Em seu novo trabalho, Luiz Rosemberg
Filho faz uma declaração de amor ao
cinema e uma inquietante pergunta:
o que foi que fizemos com a imagem?
Por José Carlos Asbeg, do Rio de Janeiro
Para Lêdo Ivo, a poesia é uma magia verbal, um “idioma” específico dentro da linguagem e um testemunho da condição humana. A verdadeira celebração do Universo pelo homem. Por Floriano Martins, de Fortaleza
Entre os cerca de seis milhões
de telespectadores que assistiram
no último domingo,
25 de março, à
estréia da série
“Planet Earth”
nos Estados Unidos, pelo Discovery
Channel, estavam minha irmã,
Ana Luiza, e meu cunhado,
Michael, em Washington D.C..
“Imperdível!”,
recomendaram, ainda sob o
impacto das imagens exibidas
no mais ambicioso documentário
já produzido pelo Discovery,
em parceria com a BBC. A versão
da série, em um conjunto
de cinco DVDs, será
lançada a partir de
24 de abril.
“Planet Earth”
é resultado de cinco
anos de trabalho, em mais
de 200 locações,
de 62 países, envolvendo
70 fotógrafos e os
mais sofisticados equipamentos
de alta tecnologia digital.
Dividida em 11 programas temáticos
com uma hora de duração
cada, a série apresenta
a Terra como ela jamais foi
vista. “É como
se você viajasse em
seu foguete particular pelas
mais microscópicas
e pelas maiores maravilhas
do mundo”, declarou
a atriz Sigourney Weaver,
que faz a narração
dos programas, em entrevista
ao Washington Post. “A
série permite que você
celebre o mundo com todas
as suas criaturas e deseje
fazer parte dele sem destruí-lo”.
Em cada episódio de
“Planet Earth”
foram investidos mais de um
milhão de dólares.
O produtor executivo, Alastair
Fothergill, foi também
o responsável pelo
projeto e a execução
de “The Blue Planet”,
um documentário sobre
os oceanos, veiculado pela
BBC em 2002, com grande repercussão
e altos índices de
audiência. “O
desafio é mostrar novos
lugares e animais, filmar
coisas extraordinárias.
Eu queria que o público
soubesse como é estar
em qualquer um desses lugares
e isso tem a ver com a forma
com que você fotografa
o habitat, edita, com a música
e a química”,
disse Fothergill à
imprensa americana.
Para capturar os surpreendentes
flagrantes da fauna e da flora
terrestre, e obter close-ups
de animais distantes sem interferir
em suas rotinas, a equipe
de produção
valeu-se de câmeras
digitais de alta velocidade,
acopladas a um helicóptero,
com sistema de estabilização
que possibilita o registro
de detalhes, mesmo voando
a uma altura quatro vezes
maior que a usual.
As aventuras e privações
por que passaram os técnicos
e cinegrafistas, em 2.000
dias de gravação,
em desertos, florestas, mares,
montanhas, cavernas e terras
geladas, renderiam muitos
livros e, certamente, um espetacular
making-of. Diante
disso, fica a pergunta: por
que os produtores brasileiros
de televisão e cinema
investem tão pouco
em documentários se
o público contemporâneo
e o mercado internacional
são ávidos consumidores
do produto, quando realizado
de forma inteligente?