VIA POLÍTICA - Livre Informação e Cultura _______________________________________
.
Página Inicial
.
  Versus - Páginas da Utopia
 
.
Busca em Via Política:
Busca no Google:
 
Outro olhar
.
Entre olhares...

Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica

.
..Leia mais
.
Milo Manara:
O rei dos quadrinhos
eróticos, agora nu
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
.
..Leia mais
 
  HOME
  Brasil
  Sem Fronteiras
  O Balcão
  Meio Ambiente
  Comunidades
  Entrevista
  Marca-Página
  Entreato
  Anima
  Diplomatizzando
  Cinema de Invenção
  Perfil
  No Contrapé
  VP Online
  Ornitorrinco
  Brasil Adentro
  Boca de Bacco
  Humor à Mão
  Outro Olhar
  Artigo
  Palavra do Leitor
  Quem Somos
     
...
...
VPTV
.
O microfone humano

Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.

.
..Leia mais
Kino Kaos
.
Luna zapatista

Um clip ilustrado por Kalvellido, o andaluz errante, homenageia os zapatistas e as lutas do povos contra a opressão. Música de Orlando & Ogando

.
..Leia mais
.
 
twitter.com/viapolitica
.
 
 
 
 
.
“Retratos y Autorretratos”: uma redescoberta
.
Por Omar L. de Barros Filho, de Porto Alegre
 
Uma das jóias que me desperta mais ciúmes, e que guardo com carinho quase egoísta em minha pequena biblioteca, é “Retratos y Autorretratos”, um ensaio fotográfico sobre os principais escritores da América Latina (Brasil fora), de Sara Facio e Alicia D’Amico, publicado pela Crisis, de Buenos Aires, em dezembro de 1973. O livro documenta a intimidade de figuras como Astúrias, Bioy Casares, Borges, Cabrera Infante, Cortazar, Fuentes, Neruda, Silvina Ocampo e Mario Vargas Llosa, entre outros.

Além de se deixar fotografar, cada um deles redigiu uma pequena auto-biografia, ou algum registro impresso como pista que permite uma passagem para seu mundo interior. A propósito do lançamento do romance de Vargas Llosa, Travesuras de la niña mala, publicamos, também, o auto-retrato do escritor e as fotografias tomadas em 1969, em Ilha Negra, Chile, que ensejaram aquele momento de reflexão que agora reproduzimos.

“Eu e minha imagem”, por Mario Vargas Llosa
(fragmento de Retratos y Autorretratos, de Sara Facio e Alicia D’Amico)

"Sempre pensei que escrever romances é uma cerimônia parecida com o strip-tease. Como a mulher que, sob os refletores de luz, se despoja de suas roupas uma a uma e vai mostrando seus encantos secretos, o romancista revela também sua intimidade ao público através de suas ficções. Há duas diferenças, sem dúvida. O que o romancista exibe de si mesmo em seus romances não são, geralmente, seus encantos secretos, como o faz a mulher, mas sim seus demônios, aquilo que o atormenta e que o obseca, o mais feio de si mesmo: seus pesadelos, seu rancor, sua rebeldia contra o mundo.

A outra diferença é que, em uma cerimônia de strip-tease, no início, a mulher está vestida e, ao final, está nua. Na elaboração de um romance, o processo é oposto: no princípio, o romancista está nu e, no fim, coberto. As experiências mais cruas de sua vida, que são o estímulo de sua vocação e a matéria sobre a qual trabalha sua fantasia, vão dissimulando-se, ocultando-se, durante os meses ou anos que leva a edificação da ficção, a tal ponto que quando ela está em pé e se corta o cordão umbilical que a une ao seu autor – quer dizer, quando o livro é publicado e começa a viver ou morrer por sua conta - ninguém, e o romancista menos do que ninguém, poderia identificar nela, com exatidão, essas experiências pessoais íntimas que estão ocultas, latindo na ficção.

Escrever um romance é uma espécie de strip-tease invertido e todos os romancistas são, de certo modo, discretos exibicionistas. Por isso, pedir a um romancista que fale de si próprio não tem muito sentido: na realidade, sua vocação o condenou a não fazer mais do que isso (ou assumiu essa vocação porque não podia fazer outra coisa). Mas, ao mesmo tempo, essa vocação estabeleceu um método, uma estratégia, para essa necessidade profundamente despudorada de confissão que está em sua origem, que é o desnudar-se vestindo-se, a de dizer a verdade mentindo, a de falar de si falando de outros (que, para o cúmulo, nem sequer existem).

O mais autêntico e o mais importante que pode dizer de si, um romancista já disse ou dirá em suas ficções, através desse oblíquo, enganoso, ambíguo caminho da fabulação. Os outros acidentes de sua vida (sua cara, por exemplo) não se relacionam com sua obra, e não têm, portanto, interesse algum para a literatura, somente para a boatologia”.
   
   
.
 
 
       
 
 
 
 
Clique aqui para saber mais
.
Clique aqui para saber mais
.
Clique aqui para saber mais
.
a rede de tradutores pela diversidade lingüística
.
.
Rio Apa Expedições
.
Correio da Cidadania
.
Guyra Paraguay - Conservando la Biodiversidad
.
FC&P - Fotografia, Cachaça & Política
.
AALONG
.
Clique aqui para saber mais
.
.
.
Revista RETRATO DO BRASIL
.
Espaço Cult
.
.
 
 
.. Iniciativa: Laser Press Comunicação
  Créditos