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Outro olhar
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Entre olhares...

Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica

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Milo Manara:
O rei dos quadrinhos
eróticos, agora nu
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
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O microfone humano

Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.

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Kino Kaos
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Luna zapatista

Um clip ilustrado por Kalvellido, o andaluz errante, homenageia os zapatistas e as lutas do povos contra a opressão. Música de Orlando & Ogando

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Essa aventura...
a velhice

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Por Cyro Martins

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O que mais impressiona nessa meia dúzia de fotografias de velhos num asilo, desde o primeiro vistaço, é o tédio da repetição das horas, iguais, espichadas, destilando morrinha, prostração, fastio. E daí, pra os velhinhos esses, pode ser que as horas não sejam preguiçosas, mas, muito pelo contrário, voem, num prenúncio assustador de morte próxima. No entanto, para quem contempla essas fotografias, elas aludem a um começo de eternidade, a eternidade do cotidiano gris, da aposentadoria, da imobilidade, do recolhimento cheio de bocejos. A agitação da vida ficou pra trás, se é que houve tal agitação. Mas decerto houve ilusões, o mínimo indispensável para não morrer logo ali, na primeira volta de estrada, ao deixar, forçado ou não, a casa paterna. E sem dúvidas, depois no caminho, houve náuseas e esperanças estranguladas. Bem, nem tudo seriam soçobros, poderia ter havido andanças temerárias e belos triunfos. O mundo é imenso. Pelos menos era. Nada, porém, pega tanto o coração do homem como a terra natal. Os exilados que o digam. E os há em tão grande número agora! Quando eu era guri de primeiras letras e soletrava histórias tristes de desterros, acreditava que eram contos de antigamente para entreter crianças irrequietas, até que dormissem. Algo do reino das fadas. No entanto, deixaram em mim, aqueles contos, uma poderosa mensagem de nostalgia, que amarraria para sempre, ó sugestões míticas!, ó Ulisses!, o meu impetuoso cavalinho subjetivo de guri ao gosto dos horizontes rasgados, ao inatingível das miragens. Por isso, vendo estas fotografias agora, sentindo tão de perto a realidade deste desfecho de vidas tristes, a realidade destes homens impossibilitados de pisar jamais novos continentes, de experimentar, em alto mar, a estranheza das constelações desconhecidas, por isso os vejo como sombras de gente, sumindo-se no acaso. E poderia não ser tão duro este final. Não precisaria pesar sobre as suas cabeças a fatalidade, como um castigo dos deuses.

O drama maior da velhice consiste na solidão. Já não falo da doença, que é uma intercorrência no processo geral da decadência bio-psico-social. Pois bem, a humanidade tem acumulado recursos fabulosos contra o mal do abandono nos últimos decênios: os livros, a imprensa, o cinema, o rádio, a televisão. Daí ser fundamental preservar a vista e os ouvidos, grandes defesas do velho contra o isolamento.

Aos adultos válidos, as crianças e os velhos estorvam uma barbaridade. Como as creches se parecem com os asilos! Não importa que umas estejam no começo da marcha que arranca para a vida e os outros na extremidade melancólica do declínio dos desamparados. Quanta promessa de ajuda! E não adianta a gente se comprometer acusando o mundo capitalista. A essência humana que domina é o rancor pelo fraco. Mas as creches e os asilos desempenham uma grande missão social: salvam a honra da civilização. Vejam: há soluções!

Porto Alegre, setembro de 1976.

Clique aqui para conhecer a história desta crônica de
Cyro Martins, relatada por Omar L. de Barros Filho

Leia mais sobre a vida e a obra do grande escritor gaúcho, no ano do centenário de seu nascimento.

 
 
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Foto: Marcos Magaldi
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Escritor Cyro Martins
 
 
       
 
 
 
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