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Qual o legado dos EUA no Iraque?

A infeliz verdade pode ser que o Iraque tenha já atingido uma sinistra forma de estabilidade, onde persiste um alto nível de violência e um estado semi-desfuncional. Por Patrick Cockburn, de Counterpunch, em tradução de Luis Leiria, para Esquerda.net
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Aquilo que não ouvimos falar
sobre o Iraque
Antes da invasão americana do Iraque em 2003, a percentagem da população urbana que vivia em bairros de lata ou favelas situava-se abaixo dos 20%. Hoje em dia essa percentagem subiu para 53%. Por Adil E. Shamoo, em Foreign Policy In Focus
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Claudette Colvin
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Por Edson Cadette, de Nova York  

Claudette Colvin
Livro relata que o protesto de uma pacata e desconhecida jovem, antes da célebre Rosa Parks, deu origem às lutas pela igualdade dos direitos civis e pelo fim da discriminação racial nos EUA, nos anos 60.

Queens, Nova York – O estopim da luta pelos direitos civis dos afro-americanos nos EUA foi provocado por um incidente no dia 1º de dezembro de 1955. Nesta data, em particular, após um árduo dia de trabalho como costureira, a senhora Rosa Parks recusou-se a ceder seu lugar a um passageiro branco num ônibus municipal.

Com este gesto começou o boicote à companhia de ônibus de Montgomery no Alabama (Sul) por cerca de 12 meses. Este incidente trouxe para o palco nacional o até então desconhecido jovem reverendo Martin Luther King Jr. como o coordenador deste boicote e também como o futuro líder mais importante da comunidade afro-americana na sua luta pelos direitos civis.

O que é de pouco conhecimento até mesmo para muitos historiadores deste período, é que uma jovem de nome Claudette Colvin, nove meses antes da senhora Parks, também se recusou a ceder seu lugar a uma passageira branca na mesma cidade.

É o que conta um livro publicado recentemente. A senhora Colvin, que há décadas vive uma vida pacata no bairro do Bronx, foi preterida em favor de Rosa Parks porque não possuía o que poderíamos chamar assim de uma boa imagem para se tornar o símbolo do movimento.

O livro Claudette Colvin: Twice Toward Justice, do escritor Phillip Hoose, ganhou o prêmio de melhor livro de 2009 para jovens e, consequentemente, trouxe para o debate cultural a história dessa mulher.

Em entrevista para o The New York Times, a agora septuagésima Colvin conta que as pessoas têm uma idéia errada de que Rosa Parks sentou-se no banco do ônibus e pôs fim à segregação, mas não foi bem assim. “Talvez contando minha história, algo que eu tinha medo de fazer, os jovens de hoje terão uma noção melhor do que realmente foi a luta pelos direitos civis.”

Colvin fez seu protesto no dia 2 de Março de 1955, enquanto Rosa Parks fez o dela em 1º de dezembro do mesmo ano. Mas, de uma maneira ou de outra, Rosa Parks tornou-se capa da influente revista Time, inclusive sendo considerada uma das pessoas mais importantes do século XX. Seu nome foi usado também para nomear escolas e ruas.

Se havia algum ressentimento por parte da senhora Colvin, ele ficou para trás há muito tempo. Depois que foi presa, Parks, uma ativa participante da Associação para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP em inglês), hospedou a jovem Colvin em seu apartamento por várias vezes. Ela se lembra de Rosa Parks como uma mulher altamente reservada, mas muito gentil.

“Minha mãe me pediu para ficar calada sobre o que eu tinha feito” – lembra Colvin. Ela me disse: “Deixe Rosa Parks ser a escolhida. As pessoas brancas não vão importuná-la, a pele dela é mais clara do que a sua, e eles gostam dela.”

Diferentemente da experiente Parks, Claudette Colvin era somente uma jovem de apenas 15 anos que não tinha estômago para a segregação a qual era submetida diariamente.

Ela estava no ônibus vindo da escola quando o motorista ordenou que cedesse seu lugar a uma passageira branca, mesmo tendo outros lugares disponíveis. “Se ela sentasse na mesma fileira que eu, isto significava que eu era tão boa quanto ela,” disse.

Dois policiais, um deles dando chutes, a arrastaram para fora do ônibus e a algemaram, de acordo com o boletim de ocorrência da época. A prisão foi noticiada amplamente pela mídia local.

Líderes afro-americanos, inclusive o reverendo Martin Luther King Jr., viram no episódio a oportunidade para lutar contra as leis de segregação. Cartas de apoio foram enviadas a jovem Colvin aos cuidados de Rosa Parks, secretária do escritório da NAACP em Montgomery. Colvin, porém, foi preterida.

“Eles estavam preocupados que não poderiam ganhar comigo,” disse em entrevista a Phillip Hoose, autor do livro. “Palavras como: bocuda, emocional e determinada foram usadas para descrevê-la. Por outro lado, a senhora Parks era considerada “calma, impassível e não histérica”, ele disse.

A gota d’água ocorreu quando descobriram que a jovem Colvin engravidou de um homem casado. Mesmo saindo da cidade, Colvin retornou tempos depois e testemunhou na Corte Federal no caso Bowder v. Gayle, que efetivamente pôs fim à segregação.

Para o historiador e biógrafo do doutor King, o senhor David J. Garrow “é importante lembrar que mudanças cruciais muitas vezes são iniciadas por pessoas simples e ordinárias no seu dia a dia”.

Colvin, que usa uma bengala para caminhar, aposentou-se em 2004, depois de 35 anos como auxiliar de enfermaria. Seu silêncio certamente contribuiu bastante para sua obscuridade depois de mudar-se para Nova York. Ela jamais tocou no assunto sobre sua prisão e como ajudou no famoso boicote de ônibus no Alabama, e, consequentemente, colocando a estaca final no corpo da segregação racial sulista.

Claudette Colvin lê diariamente dois jornais para manter-se em dia com os acontecimentos do mundo. Ela é fã do comediante Chris Rock e das cantoras Alicia Keys e Aretha Franklin. Esta última, segundo a senhora Colvin, poderia perder alguns quilos. Entretanto, o chapéu que ela usou na posse do presidente Obama ganhou sua total aprovação.

A senhora Colvin tem boas lembranças do doutor King. Segundo ela, Luther King, era uma pessoa comum. Entretanto, quando abria a boca, parecia o personagem Moisés do filme Os Dez Mandamentos, interpretado pelo ator Charlton Heston.

Foram quase quatro anos de procura segundo Hoose, até que finalmente ele conseguiu convencer Colvin contar sua história, depois de um longo almoço num restaurante no Bronx. Uma de suas primeiras perguntas foi: é possível levar esta história às escolas?

Viva Nova York

O museu Frick, localizado na rua 70 com a 5ª Avenida em frente ao Central Park, está completando 75 anos em 2010. Esta área é conhecida como o “Upper East Side” (Trad. livrre – O lado alto da região leste da ilha).

Não me recordo da última vez que estive aqui. Talvez tenha sido no início dos anos 2000. O museu é a antiga residência do milionário Henry Clay Frick, que conseguiu sua fortuna com o carvão, minério que foi fundamental na formação dos EUA. Principalmente porque servia para aquecer os lares dos norte-americanos que começavam a desbravar e alavancar a economia do país mesmo durante os rigorosos invernos que duram entre quatro e cinco meses no ano.

Desde metade dos anos 90 o museu vem discretamente restaurando suas belíssimas galerias. Recentemente a East Gallery foi aberta para a felicidade dos amantes da pintura européia. A galeria que não era retocada desde os anos 60 agora brilha sob a tonalidade de coral que faz com que os quadros pareçam recém pintados.

A restauração da galeria inclui também um sofisticado sofá almofadado. Esta foi uma excelente idéia, assim todos os amantes da pintura tem agora a oportunidade de sentar e apreciar por mais tempo as famosas pinturas dos mestres europeus.

Frick Museum
1 East 70 Street/5th Avenue
New York, NY 10021 -4994
212.288.0700


7/3/2010

Fonte: ViaPolítica/Afropress

URL: http://www.afropress.com/colunistasLer.asp?id=692

Edson Cadette é correspondente de Afropress em Nova York.
 
07.03.2010
 
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