O garimpo em minha velha coleção de jornais alternativos editados durante o período da ditadura, que possibilitou a recente edição da coletânea
Versus – Páginas da Utopia, da Azougue Editorial e Laser Press Comunicação, oportunizou também a redescoberta de um
texto precioso sobre as agruras da velhice, redigido especialmente para o jornal Versus, em 1976, pelo escritor gaúcho Cyro Martins, cujo centenário de nascimento seus descendentes e inumeráveis leitores comemoram este ano. É um assunto que merece a devida atenção e foro adequado. Volto a ele, portanto, para que nossos leitores não se privem dos movimentos que estão sendo planejados para 2008.
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, em um gesto largo de reconhecimento de que nem sempre o épico é o melhor gênero para relatar a história de um povo, decretou que 2008 é o ano do criador da saga do “gaúcho a pé”, uma trilogia reveladora das transformações sociais que ocorreram no mundo do pampa, engolido pelo processo de urbanização durante o século XX.
Yeda Crusius, porém, com a força do ato de governo, acabou por provocar uma outra revolução, desta feita incruenta, no campo das letras rio-grandenses. Uma verdadeira reforma agrária literária, mais do que urgente, já que este campo há muito virou um extenso latifúndio, onde poucos são donos de muito. A oportunidade de redistribuir as sesmarias gaudérias, assim, deve ser aproveitada a fundo, restabelecendo-se algumas verdades quase esquecidas.
Entendo que a lembrança do nome do escritor e psicanalista, impulsionada pela mobilização promovida pelo Centro de Estudos de Literatura e Psicanálise Cyro Martins (
Celpcyro), dirigido por sua filha Maria Helena Martins, professora de Teoria Literária e Literatura Comparada, é mais do que oportuna. Permite a comparação, a crítica renovada, reencontros e emoções dispersas ou perdidas no tempo. Nesta mesma via, sobre o tema, reproduzimos abaixo duas notas assinadas por Sergio Faraco, outro primoroso escritor que, por seu cuidado com as palavras, merece muito mais atenção do que recebe por aqui. Faraco mostra um pouco mais da essência verdadeiramente humana, sensível e generosa, características presentes no pensamento e no trabalho de Cyro Martins.
25/4/2008
Leia também
um texto de Sergio Faraco sobre um encontro com Cyro Martins.