Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.
Trinta anos depois
de cruzarmos pela primeira vez
nossos caminhos em uma sala mofada
da redação do jornal
Versus, no bairro Pinheiros, em
São Paulo, vejo que a fotógrafa
Rosa Gauditano enraizou-se junto
aos xavantes e guaranis m’byas,
refundando o espaço sagrado
de sua arte.
Desde seus primeiros passos, Rosa
Gauditano nunca desenvolveu um
temperamento excessivamente formalista,
tão típico dos franceses,
com quem estudou e conviveu. Ao
contrário, no início,
a jovem fotógrafa era atraída
pela intimidade em preto e branco
de mulheres sombrias e humildes,
camas desarrumadas, espelhos descascados
e de pouco brilho.
Hoje, as cores e luzes explodem
em vermelho de fogueiras e urucum
em rostos pintados, a sustentar
as coreografias de um povo tradicional
em luta por sua dignidade e afirmação
política em meio aos não
índios. Ao somar seu talento
à dedicação
da filha Camila à causa
indígena, Rosa Gauditano
transgrediu o limite da fotografia
documental e fundou a ONG Nossa
Tribo, em 2004, hoje parceira
da UNESCO em projetos voltados
à nutrição
infantil, edição
de livros e postais.
A iniciativa da ONG Nossa Tribo resultou
também em um vídeo de 46 minutos,
realizado em co-produção com
a Universidade Metodista e a Associação
Xavante de Pimentel Barbosa. A associação
tem realizado gravações em vídeo,
nos últimos dez anos, registrando o
cotidiano e a cultura xavante, além
de cerimônias e rituais de outras comunidades.
O média metragem recebeu, recentemente,
um prêmio da Coordenadora Latinoamericana
de Cinematografia e Comunicação
dos Povos Indígenas, dentro do IV Encontro
Panamericano de Vídeo Documental Independente
– Vozes Contra o Silêncio, na
cidade do México. Rosa Gauditano atuou
como produtora executiva dos dois diretores
xavantes – Caimi e Jorge - escolhidos
pela comunidade como os documentaristas da
aldeia. O vídeo foi também apresentado
em Liège, na Bélgica, e agora
participa de um festival em Oaxaca, no México.
A ONG Nossa Tribo desenvolve, também,
junto a 75 jovens guaranis m’bya, um
projeto que objetiva a edição
de um livro em três idiomas (português,
guarani e inglês) e uma exposição
sobre a vida das comunidades indígenas
na periferia da cidade de São Paulo.
Em permanente busca do apuro técnico
e artístico na fotografia jornalística,
Rosa Gauditano permite-se invadir outros campos:
a política, a história, o protagonismo
e o desenvolvimento cultural e social de indígenas
brasileiros.