Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.
A lata é o suporte utilizado por Jorge Aguiar (jorgeaguia@gmail.com)
para formar aprendizes de
fotografia em seu projeto
social “Foto da lata
– Luz Reveladora”.
Nos últimos dez anos,
ele ministrou oficinas para
mais de 500 crianças
e adolescentes. Diante deles,
o fotógrafo profissional
traça esboços
simples para introduzir noções
de ótica e luz, os
fundamentos de sua arte pouco
conhecida no mundo –
o pinhole. Surpresos
e curiosos, os jovens descobrem
que é possível,
com um mínimo de técnica
e materiais reciclados, captar
uma imagem usando princípios
básicos da física,
como difração
e refração.
Depois da teoria, vem a melhor
parte: experimentar, na prática,
o desafio de fazer imagens
com lata, essa matéria-prima
que brota dos lixões
e aterros sanitários.
Assim, rompem com os limites
das tecnologias digitais,
acessíveis a milhões
de pessoas em todo o mundo,
mas ainda inatingíveis
a outros tantos, marginalizados
nas periferias das grandes
regiões metropolitanas.
O processo da técnica
e da criação
fotográfica é
percorrido de ponta a ponta,
até a revelação
na câmara escura, a
avaliação, cópia
e exposição
das imagens captadas. “Procuro
ampliar os conhecimentos da
arte da fotografia, decifrando
códigos e sinais para
a evolução do
projeto. Mas jamais, ao longo
do meu trabalho jornalístico,
tendo à tiracolo uma
câmera fotográfica,
imaginei que uma simples lata
pudesse me levar tão
longe, para que outros povos
pudessem conhecê-lo”,
conta Jorge Aguiar, que, em
2005, foi convidado pelo governo
francês a levar sua
experiência à
cidade de Nanterre, na periferia
de Paris. A região
abriga uma grande população
jovem, que tem se notabilizado
pela resistência à
marginalização
social dos contingentes originados
a partir dos movimentos migratórios
das antigas colônias.
O reaproveitamento de materiais
é um dos fundamentos
do trabalho de Jorge Aguiar.
As latas servem também
para produzir spots
de iluminação,
sobras de fotolito (acetato)
doadas por empresas são
usadas como filme e qualquer
pedaço de madeira ajuda
na construção
de um tripé ou estúdio
improvisado. O laboratório
analógico foi doado
para o projeto pela Escola
Superior de Propaganda e Marketing,
quando adquiriu seu novo equipamento
digital.
Quem passa por uma oficina
da “Foto da Lata”
recebe, também, de
forma lúdica, lições
de educação
ambiental, solidariedade e
cooperação.
Partindo dos mesmos princípios,
Jorge Aguiar criou mais um
projeto inovador: a Oficina
de Fotógrafos Comunitários.
Seu objetivo é promover
geração de trabalho
e renda por meio da preparação
de profissionais e da formação
de uma cooperativa, como a
Coophoto, criada em Alvorada,
município da região
metropolitana de Porto Alegre,
em 2004. Os fotógrafos
comunitários documentam
a história local, fazem
fotos 3x4 – as mais
requisitadas para documentos
– registram casamentos,
festas de batizado e aniversários
para álbuns de família.
Assim, além da memória
cultural local, vão
construindo uma alternativa
de vida que pode lhes dar
autonomia e sustento.
Veja,
a seguir, fotografias feitas
com lata por jovens alunos
das oficinas de Jorge Aguiar,
em Alvorada e Nanterre, por
fotógrafos comunitários
e, por último, pelo
próprio fotógrafo
(fachada da Academie Nationale
de Musique, em Paris).