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Entre olhares...

Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica

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Londrices  
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Meus dois

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Por Rogério Nitschke, de Londres

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Fui criado numa época em que diziam quem seriam ou deveriam ser os inimigos. Mais tarde, descobri que eram quase todas histórias para amedrontar crianças respondonas ou doutriná-las.

Quando tive a oportunidade de ser o pai de dois, resolvi ir numa madeireira e construir, com minhas próprias patinhas, uma estante de parede inteira. Coloquei os livros preferidos mais ao alcance de gente baixinha, e os que não gostava nas alturas, a coisa era meio democrática. Pela primeira vez eu era o chefe de alguns, enquanto a minha dona não estava em casa.

Quando (sempre) eles me perguntavam alguma coisa cabeluda, eu era completamente honesto nas respostas, e depois apontava para a estante dizendo: “Essa é apenas a minha opinião, a tua pode estar em algum daqueles livros, dá uma olhada. Se não achares ali, existem uns lugares cheios de outros que tratam sobre o assunto, posso te levar. Preciso dizer também, que as nossas opiniões vão mudando com o passar de algumas experiências adquiridas, entendeste?”

Os bichinhos, cada um no seu tempo, nem falavam fluentemente ainda, e eu os enchia de democracia familiar. Nenhum dos dois lembra da estante mágica ou das minhas respostas sobre as perguntas feitas, já me conformei. O melhor da coisa toda é que eles têm fortes opiniões próprias e ainda me querem bem, mesmo eu sendo um pai que mora no outro lado do final do mundo. Assim reza minha historieta.

Ponte de Paris

Numa manhã como outra qualquer, uma xícara criou asas e se chocou violentamente com uma das minhas mãos. O café, por puro magnetismo, foi parar todinho no teclado do meu, ainda novo, e-jornal Sony Vaio. A coisa estava funcionando mas apresentava sintomas de uma pneumonia importante. Tomei, portanto, a única providência decente que me ocorreu: liguei pedindo socorro para a Sony da Inglaterra.

A voz educada da atendente me fez entender que eu deveria dar todos os dados do meu cartão de crédito para pagar o transporte e custos do orçamento para consertar o coitado do laptop, £50,00. Um motoqueiro pegaria o computador num dia à combinar, e o devolveria quando eles achassem tempo para averiguar os estragos que o malvado café havia causado. Achei a coisa muito complicada e desisti.

Achei uma loja autorizada da Sony, na Tottenham Court Road, para fazer reparos. Tinha endereço fixo e talvez até CPF/CNPJ. Levei o doente lá. Quando disse ao atendente o motivo da minha visita, o sujeito com uma cara de desespero informou: Oh, não! Café é o pior líquido, entra nas veias dos Vaios e causam males,  às vezes, irreparáveis. Vou entregar para um dos nossos "engenheiros". Precisarás pagar £50,00 para o orçamento que será feito quando der, ok?

Dez dias depois, recebi um e-mail da loja/autorizada dizendo que meu micro não teria mais conserto, a tela, teclado e as rebimbocas parafusetais estavam sem condições de funcionamento, o custo do reparo seria muito superior a compra de um novo, o que me aconselhavam.

Triste, fui lá apanhar o bonito cadáver. Mas, antes de enterrar (jogar pela janela) o coitado tive uma ideia: por que não levar a alminha no Zé da esquina, que dizem reparar computadores? Levei. No outro dia, um "engenheiro" me telefonou dizendo que trocando a tela o laptop funcionaria, mas que me custaria £130,00, se eu concordaria com o conserto. Respirei fundo e disse: sério?

Narrei para a Sony da Inglaterra (não existe) meu caso e não obtive qualquer resposta. No tão mal falado Brasil ainda se tenta respeitar os cidadãos com órgãos que não funcionam direito. No primeiro mundo eles simplesmente não existem. Palavra de escoteiro, que ainda nunca fui.

23/10/2011

Fonte: ViaPolítica/O autor

O publicitário Rogério Nitschke é colunista e correspondente de ViaPolítica em Londres.

E-mail:
rogerioni@googlemail.com

  

 

 

       
 
 
 
 
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