“E poderia não ser tão duro este final”
(Cyro Martins)

Por Omar L. de Barros Filho

 

Quando por artes do jornalismo conheci o escritor Cyro Martins em Porto Alegre, nos primeiros anos da década de 70, logo me certifiquei de que estava diante de um escritor e ensaísta de rara sensibilidade literária, social e científica. Era o mítico autor do romance “Estrada Nova”, parte da marcante trilogia do gaúcho a pé, o desterrado da querência, o easy rider da sorte em um mundo hostil em vertiginosa transformação, que me recebia docemente em sua residência para falar sobre idéias e livros, em uma tarde qualquer daqueles anos. Recordo ainda hoje meu estranhamento ao notar tanta educação e suavidade em um homem que escrevia sobre o agreste mundo dos pampas, em oposição aos gestos largos do gaúcho, grosseiramente estupidificado por alguns adeptos do folclore no Rio Grande do Sul. Tempo depois, em São Paulo, já como um dos editores do jornal Versus*, recebemos uma série de fotografias sobre o tema da velhice, de autoria de Marcos Magaldi. Pedi, então, a Cyro Martins que escrevesse uma crônica sobre o assunto tão logo recebesse as fotos na capital gaúcha. O texto foi publicado na edição de outubro de 1976 (n°6), juntamente com as imagens e poemas de D.Paulo Evaristo Arns, o cardeal-arcebispo de São Paulo. Agora, em 2008, o ano em que transcorre o centenário do nascimento de Cyro Martins, comovido pela lembrança, devolvo ao escritor e aos leitores “Essa aventura...a velhice”, um pequeno e raro brilhante escondido no interior de uma coleção de jornais amarelados pelo tempo.

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* Sobre o jornal Versus, leia a antologia “Versus – Páginas da Utopia”, lançada pela Azougue Editorial e Laser Press Comunicação

 
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