Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.
Jorge Aguiar
(jorgeaguia@gmail.com)
iniciou sua trajetória
na fotografia em 1974, como
assistente de laboratório
fotográfico. Aprimorou
a técnica em agências
de propaganda e publicidade,
passou a trabalhar na imprensa
gaúcha como repórter
fotográfico e cursou
jornalismo. Em janeiro de
1997, quando registrava uma
morte violenta no Morro da
Cruz, em Porto Alegre, um
menino aproximou-se dele e
fez um pedido inusitado: precisava
de uma foto para um documento
escolar – a primeira
de sua vida. Sensibilizado
com o apelo, Jorge marcou
hora e local para o encontro.
Pontualmente, lá estava
o menino. A partir daí,
o fotógrafo percebeu
que seu instrumento de trabalho
oferecia-lhe, também,
a possibilidade de dedicar-se
à questão social.
Este foi o primeiro passo
de uma nova etapa que se abriu,
levando-o a conquistar, alguns
anos depois, reconhecimento
internacional, prêmios
e oportunidades de realizar
exposições e
oficinas de fotografia no
país e no exterior.
Nos últimos doze anos,
Jorge Aguiar manteve-se conectado
com a realidade da periferia
das grandes cidades. Além
de retratar seus habitantes
e seu modo de vida, ele criou
e desenvolveu projetos sociais
voltados à formação
profissional, à geração
de trabalho e renda, com o
apoio de órgãos
públicos municipais,
estaduais e empresas. Por
essa ação comunitária,
recebeu, em 2003, o prêmio
de Direitos Humanos conferido
pela Unesco, Fundação
Maurício Sirotsky Sobrinho
e Assembléia Legislativa
do Estado do Rio Grande do
Sul.
Em 2005, ano do Brasil na
França, o fotógrafo
foi recebido como convidado
oficial em Nanterre, cidade
da periferia de Paris. Sobre
ele, escreveu o jornalista
Gilbert Loriguet, editor da
revista City Magazine:
"Fotógrafo da
inclusão social, Jorge
Aguiar restitui os aspectos
de uma realidade brasileira
aos antípodas daquela
que se apresenta nos prospectos
publicitários das agências
de viagens. Descobrir suas
fotografias é tomar
um golpe no estômago,
provar um sentimento de indignação
e de recusas a que, em nossa
época, seres humanos,
mulheres e crianças,
possam sobreviver em condições
de uma outra idade. (...)
Os personagens de Jorge Aguiar
nos impõem seu orgulho
e sua dignidade. Olhando os
habitantes dos bairros pobres
da sua cidade, Alvorada, sente-se
uma profunda necessidade de
solidariedade, conivência
com esses seres que não
escolheram nascer lá”.
Nesta edição,
ViaPolítica
apresenta imagens que integram
a exposição
Olhar Mágico -
Realidade Periférica,
obtidas em um aterro sanitário
de Alvorada. A mostra, que
tem como curador o fotógrafo
francês Jean Pottier,
de 74 anos, foi apresentada
em Nanterre, em Paris, e hoje
está na Dinamarca,
devendo prosseguir em circuito
itinerante pela Europa.
“No circo da pobreza,
os artistas são favelados;
não há lona
nem picadeiro, não
tem arte nem atores, mas tem
espetáculo... O dramático
espetáculo da miséria,
do abandono e da indiferença”,
registra o autor.