Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.
Por
Fausto Giudice, jornalista, escritor
e tradutor
Os aviões pertenciam
à Legião Condor
alemã e à Aviação
Legionária italiana.
A palavra chave era Operação
Rügen.
Dois homens contribuíram
de modo decisivo para converter
Guernica em símbolo:
George Steer e Pablo Picasso.
O primeiro era um
jovem jornalista de 27 anos,
nascido na África do
Sul, correspondente de guerra
do diário londrino
The Times e firme partidário
da causa republicana e basca.
A Espanha não era seu
primeiro teatro de guerra.
Em 1935 tinha sido enviado
especial à Etiópia,
então chamada Abissínia,
submetida a uma feroz agressão
italiana ordenada por Mussolini
— o ditador com manias
de grandeza —, que,
assim, a golpes de crimes
de guerra, tornava realidade
seus sonhos imperiais. Na
Etiópia já havia
bombardeado a população
civil inerte. Na Etiópia,
o Ocidente democrático
já traíra um
povo agredido pelo fascismo.
George Steer chegou
a Guernica horas depois do
bombardeio, e nessa mesma
noite telegrafou sua reportagem
sobre a cidade mártir,
que foi publicada na manhã
seguinte no The Times e no
The New York Times, e foi
reproduzida pela imprensa
de muitos países. Esse
artigo foi o que alertou ao
mundo e provocou manifestações
de protesto nas ruas de Londres
e Nova Iorque, o que resultou
em uma contra-ofensiva propagandística
dos franquistas e seus aliados,
a Alemanha nazi e a Itália
fascista. Nesses países,
a imprensa e o rádio
gritavam contra as “hordas
bolcheviques” que, segundo
eles, haviam incendiado Guernica
antes de evacuá-la.
Suas mentiras foram rapidamente
refutadas. O relato que a
História guardou foi
o de George Steer, a quem
foi dedicada uma rua em Guernica,
onde, em abril de 2006, foi
inaugurado um busto do repórter.
O outro, com 56 anos,
era um pintor famoso, estabelecido
na França. Apoiava
a causa republicana frente
à rebelião franquista.
Descrito pelos Renseignements
Généraux (a
polícia política
francesa) como “um anarquista
suspeito sob o ponto de vista
nacional” e “um
pintor supostamente moderno”
— por tais razões
lhe foi negada a naturalização
francesa em abril de 1940
— se posiciona, de imediato,
para a tarefa. O resultado
é uma pintura monumental
de oito metros de largura
por três e meio de altura,
em preto e branco, que foi
exposta no pavilhão
espanhol da Exposição
Universal. Como disse Picasso:
“A pintura não
é feita para decorar
as casas. É um instrumento
de guerra ofensiva e defensiva
contra o inimigo”.
Guernica é
uma lição pendente.
Os autores daquele crime de
guerra, começando pelo
chefe da Legião Condor,
tenente-coronel Wolfram von
Richthofen, foram aclamados
como heróis na Alemanha
nazi, e os que ainda vivem
desfrutam de uma aprazível
aposentadoria e concedem entrevistas
com um descaramento inusitado.
O bombardeio da cidade santa
dos bascos foi uma experiência
de campo para avaliar a capacidade
da aviação alemã
em destruir eficazmente uma
cidade. Como afirmou Hermann
Göring no julgamento
de Nuremberg: “A guerra
civil espanhola me ofereceu
a oportunidade de provar minha
jovem aviação,
e permitiu aos meus homens
ganhar experiência”.
Esse crime de guerra
não foi o primeiro
nem o último do século
XX. Em 1915, Winston Churchill
ordenou os primeiros bombardeios
com armas químicas
contra populações
civis no Iraque. Depois de
Guernica, houve outras cidades
mártires como Coventry,
Hamburgo, Dresden, Hiroshima
e Nagasaki. Depois da Espanha,
toda a Europa. Depois da Europa,
Ásia, da Palestina
à Coréia, do
Vietname ao Camboja.
As Guernicas de hoje
se chamam Gaza, Tel Afar,
Faluja, Samarra e Najaf, assim
como Grosny ou Kandahar. Os
aviões que cospem as
bombas mortíferas já
não levam a cruz de
ferro, mas as insígnias
dos países “democráticos”.
O lugar dos “inimigos
vermelhos de Deus” contra
os quais diziam lutar Franco,
Hitler e Mussolini para salvar
o Ocidente, é ocupado
hoje pelos “islamitas”
e o “eixo do mal”,
que, segundo Bush, autêntico
Hitler de nossos dias, vai
de Havana a Pyongyang, passando
por Caracas, Beirute, Damasco,
Cartum e Teerã. E a
“comunidade internacional”,
ontem paralisada diante do
martírio da Etiópia
e da Espanha, hoje em dia,
frente ao martírio
da Palestina, Iraque e Afeganistão,
está pior que paralisada,
é cúmplice das
centenas de Guernicas que
se repetem ante nossos olhos
cansados, dia após
dia.
Leiam a reportagem
de George Steer. Diz o essencial
em poucas palavras.
Traduzido por Omar
L. de Barros Filho, diretor
de redação de
ViaPolítica, no Brasil,
e membro de Tlaxcala