Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.
A pesquisadora Cláudia
Musa Fay dedicou-se a examinar
velhos arquivos documentais e
fotográficos referentes
à história da aviação
no Brasil. As informações
e imagens encontradas por ela
ganham atualidade diante da crise
que envolve a Varig, a maior e
mais tradicional companhia aérea
brasileira. Agora, a historiadora
explica, em ViaPolítica,
as raízes da agonia da
empresa. E revela, também,
em imagens pouco conhecidas, o
importante espaço que a
aviação ocupou na
agenda de integração
nacional de Getúlio Vargas,
enquanto esteve no poder.
Leia também “Getúlio
Vargas e o desenvolvimento da
aviação brasileira”,
texto de Cláudia Musa Fay
publicado no livro “Da
vida para a história: reflexões
sobre a Era Vargas”,
editado pela Laser Press Comunicação,
em parceria com o Memorial do
Ministério Público
do Rio Grande do Sul, em 2005.
Getúlio
Vargas e o desenvolvimento
da aviação brasileira Por
Claudia Musa Fay
“O nosso pendor para
a Aeronáutica, tão
acentuado na atualidade, parece,
realmente, uma predestinação
histórica.”
Getúlio Vargas (8/11/1942)(1)
Desde a década de 20,
havia no Brasil uma preocupação
em formular uma política
para a aviação
nacional. Essa política
já pode ser percebida
nos regulamentos criados em
1925, baseados na legislação
francesa. Embora, nessa época,
apenas uma companhia realizasse
vôos pelo litoral, a
Compagnie Générale
d´Entreprises Aéronautiques
(C.G.E.A), foi criada uma
legislação estabelecendo
que os serviços domésticos
deveriam ser operados por
companhias sediadas no país.
No entanto, foi a partir do
governo Vargas que houve preocupação
em estruturar o poder aéreo.
Até então, cabia
ao Ministério de Viação
e Obras Públicas tratar
das questões relacionadas
com a aviação.
Logo no início de seu
governo, em 1931, foram criados
o DAC(2) e o Correio Aéreo
Militar, em 1934, o Correio
Aéreo Naval e, em 1938,
o Código Brasileiro
do Ar.
O Ministério da Aeronáutica
foi criado em 1941 e reuniu
a Aviação Naval,
oriunda da Marinha de Guerra,
a Aviação Civil
e a Aviação
Militar, proveniente do Exército
. Para comandar o novo ministério,
Vargas nomeou um civil, o
político gaúcho
Joaquim Pedro Salgado Filho(3),
bacharel em Direito, atuante
na Revolução
de 1930, Ministro do Trabalho
em 1932, Ministro do Superior
Tribunal Militar em 1938.
Segundo, Nelson Freire Lavanère-Wanderley
é possível compreender
as razões que levaram
Vargas a escolher um civil
como primeiro Ministro da
Aeronáutica.
“ Ao primeiro Ministro
caberia a espinhosa tarefa
de fundir numa força
única militares do
Exército e da Marinha,
evitando as ciumeiras e as
tentativas daquele ou deste
grupo. Salgado Filho era o
elemento eqüidistante
das extintas Aviação
Militar e Aviação
Naval, resolvendo e conciliando
os complexos da criação
da nova Força Armada(4)
“.
O presente artigo relaciona
o estudo da imagem de Vargas
através das fotografias
com a política de desenvolvimento
da aviação nacional.
Busca ressaltar como a aviação
tornou-se um instrumento de
defesa e integração
nacional, bem como foi associada
simbolicamente à modernidade
e velocidade pelo novo governo,
como se pode verificar em
um de seus discursos:
“A Revolução
de Outubro, que veio sacudir
o Brasil do marasmo, não
podia deixar à margem
a Aeronáutica”.(5)
Getúlio Vargas,
um entusiasta da aviação,
logo passou a desfrutar da
utilidade do novo meio de
transporte para diminuir as
distâncias. Uma viagem
entre o Rio de Janeiro e Porto
Alegre, por exemplo, que em
1929 levava quatro dias de
navio, com o avião
passou a ser feita em oito
horas. Em 29/03/1929, Getúlio
Vargas realizou seu primeiro
vôo no primeiro avião
a voar comercialmente no Brasil,
o Atlântico, nesse momento
pertencente ao Sindicato Condor.
No final do mesmo ano, quando
foi ao Rio de Janeiro para
ler sua plataforma de candidato
a Presidente, também
usou o avião como meio
de transporte. Ao chegar ao
Rio, no final da tarde, e
sobrevoar o centro, o Atlântico
provocou um tumulto na cidade:
uma multidão deslumbrada
correu para a Praça
Mauá para assistir
ao desembarque de Vargas.
Em vários discursos
durante esse período,
Vargas deixou clara a importância
do transporte aéreo
no Brasil:
“Pela extensão
de seu território,
pela vastidão de seu
litoral e pelas dificuldades
das suas comunicações
internas pela necessidade
da difusão e da divulgação
dos fatos, que interessam
às suas populações
disseminadas em regiões
distantes e ignoradas, por
todas estas razões,
o Brasil precisava ser dotado
de um aparelhamento aéreo
perfeito e eficiente”(6)
.
A posição
adotada em relação
à aviação
revelava-se pela sua freqüente
presença em festas
e eventos aeronáuticos,
sempre bem documentados através
de fotos, bem como pelas animadas
conversas com os pilotos.
Devemos ainda destacar o apoio
do governo à indústria
aeronáutica, a criação
do Correio Aéreo Nacional
(CAN) e sua preocupação
com a infra-estrutura e com
o crescimento das empresas
aéreas nacionais.
Segundo as palavras de Henrique
Lage, industrial que investiu
na construção
de aviões no início
da década de 20 e cujo
esforço não
fora compreendido pelos governos
naquela época:
“Os propósitos
do presidente Getúlio
Vargas, de ajudar a quem trabalha,
encorajam-me novamente e por
isso vamos meter mãos
á obra”!(7)
A importância do
apoio governamental verifica-se
através da análise
das fotografias, as imagens
de Vargas, visitando as fábricas,
assistindo testes e brevetando
pilotos. A presença
física do presidente
pode ser compreendida como
uma forma de atuação
paternalista, como ressaltou
Michelle Perrot:
“O patrão
simboliza a autoridade de
Pai e também é
aquele que proporciona trabalho
aos filhos, protege-os, associa-os
à história de
sua família”.(8)
Segundo a autora, o paternalismo
supõe a presença
de três elementos: (9)
a presença física
do patrão nos locais
de produção
e mesmo na moradia patronal.;
(10) linguagem e prática
de tipo familiar entre patrões
e operários; (11) adesão
de trabalhadores a esse modo
de organização.
A política de desenvolvimento
da aeronáutica no Brasil
foi rica nas características
apontadas. Vargas costumava
ir todos os sábados
verificar o andamento das
obras do Aeroporto Santos
Dumont até sua inauguração
em 1936. Incentivou o envio
de técnicos para fazer
a formação fora
do Brasil trazendo conhecimentos
para a criação
de nossa indústria.
Voou no primeiro protótipo
projetado pelo tenente Antonio
Guedes Muniz no Brasil, o
M-5, em 1931. Incentivado
pelo avião de Muniz,
Vargas apoiou o industrial
Henrique Lage, que ampliou
suas instalações
existentes em 1933 na Ilha
do Viana, a Fábrica
Brasileira de Aviões
e a Companhia Nacional de
Navegação Aérea.
Em 1940, convencido de que
só teríamos
uma aviação
nacional se soubéssemos
produzir motores, incentivou
a criação da
FNM (Fábrica Nacional
de Motores). Esta fábrica,
moderna para a época,
contava com ar condicionado
e moradias para os funcionários.
Como relatou Nero Moura, Vargas
era entusiasmado pela aeronáutica
e gostava de acompanhar o
vôo da cabine de comando:
“... Comigo, a conversa
era sempre a respeito de questões
técnicas sobre o avião,
a viagem, as condições,
a vista aérea...”
Nessa época, foram
estabelecidas rotas nas regiões
Centro-Oeste e Norte, que
não contavam com outros
meios de transporte eficazes.
Vargas foi o primeiro presidente
a visitar a Amazônia.
e outras regiões de
difícil acesso, como
Acre, Mato Grosso, Maranhão,
Ceará e Piauí.
As rotas de integração
representaram a integração
nacional. Ao atingir pioneiramente
tais regiões, o Presidente
era recebido por parte dos
habitantes locais grande com
simpatia. Até mesmo
os pilotos das empresas e
do CAN eram recebidos quase
como deuses.
Como afirmou Lenharo(12),
o “Estado cria os próprios
símbolos litúrgicos
de seu caráter soberano
e transcendente, assim como
um culto especial passa a
ser dirigido aos governantes”.
Vargas, ao utilizar o avião,
atingia regiões isoladas.
Como já se disse, foi
o primeiro presidente a visitar
a Amazônia e ao Acre.
Em suas viagens era sempre
fotografado, sempre sorridente
e demonstrando muita simpatia;
chegou até mesmo a
ser fotografado visitando
uma tribo indígena,
numa demonstração
da unidade brasileira.
No decorrer do seu governo
e com a aproximação
da II Guerra Mundial, a política
aeronáutica implantada
foi acentuando seus contornos
nacionalistas. Teve seus pontos
altos de pressão relacionados
a alguns momentos críticos
do cenário internacional:
a entrada dos Estados Unidos
na guerra, em dezembro de
1941, o rompimento brasileiro
de relações
com o Eixo (janeiro de 1942),
a declaração
de guerra do Brasil à
Alemanha e Itália (agosto
de 1942) a criação
da Força Expedicionária
Brasileira (1943-1944) e a
pressão para o fechamento
de empresas aéreas
ligadas ao Eixo.
Apesar das dificuldades, a
política aeronáutica
adotada apresentava os primeiros
resultados satisfatórios.
O Brasil, ao término
do conflito, possuía
empresas nacionais, equipamento
próprio, um grande
número de pilotos treinados
e uma infra-estrutura aeroportuária
significativa. Quando Getúlio
Vargas iniciou seu governo
em 1930, existiam apenas 31
campos de pouso no Brasil;
dez anos depois, eram 452
campos de pouso nas diversas
regiões do país
e havia projetos para construção
de 180(13).
As primeiras indústrias
aeronáuticas no Brasil
Ao terminar a Segunda Guerra
Mundial, o Brasil contava
com indústrias nascentes
em três estados: no
Rio de Janeiro, a Companhia
Nacional Navegação
Aérea (CNNA), a Fábrica
do Galeão e a Fábrica
Nacional de Motores (FNM);
em São Paulo, a Companhia
Aeronáutica Paulista
(CAP); e, em Minas Gerais,
próximo a Belo Horizonte,
a Fábrica de Lagoa
Santa. Todas elas foram formadas
em virtude do projeto e incentivo
para a produção
nacional feito durante o governo
Getúlio Vargas. Em
1945, o país dispunha
de instalações
industriais, máquinas,
técnicos e, até
mesmo, materiais e instrumentos
fabricados internamente. As
fábricas de Lagoa Santa
e Galeão produziam
os aviões de instrução
primária, os Fairchild
PT-19, e trabalhavam
com base nas encomendas governamentais,
fabricando aviões militares,
enquanto a CNNA e a CAP, do
Grupo Pignatari, fabricavam
aviões mais leves,
o CAP-4, conhecido como paulistinha,
para treinamento primário
de pilotos civis. A maior
parte dessas aeronaves foi
comprada pelo governo ou em
campanhas para distribuição
em aeroclubes.
Os aeroclubes e o
treinamento de pilotos
Outro fator de preocupação
do governo foi com o treinamento
de pilotos brasileiros. Em
1938, a legislação
recomendando que as aeronaves
no Brasil fossem operadas
por tripulantes brasileiros
natos ou naturalizados já
refletia a carência
de pilotos. Durante a Segunda
Guerra, houve a necessidade
de formar pilotos, mas, como
havia poucos recursos, o Ministério
da Aeronáutica lançou
uma campanha chamada "Dê
Asas para o Brasil".
A idéia era conseguir
doações de aviões
para treinamento aos aeroclubes
de diversas regiões
do Brasil, para facilitar
o treinamento dos jovens pilotos.
Assis Chateaubriand encampou
essa campanha, utilizando
seus jornais para pedir doações
e, também, para divulgar
os aeroclubes que as haviam
recebido. Aplicava o seguinte
método: doações
seguidas de "batismos"
e inaugurações.
Primeiro, angariava fundos,
depois comprava o avião
e batizava-o com o nome do
padrinho ou de uma personalidade
que desejava destacar. Quase
todos os dias saíam
notas nos jornais sobre a
campanha.
Vargas e sua família
participaram da campanha.
Em seu diário, o Presidente
registrou o comparecimento
a uma dessas cerimônias,
em 23 de agosto de 1941, para
assistir ao batismo de “Getúlio
Vargas”(14), o centésimo
avião doado pela campanha.
As fotos registram o momento
da cerimônia do batismo,
com Vargas despejando óleo
nas hélices de um avião
para treinamento de pilotos.
Segundo dados divulgados pelo
Ministério de Aeronáutica
em julho de 1946, a campanha
Aviação obteve
grande sucesso. Dos 963 aparelhos
de recreio ou treinamento
existentes no Brasil, nada
menos que 800 tinham sido
doados pela campanha de Chateaubriand.
Em 1940, quando a campanha
foi lançada, a frota
brasileira não passava
de 160 unidades. O mesmo acontecia
com o número de pilotos
civis, que em 1946 eram 5.753,
dos quais 5.000 tinham apreendido
a pilotar com aviões
doados à campanha.
Foi um aumento considerável,
uma vez que, em 1940, havia
no Brasil só 318 pilotos
civis e 147 das chamadas "aeronaves
mercantes", ou comerciais.
Para se ter idéia do
quanto representava esse número
de aviões, na mesma
época a Inglaterra
dispunha apenas de 500 aviões
para treinamento de pilotos
civis. O custo médio
desses aviões era de
7,5 mil dólares(15).
Chateaubriand estava sob suspeita,
mas ninguém o acusava
diretamente de ter embolsado
entre 450 mil e 900 mil dólares.
A campanha terminou em 1949.
Durante esse período,
foram criados no Brasil mais
de 300 aeroclubes, 570 aparelhos
foram doados, além
de terem sido distribuídas
bolsas de estudo para alunos-pilotos
e mecânicos de vôo.
O treinamento de pilotos conseguido
durante a guerra, somado ao
equipamento norte-americano
e à melhora na infra-estrutura,
tornou o período compreendido
entre 1945 e 1950 fértil
no aparecimento de empresas
de transporte aéreo.
Com o aumento do número
de empresas, foram criadas
novas rotas aéreas
e aumentaram as freqüências
das linhas já estabelecidas.
O resultado foi o crescimento
da competição,
que promoveu a ruína
financeira de várias
empresas do setor.
Aviação
brasileira durante o segundo
Governo Vargas (1951-1954)
O período pós-guerra
modificou o quadro do transporte
aéreo mundial. Os primeiros
anos foram marcados por uma
grande quantidade de aparelhos
de sobra de guerra que estavam
acumulados em diversas regiões
do mundo. Muitos desses modelos
deixaram de ser fabricados
ou, pelo fato de estarem danificados,
eram vendidos a preço
baixo.
O número de empresas
de transporte aéreo
no Brasil no pós-guerra
chegou ao número de
40, contra as oito existentes
dois anos antes; contudo,
em 1951, só operavam
23, várias das quais,
ainda nos primeiros anos da
década, passaram por
uma reorganização.
Devido à grande competição,
muitas empresas fecharam;
houve também fusões
sob forma de consórcios
técnicos e financeiros,
com vistas a baixar o custo
de operação
e a melhorar o rendimento
técnico do equipamento.
Até 1950, organizaram-se
cinco consórcios, mas
muitas empresas faliram ou
nem chegaram a operar.
No ano de 1950, a eleição
para a Presidência foi
disputada entre o Brigadeiro
Eduardo Gomes e Getúlio
Vargas. Getúlio foi
eleito e retornou ao Catete.
Logo que assumiu, encontrou
o setor do transporte aéreo
em crise: as fábricas
de aviões haviam fechado,
muitas companhias haviam falido
e outras haviam feito fusões.
As empresas aéreas
passavam por muitas dificuldades
e manifestavam descontentamento
através da imprensa.
Faziam uma ampla campanha
reivindicando a troca do equipamento
e maiores subsídios,
além do aumento da
tarifa. A intensa concorrência
durante o governo Dutra levara
muitas empresas à falência,
enquanto outras foram absorvidas,
levando o setor à crise.
A resposta ao setor foi feita
logo a seguir. Em 09/02/1951,
o Presidente da República
sancionou a Lei no 1.344,
que concedia isenção
de direitos para a importação
de aeronaves e materiais para
aviação às
empresas de navegação
aérea. Com a lei, as
empresas ficavam isentas de
direitos de importação
para consumo de aeronaves,
motores, peças, gasolina,
óleos, pneumáticos,
aparelhos radiotelegráficos,
instrumentos de navegação,
ferramentas e demais apetrechos.
Em troca, as empresas deveriam
conceder 50% de desconto nas
passagens de funcionários
públicos em serviço
e 20% nos fretes para material
destinado ao serviço
público civil e militar.
O interessante nessa questão
foi que, ao lado do equipamento
novo, as empresas conservaram
o antigo, algumas até
a década de 1970, levando
a uma grande quantidade de
aviões e disponibilidade
de assentos.
A política de subvenções
para linhas de penetração
continuou e, em 1954, o Ministério
da Aeronáutica subvencionava
as linhas internas pioneiras
e as linhas internacionais,
mantidas por empresas brasileiras.
Os montantes eram de 31,2
e 68,2 milhões de cruzeiros.
Havia também um auxílio
para os aeroclubes, de 23,2
milhões, além
de recursos para a ampliação
e melhoramentos de infra-estrutura.
Em 1954, as dotações
federais foram de 463,7 milhões
de cruzeiros, dos quais 36,6
milhões para atender
a valorização
econômica da Amazônia.
No campo das tarifas, as empresas
foram atendidas: em 1953,
houve reajuste sensível,
a fim de permitir que os novos
salários do pessoal,
bem como os problemas decorrentes
da modificação
de fontes da receita da empresa,
fossem atendidos. Houve assim,
para as linhas domésticas,
um reajuste provisório
de 15% sobre as tarifas aprovadas
dois anos antes, em novembro
de 1951.
No tráfego internacional,
as dificuldades enfrentadas
pelas empresas nacionais eram
enormes. Nesse caso, havia
concorrência com empresas
fortemente subsidiadas pelos
governos de seus países.
Algumas delas, em particular
as européias, recebiam
auxílios diretos, ou
em malas postais, ou ainda
facilidade no financiamento
de equipamento aeronáutico.
Como o governo brasileiro
tinha interesse na manutenção
das linhas aéreas para
o exterior e não possuía
uma empresa "de bandeira",
necessitava apoiar as particulares
para o desenvolvimento econômico.
A crise e as intensas reclamações
das companhias, ao lado de
fortes pressões, já
haviam determinado a decisão
governamental de subvencioná-las
com CR$10,00 por km voado
no exterior (Lei 1.181, de
agosto de 1950), pelo prazo
de cinco anos. Seu pagamento,
no segundo semestre, correu
por conta de um crédito
especial de 35 milhões
de cruzeiros(16).
Tal dotação
foi distribuída segundo
uma previsão das linhas
em operação:
34,2 milhões para as
ligações com
a Europa, 10,1 milhões
no trecho Brasil com países
do Prata e 9,4 milhões
nas rotas para os Estados
Unidos.
No entanto, durante o segundo
governo Vargas, a solução
encontrada no governo anterior
de subvencionar empresas de
capital privado foi muito
discutida. Parecia não
ser a melhor forma, pois a
maior dificuldade para a expansão
do setor era o fato de o Brasil
não possuir indústria
aeronáutica. Os grandes
transportadores norte-americanos
e ingleses possuíam
indústria aeronáutica
própria, dificultando
a concorrência. Muitos
defendiam que o governo deveria
financiar a indústria
em vez da aquisição
de material, ou realizar um
plano de melhoria de aeroportos
nacionais e de ampliação
dos serviços de proteção
ao vôo, políticas
que atenderiam, de modo mais
direto, as dificuldades das
empresas de aviação
e dariam mais segurança
ao passageiro do que a cobertura
de déficit das linhas
aéreas.
Simultaneamente, havia a disputa
internacional pelo fornecimento
de material aeronáutico.
Nessa ocasião, foram
adquiridos os primeiros aviões
a jato para a Força
Aérea Brasileira, com
a compra de 70 aviões
de caça Gloster Meteor,
de fabricação
inglesa. As aeronaves compradas
em 1952, chegaram ao Brasil
em 1953, tendo sido utilizadas
durante 20 anos pelos esquadrões
de caça da Força
Aérea Brasileira(17).
O segundo governo Vargas foi
marcado por forte nacionalismo.
Na aviação,
essa questão pode ser
observada pela necessidade
das empresas aéreas
associarem seu nome ao Brasil.
Numa época em que a
disputa entre "nacionalistas"
versus "entreguistas"
dominava a cena, era importante
ressaltar os laços
com o país, principalmente
entre as empresas aéreas
que até pouco tempo
possuíam fortes ligações
externas e continuavam a depender
de material aeronáutico
importado.
Em julho de 1953, Vargas aprovou
o contrato do governo brasileiro
e da Companhia Fokker Indústria
Aeronáutica S. A visando
à construção
de aviões Fokker no
Brasil. De acordo com o contrato,
foram cedidas à fábrica
Fokker, que era holandesa,
as instalações
que o Ministério da
Aeronáutica possuía
na Base Aérea do Galeão(18).
Na aviação civil,
a companhia aérea Panair
do Brasil, vista ainda por
muitos como empresa americana,
entra na fase nacionalista(19)
nomeando seus aviões
com nomes de bandeirantes,
tentando associar seu nome
ao dos pioneiros desbravadores
do sertão, como Bartolomeu
Dias, Raposo Tavares(4). Note-se
que, segundo a legislação
vigente, somente empresas
nacionais poderiam receber
subvenção nas
rotas de penetração.
Samuel Wainer conta em
seu livro de memórias(20)
um episódio interessante
que ilustra a situação
durante o governo Vargas.
[...]se duas empresas envolviam-se
em determinada disputa, eu
escolhia a que fosse brasileira,
ou a que melhor atendesse
aos interesses de Getúlio,
e passava a defendê-la.
Em seguida, reivindicava dessa
empresa que ajudasse o jornal
em forma de anúncios.
Tal postura não me
parecia antiética.
Um caso típico foi
a guerra entre a Varig e a
Panair pela compra dos primeiros
aviões Caravelle .
Como a Panair era subsidiária
da Pan am, uma empresa norte-americana,
minhas simpatias apontavam
naturalmente na direção
da Varig, uma companhia brasileira.
O criador da Varig , Ruben
Berta, procurou-me para pedir
que eu o auxiliasse com o
jornal. Concordei, mas em
troca lhe pedi contratos de
publicidade. Esse acerto seria
inviável se quem me
procurasse fosse alguém
da Pan Am: eu não aceitaria.
Meu jornal precisava de publicidade,
e era natural que eu cobrasse
do meu cliente nacionalista
meios de assegurar a sobrevivência
da Última Hora.
Nesse momento, a concorrência
era intensa; a guerra era
travada também através
da publicidade, com as campanhas
ressaltando a empresa mais
antiga, já que experiência
significava qualidade. Para
atrair o passageiro, a propaganda
em revistas e jornais era
uma arma. Surgiu então
uma disputa entre a Cruzeiro
do Sul e a Varig para que
fosse definido quem poderia
usar o nome de "A pioneira".
Ambas as empresas haviam sido
fundadas com o auxílio
do Syndicato Condor Alemão,
em 1927. A Varig terminou
conquistando esse direito,
pois fora fundada em maio,
enquanto a Cruzeiro do Sul
(Condor) o fora em dezembro.
Outra disputa dizia respeito
às rotas internacionais.
No começo da década
de 50, a Varig se estabelecera
com sucesso nas linhas do
interior dos estados do Rio
Grande do Sul, Santa Catarina
e Paraná, além
das rotas litorâneas
entre Montevidéu e
Porto Alegre. Segundo o relato
do Cmte. Bordini, no início
dos anos 50 a fonte de suprimento
das bases do Nordeste havia
secado. Uma pesquisa na área
de suprimento aeronáutico
ligada ao comércio
de material americano mostrou
que, na região do Norte
da África, em pleno
Saara, onde os americanos
haviam instalado grandes depósitos
de material militar, que não
oxidava devido ao deserto,
encontravam-se vários
C-46 a preço razoável.
A Varig utilizava o C-46
em suas rotas, pois esse avião
adaptado podia levar carga
e passageiros. Assim, ela
também possuía
o menor preço de carga,
concorrendo com a Panair e
com a Cruzeiro do Sul, que
possuíam equipamento
mais moderno.
A Varig crescia, e seu presidente,
Ruben Berta, ambicionava uma
rota para o exterior. Este
episódio mostra a forte
ligação existente
entre o Presidente Vargas
e a Varig. A empresa vinha
sendo útil desde a
Revolução de
30, porém, com o recolhimento
de Vargas à fazenda
em São Borja e a campanha
presidencial, foram feitos
inúmeros vôos
levando políticos e
parentes ligados ao Presidente.
Ele mesmo era servido quando
vinha a Porto Alegre(21).
Conforme depoimento do Cmte.
Bordini, Ruben Berta achava
um absurdo que o Brasil tivesse
somente uma empresa aérea
voando para os Estados Unidos,
com uma freqüência
semanal e com aviões
DC-3, enquanto os
norte-americanos vinham para
cá com duas empresas,
a Pan American e a Braniff.
A Panair do Brasil, na época,
tinha o melhor equipamento,
mas voava somente para a Europa.
Nunca pleiteou rotas para
os Estados Unidos, para não
concorrer com a Pan Am, da
qual era subsidiária.
Ruben Berta, segundo o Cmte.
Bordini tinha contato com
o pessoal do CERNAI (Comissão
de Estudos Relativos à
Navegação Aérea
Internacional) e soube, através
do presidente da comissão,
que o Brasil tinha interesse
em estabelecer uma empresa
brasileira na linha Rio-Nova
Iorque. A maior concorrente, a
Pan Am, fazia a rota com o
DC-6; a Varig necessitava
de aviões melhores
para superar a concorrente
e no momento só existiam
dois: O Lockheed Super-Constellation
e o Douglas DC-7. Esses aviões
custavam dois milhões
e quinhentos mil dólares
e a empresa precisava comprar
no mínimo dois. Berta
resolveu ir até o Rio
de Janeiro tratar de um possível
aval do Banco do Brasil e
de um financiamento norte-americano
junto ao Export e Import Bank,
ou Eximbank, que costumava
financiar aviões porém
exigia o aval bancário,
e conseguir uma companhia
americana que fizesse o seguro
dos aviões. Enquanto
isso, em Porto Alegre, uma
equipe resolvia, em uma reunião,
que o avião deveria
voar uma média de 7
a 8 horas por dia e ter uma
ocupação mínima
de 60% a 70% dos assentos,
e isso não era fácil.
Alguns dias mais tarde, Berta
telegrafou a empresas dizendo
ter obtido do governo a licença
para operar a rota; também
havia conseguido o aval para
o financiamento dos aviões(22).
Este depoimento pode
ser comprovado pelo de Nero
Moura, Ministro da Aeronáutica
na época: Em um dos primeiros despachos
que tive com Getúlio,
o presidente disse: O Berta
ajudou muito na campanha,
e eu gostaria que você
olhasse com simpatia as pretensões
da Varig atendendo-o de boa
vontade No dia seguinte, o
Berta apareceu no gabinete,
perguntei a ele qual era a
pretensão, ele respondeu:
“Queremos uma rota internacional
para os Estados Unidos".
Concordei, mas acabei de tomar
posse; pelo que sei, as rotas
estão todas concedidas
a companhias nacionais. Na
ocasião, Berta, no
entanto, teria argumentado
que a Cruzeiro do Sul só
se dispunha a operar a rota
se lhe fosse concedida subvenção
e que ele, Berta, assumiria
a rota sem subvenção(6).
O engenheiro Amorim(23),
funcionário da Cruzeiro
do Sul na época, tem
outra versão para o
fato: A Cruzeiro pleiteou, e
o governo brasileiro concordou
em que a linha para Washington
e Nova Iorque fosse operada
pela empresa. Com essa finalidade,
a Cruzeiro adquiriu três
aviões Douglas DC-4
, contratou instrutores norte-americanos
para operar na linha. Chegou
a realizar 30 vôos experimentais
e, quando estava com tudo
pronto para começar
a operar, foi até ao
DAC para acertar a data da
inauguração.
Nesta ocasião, o Dr.
Bento foi informado pelo Diretor
Jurídico, Dr. Trajano
Furtado Reis, que a Cruzeiro
não deveria contar
com o subsídio. Surpreso
e revoltado com a exceção
criada, declarou que sem a
subvenção não
poderia operar. Depois de
um tempo de negociação
improdutiva, o próprio
Dr. Trajano pediu a confirmação
por escrito de que a Cruzeiro
não executaria a rota
sem subvenção,
o que aconteceu de pronto.
Poucas semanas depois, o governo
brasileiro substituiu a indicação
da Cruzeiro pela da Varig
que, diziam, faria a linha
sem subvenção.
Alguns meses depois, o governo
decidiu lhe pagar subvenção.
O que aliás era normal
e usual(24).
Amorim reafirma que a
rota foi retirada da Cruzeiro
do Sul sem uma justificativa
razoável e, segundo
o depoimento de Nero Moura,
tudo foi feito para encontrar
uma fórmula jurídica
para "amanhã não
o acusarem de termos feito
marmelada. Podemos dar a rota
para o Berta com todo o direito,
tudo certinho, para não
sermos alvo de crítica”(25)
.
Resumindo, em 2 de outubro
de 1947, a Cruzeiro do Sul
foi indicada pelo governo
brasileiro para iniciar as
rotas para os Estados Unidos.
Durante os anos de 1948 e
1949, a Cruzeiro realizou
várias viagens para
os Estados Unidos, mas recusava-se
a operar sem subsídios.
Em maio de 1952, o Ministério
da Aeronáutica cancelou
a autorização
concedida à Cruzeiro
e a concedeu à Varig,
que se propôs operar
a rota independentemente de
subvenção. A
Varig só começou
a operar em agosto de 1955;
no final do ano, passou a
receber os subsídios.
A Cruzeiro, desesperançada
de realizar vôos para
o exterior, resolveu modernizar
seus serviços domésticos
para enfrentar as concorrentes
nacionais.
Pode-se perceber que durante
os governos de Vargas houve
a implementação
de uma política de
desenvolvimento da aviação
no Brasil. Percebe-se essa
política em diversos
setores: tanto na aviação
militar como na civil. Houve
por parte do Estado o incentivo
para a criação
da indústria nacional
de aviação e
também o apoio às
empresas aéreas, aos
aeroclubes e à formação
de técnicos e pilotos.
Durante seus dois governos
Vargas, apoiou o desenvolvimento
da aviação brasileira
por considerá-la uma
questão estratégica
para a segurança, a
integração e
o desenvolvimento nacional.
Enquanto sonhava unir o Brasil
através de ferrovias
e rodovias, realizava e planejava
a integração
através da aviação.
(1) Apud SOUZA, J.Garcia.
A verdade sobre a história
da aeronáutica.
Rio de Janeiro: Leuzinger,
1944. p. 481.
(2) O Departamento de Aeronáutica
Civil foi criado em 22/04/1931
pelo Decreto-lei 19.902, para
resolver questões técnicas,
administrativas e jurídicas;
no início, esteve ligado
ao Ministério de Viação
e Obras Públicas, passando
depois à esfera de
influência do Ministério
da Aeronáutica, criado
em 20/01/1941.
(3) O Ministério da
Aeronáutica ficou responsável
pelo Correio Aéreo
Nacional (CAN) e pela da Força
Aérea Brasileira (FAB).
Ficou encarregado de proteger
e desenvolver a aviação
brasileira, bem como prestar
um serviço de utilidade
pública.
(4) Salgado Filho deixou o
Ministério em 29 de
outubro de 1945, quando Vargas
foi deposto. Foi eleito senador
em 1947 pelo PTB e faleceu
com 62 anos, em 30/07/1950,
em um acidente aéreo
em plena campanha eleitoral,
quando ia a Itu encontrar-se
com Vargas.
(5) LAVENÈRE-WANDERLEY,
Nelson Freire. História
da Força Aérea.
Rio de Janeiro: Editora Gráfica
Brasileira, 1975. p. 217.
(6) Discurso realizado no
Jockey Clube no dia 8/11/1942.
Apud SOUZA, J. Garcia, A
verdade sobre a história
da aeronáutica.
Rio de Janeiro: Leuzinger,
194. p.80.
(7) Discurso pronunciado na
inauguração
do Aeroporto Santos Dumont.
Apud SOUZA, J. Garcia, A
verdade sobre a história
da aeronáutica.
Rio de Janeiro: Leuzinger
, 1944 p.30.
(8) SOUZA, J.Garcia, A
verdade sobre a história
da aeronáutica. Rio
de Janeiro: Leuzinger, 1944.
p.442.
(9) PERROT, Michelle. Os
excluídos da História.
Rio de Janeiro: Paz e Terra,
1988, p.82.
(10) LENHARO, Alcir. Sacralização
da política. São
Paulo: Papirus 1986. p. 155.
(11) SOUZA, J. Garcia. op.cit.
p. 30, discurso na inauguração
do Aeroporto Santos Dumont
.
(12) Anteriormente, em 21
de outubro de 1931, o dr.
César Grillo, diretor
do DAC, através de
uma portaria, fixara em dois
anos o prazo para a nacionalização
das tripulações.
Em 1936, através da
portaria no 828, de 8/12/1936,
e a de no 520, de 29/10/1938,
recomendava que 100% da tripulação
fosse brasileira.
(13) VARGAS, Getúlio.
Diário. Rio de
Janeiro: FGV, 1995. p. 417.
(14) Segundo BARROS, Felipe.
Bons tempos, p.1
(mimeo). Em cada batismo de
aviões, pedia-se a
um milionário ou grupo
deles que doasse um avião
de treinamento. O maior império
jornalístico da época
se encarregava de cobrir o
doador de elogios, reportagens
e fotos. Cada batismo merecia
uma festa-cerimônia,
e o rico que se recusasse
a contribuir entrava para
a lista negra de Chateaubriand.
(15)Conjuntura Econômica,
fev. 1951, p.16.
(16) LAVENÈRE-WANDERLEY,
Nelson Freire. História
da Força Aérea.
Rio de Janeiro: Editora Gráfica
Brasileira, 1975. p. 333.
(17) Segundo Nelson Freire
Lavenère-Wanderley,
nesta base haviam sido construídos
os Focke-Wulff de instrução
antes da II Guerra Mundial.
(op.cit., p.229).
(18) A Real também
adotou uma postura nacionalista:
por ocasião do centenário
de Santos Dumont, realizou
um concurso para a construção
de aeromodelo do 14-BIS, tratando-o
como o primeiro mais pesado
que o ar e, com isso, contrariando
a versão americana,
que ressaltava o feito dos
irmãos Wright.
(19) Os nomes eram pintados
na fuselagem do avião.
(20) WAINER, Samuel. Minha
razão de viver.
Rio de Janeiro: Record, 1989.
p. 155.
(21) A disputa entre as empresas
de fato ocorreu durante o
período do segundo
governo Vargas (1951-1954)
entre a Varig e a Panair;
entretanto, a disputa entre
as duas não pode ter
sido pelo avião Caravelle,
pois a Varig só encomendou
estes aviões em outubro
de 1957. Provavelmente, o
autor quis se referir aos
Constellations, que foram
adquiridos em 1954. O contrato
de compra de três Lockheed
L.1049G Super Constellation
foi assinado em 1954, representando
uma nova era na Varig. O Super
Constellation era um quadrimotor
capaz de desenvolver velocidade
de cruzeiro de 480 km/h e
levar inicialmente 66 passageiros
com inigualável conforto.
Só começaram
a voar em 1955, na rota Rio-Nova
Iorque. A Panair já
possuía estes aviões
operando na rota para a Europa
e na rota doméstica,
inclusive para Porto Alegre.
(22)Nesse ponto há
um engano de Samuel Weiner:
o criador da Varig foi Otto
Meyer, e não Ruben
Berta, que foi o segundo presidente
da empresa.
(23) BORDINI conta em Céus
Desconhecidos (p.180)
as viagens feitas até
a Estância de Santos
Reis, onde o movimento de
visitantes a Getúlio
Vargas era constante.
(24) BORDINI, Rubens. op .cit.,
p.221.
(25) MOURA, Nero. Um vôo
na História. Rio
de Janeiro: Fundação
Getúlio Vargas, 1996.
p. 255.
(26) Leopoldino Amorim Filho,
diretor da Cruzeiro do Sul
na época e presidente
da empresa de 1969 a 1975.
(27) AMORIM, Leopoldino: "Pouco
tempo depois, como o governo
brasileiro lhe negara, vendera
os aviões a 600 mil
dólares cada um e o
dinheiro arrecadado foi utilizado
para comprar os quatro bimotores
Convair CV-340."
(28) Leopoldino Amorim, em
correspondência enviada
ao comandante Aldo Pereira
em 21/03/1997.
(29) MOURA, Nero. op.cit.,
p. 257.