Gaia, no Rio Grande do Sul. É colaborador de jornais e sites. É estudante do curso técnico na área de meio ambiente da Associação Cristã de Moços (ACM).

E-mail: renato_gaia@yahoo.com.br


       
 
 
 
 
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