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O homem que vende ideias no varal

No varal do vendedor de camisetas, Che Guevara vale o mesmo do que um Big Mac. Vender a imagem do ícone guerrilheiro é parte da vida do ambulante Richard Nunes, que guarda um diploma de fisioterapeuta. Texto e vídeo de Letícia Duarte para a série Anônimo Brasil.

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É proibido divergir
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Por Juan Gelman  

Pobre Marion Cotillard. Ganhou o Oscar 2008 como melhor atriz por sua personificação de Edith Piaf no filme La vie en rose, mas a revista Marianne começou a fazer circular declarações que a atriz francesa formulou há um ano: então, ela colocou em dúvida a versão oficial da Casa Branca sobre os atentados de 11/9. A velha notícia foi retomada pela mídia britânica e estadounidense, e já se especula que isso lhe custará a carreira em Hollywood e talvez na própria França, dado que a questão explode nos momentos em que o presidente Nicolas Sarkozy procura uma aproximação íntima com a Casa Branca. Os Oscar costumam estar envolvidos em escândalos que a imprensa norte-americana enfeita e seus leitores desfrutam, só que é a primeira vez que cobram de uma estrela a fatura com retroatividade.

Cabe reparar em alguns detalhes. Uns 25 por cento das ações da promotora da campanha anti-Cotillard pertence ao Carlyle Group, um mega-consórcio presidido pelo ex-chefe do Pentágono, Frank Carlucci, e especializado no controle de meios de informação e de sociedades dedicadas à compra e vendas de armamento. É curioso: o Carlyle Group foi, durante anos, uma entidade para onde convergiam investimentos de Bush pai e da família bin Laden, além de George Soros, do ex-primeiro-ministro britânico John Major, do multimilionário russo convicto de fraude Mijail Jodorkovsky, e de outros personagens da mesma índole. Os ataques contra Cotillard não são gratuitos. Um cineasta que deita com sua filha adotiva é uma bolha que se dissipa no ar e não mais. Um diretor que questiona o pensamento único que Washington pretende impor ao mundo é imperdoável. Bem o sabe Jean-Luc Godard.

A descrença sobre os verdadeiros autores do atentado contra as Torres Gêmeas não é nova. Demonstrou-se que houve insólitos e muitos lucrativos movimentos na Bolsa norte-americana uma semana antes, como se alguns soubessem. As fotos do anunciado choque de um avião contra o edifício do Pentágono gera não poucas dúvidas sobre se realmente existiu. Como exemplo, o senador japonês Yukihisa Fujita que, na sessão parlamentar de 11 de janeiro deste ano, criticou o primeiro-ministro Yasuo Fukuda e os ministros de Defesa, de Finanças e de Relações Exteriores do Japão, que ainda não haviam confirmado, seis anos depois do fato, que o 11/9 foi orquestrado por Osama bin Laden.

O jornalista e escritor Thierry Meyssan (www.voltaire.org) cedo advertiu de que se tratava de una ação terrorista fabricada pelos serviços secretos dos EUA e Israel. Serviu como uma luva a W. Bush para executar o plano que os “falcões-galinha” haviam preparado anos atrás a fim de controlar o petróleo do Oriente Médio, recurso indispensável para impor seu domínio no mundo inteiro.

O ceticismo em relação à versão de Washington converteu-se em desmentido em vários círculos políticos europeus. O ex-presidente da Itália, Francesco Cossiga, um homem cuja honestidade até os adversários reconhecem, foi terminante: “Fizeram-nos acreditar que bin Laden haveria confessado ser o autor do ataque de 11 de setembro de 2001 contra as Torres Gêmeas de Nova York, enquanto que, na realidade, os serviços estadounidenses e europeus sabiam perfeitamente que esse atentado desastroso foi planificado e executado pela CIA e o Mossad, com o objetivo de acusar os países árabes de terrorismo, e justificar assim os ataques contra Iraque e Afeganistão” (Corriere della Sera, 30-11-07). É notório que Cossiga é católico e nada terrorista.

Giuletto Chiesa, jornalista e deputado do Parlamento Europeu, que considerou uma “fantasia ridícula e insustentável” a versão da Casa Branca sobre o 11/9, não vacilou em qualificar W. Bush e Dick Cheney de “mentirosos manifestos” (www.zerofilm.info, 10-07-07) nem em sublinhar que aqueles que formulavam objeções à versão oficial, inclusive as mais tímidas, “eram tratados por loucos, dementes ou de aliados perigosos desses terroristas islâmicos”. Pouco falta para isso ocorrer com Marion Cotillard.

É público que os 16 serviços de espionagem dos EUA aprovaram por consenso a mais recente Estimativa Nacional de Inteligência, que deixa claro que o Irã suspendeu em 2003 seu programa nuclear com fins militares. Isto não é obstáculo para que W. Bush e seus acólitos insistam no perigo nuclear iraniano, nem impede o Pentágono de aperfeiçoar os planos de um ataque nuclear contra o governo de Teerã.

O Centro pela Integridade Pública, de Washington, registrou em estudo recente que W. Bush, Dick Cheney, Condoleezza Rice, Donald Rumsfeld, Colin Powell e outros altos funcionários da Casa Branca haviam mentido sobre o Iraque ao menos 935 vezes nos dois anos que seguintes ao 11/9 (www.publicintegrity.org). O Número Um na matéria foi W. Bush: 232 afirmações falsas sobre as armas de destruição massiva em poder de Saddam Hussein e 28 sobre os presumíveis laços Bagdá-al Qaida. Sendo assim, uma mentira mais que diferença faria ao tigre?

Fonte: La Bitácora de Gelman/Artículos de Prensa

Link: www.juangelman.com/...

Mais sobre Juan Gelman

Tradução do espanhol para o português de Omar L. de Barros Filho, editor de ViaPolítica e membro de Tlaxcala, a rede de tradutores pela diversidade lingüística. Esta tradução pode ser livremente reproduzida, na condição de que sua integridade seja respeitada, bem como citados o autor, o tradutor e as fontes.
 
16.03.2008
 
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