Collas e cambas

.

Por Isaac Biggio, analista internacional, em 16/9/2008

.
 

Enquanto a crise boliviana ferve, em Londres ocorreu uma conferência de arqueólogos e etnolingüistas que, ao reexaminar o passado andino, aquecerão o debate do presente.
Os incas usavam a palavra ‘colla’ para nomear as pessoas de fala puquina, uma língua arahuaca bastante diferente do quechua ou aimara, e que está aparentada à dos campas peruanos (que preferem a forma ‘ashánincas’), ou dos mojos cambas do oriente boliviano. O aimara provém de Chavín (surgido há 3.000 anos em Ancash) e o quechua de Huari (em Ayacucho há 1.500 a 1.100 anos). Os primeiros incas vieram da Bolívia e foram abandonando seu originário puquina para adotar a língua de Cuzco (aimara) e logo a de Chinchaysuyo (quechua).

A história dá estranhas voltas. O termo ‘camba’ já não é usado como um depreciativo das tribos amazônicas, mas, sim, com orgulho por um nacionalismo brancófilo anti-indigenista. A palavra colla é empregada para descrever os povos cujas línguas quechua e aimara foram a eles impostas desde o atual Peru.

 
Fechar