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Eric, mão de veludo
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Por Luiz Fernando Las-Casas, de Brasília
 
a estrada do rock

 

 

Brasília – Tem chovido demais nestas últimas semanas aqui no planalto central do Brasil. É a despedida copiosa da natureza na mudança para a estação da seca, que se aproxima. Diferentemente do Hemisfério Norte, muitas plantas e árvores florescem nesta época, fica muito lindo, é uma estação alvissareira aqui no cerrado.

E foi debaixo de um chuvaredo que fui para a grande festa de aniversário do querido Jorjão, amigo e dono dos melhores bares de Brasília, figura carismática, grande companheiro, agregador de pessoas. Pensando nesta coisa, na capacidade de fazer amigos e reunir pessoas, trago para vocês o som do grande guitarrista, um dos maiores da história do rock, Eric Clapton, ariano também, que aniversariou no dia 30 de março.

Da mesma forma que o amigo Jorjão, Eric Clapton teve a capacidade, ao longo de sua carreira, de tocar e contracenar com vários músicos e artistas, poetas e seresteiros. Começou a tocar em meados dos anos ‘60 e, por incrível que pareça, quase desistiu de tocar quando, ainda adolescente, aprendia as primeiras lições.

Foi nos Yardbirds em 1963, aos 18 anos, que começou a desenvolver seu estilo peculiar de tocar a guitarra (incialmente Telecaster), que lhe valeu o apelido de Slowhand, o mão de veludo, que tem um toque incisivo e delicado ao mesmo tempo.  Foi nessa época que surgiu a histórica pichação na parada de metrô londrina, Clapton is God, manifesto de um fã.

Em 1967 saiu dos Yardbirds e foi tocar com a “escola” radical de blues britânico. Com o lendário John Mayall e seus Blues Breakers e, na sequência, com novos amigos, formou o supergrupo e power trio Cream, com Jack Bruce e Ginger Baker, saídos do Graham Bond Organization. Nesse tempo conheceu Jimi Hendrix e desenvolveu uma grande amizade com George Harrison, tocando e participando anonimamente da bela e inesquecível canção While my  guitar gently wheeps. Uma amizade que durou até a morte de Harrison em 2001, sendo o organizador da homenagem póstuma ao querido guitarrista dos Beatles, o Concert for George, reunindo vários amigos e parceiros da música.

Depois formou o Blind Faith, com Steve Winwood, conhecido tecladista do Traffic, tocou com Delaney and Boney and Friends, formou o Derek and the Dominoes, gravou Eric Clapton, seu primeiro disco-solo, e aí teve que parar para se tratar das drogas. Recuperado, gravou o fantástico disco 461 Ocean Boulevard, um disco que marca uma mudança na sonoridade de Clapton e que popularizou a música emergente de Bob Marley, com I shot the sheriff. Grande disco. Desde então,  vem sempre dividindo o palco com grandes artistas como Bob Dylan, B.B. King, Mark Knopfler e Sheryl Crow, com quem andou até namorando. Ê coisa boa.

O mestre variou bastante de estilo no curso da sua vida mas, ao mesmo tempo, criou um estilo próprio tanto como compositor quanto intérprete. Sua música manteve sempre uma dignidade indiscutível. Dá gosto ver (e ouvir) o Eric tocar. Sempre. Para mim é um ícone vivo do rock, pois mantém-se na ativa e está constantemente produzindo material novo e de qualidade. Isto sem nunca abandonar o blues, a nave mãe do seu som. Isto É roquenrou.

Agora, chega de conversa, liga o fone-de-ouvido e aumenta o som.





Um beijo a todos

djLC

Músicas: 1.Let it rain, de Delaney Bramlett e Eric Clapton, do LP Eric Clapton de 1970 -  2. After midnight, de J.J.Cale, e Have you ever loved a woman, de Billy Miles, original gravado com a banda de John Mayall and the Bluesbreakers, ambas do LP Layla and other assorted love songs, com o Derek and the dominos. Ao fundo o riff da música Motherless children, canção tradicional do LP 461 Ocean Boulevard de 1974. Mais informações:

http://en.wikipedia.org/wiki/Eric_Clapton

http://www.ericclapton.com/

http://www.eric-clapton.co.uk/


Fonte: ViaPolítica/O autor

Mais sobre Luiz Fernando Las-Casas

E-mail: roqueradio@gmail.com

Skype: lascanan


12/04/2009

       
 
 
 
 
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