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O rei do iê-iê-iê
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Por Luiz Fernando Las-Casas, de Brasília
 
a estrada do rock

 

 

Brasília – Como vocês todos devem estar sabendo, depois do festejado show de Roberto em Cachoeiro do Itapemirim no início desta semana, domingo, 19 de abril, é aniversário do rei.

Pensar em roque no Brasil passa principalmente por Roberto Carlos. E tem que passar pelo Roberto, por sua discografia, em especial aquela dos anos 60, pois, a partir dos anos 70, mudou de estilo, mudou de vida e tornou-se um cantor e compositor de músicas românticas del Caribe tcha-tcha-tcha. Ao mesmo tempo, a cada disco e a cada música, solidificava ainda mais sua carreira artística e aumentava sua magnitude de ídolo das massas. Roberto Carlos hoje é uma (quase) religião.

Posso dizer que meu próprio interesse por música - e roquenrou - passa também pela música do Roberto Carlos e da jovem guarda, da qual foi um dos maiores expoentes, junto com Erasmo e Wanderléa. Eu, adolescente, estava deixando meu cabelo, de leve, crescer, sendo que, de fato, mal-e-mal subia nas orelhas. E lá ia eu pra reúna de umas gurias do centro de Porto Alegre, de camisa gola-alta, calça saint-tropez,  e medalhão brucutu (lembra, aquela tampinha cromada do limpador de vidros do fusca?). Curtia o iê-iê-iê no radinho de pilha Eveready, ou no toca-discos portátil SEMP ou no hi-fi Pionneer, na sala-de-estar.

É a história de um garoto do interior que foi morar em Niterói e lá conheceu uns caras da zona norte do Rio, do bairro da Tijuca, onde começou o roquenrou, pelo menos na cena carioca. Conforme sua biografia no site – www.cliquemusic.com.br  – “em 1957 formou com alguns amigos, inclusive Tim Maia, o conjunto Os Sputniks. No ano seguinte já era integrante do The Snakes, junto com Erasmo Carlos. Com esse grupo chegou a participar do programa Clube do Rock, de Carlos Imperial, na TV Continental. Gravou alguns compactos no final da década de 50 e em 1961 lançou o primeiro LP, Louco por Você.

A partir daí passou a investir, com apoio da gravadora CBS, no incipiente mercado de música jovem. Para isso juntou-se ao amigo Erasmo, e passou a fazer versões e compor músicas como Splish Splash, O Calhambeque, É Proibido Fumar e outras que visavam ao filão juventude transviada, criando o primeiro movimento de rock feito no Brasil.

Em 1965 estreou, ao lado de Erasmo e Wanderléa, o programa Jovem Guarda, na TV Record, que daria nome ao movimento. O desafio do programa era manter a elevada audiência das tardes de domingo, até então garantida pela transmissão dos jogos de futebol e agora ameaçada, já que as transmissões haviam sido proibidas. O programa não só manteve a audiência, como conseguiu aumentá-la.

Roberto Carlos foi um dos primeiros ídolos jovens da cultura brasileira. Além do programa e dos discos, estrelou filmes, inspirados no modelo lançado pelos Beatles nos anos 60. O primeiro longa, Roberto Carlos em Ritmo de Aventura, foi lançado em 1967, seguido por Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-rosa e Roberto Carlos a 300km por Hora.

 
 
Capa do primeiro LP de Roberto Carlos, de 1961

É interessante notar que a sonoridade do Roberto Carlos na época, mesmo tendo um certo “sotaque”do rock’n’roll americano, já tinha uma personalidade bem desenvolvida lá para meados dos anos 60, quando então começou a surgir a jovem guarda.

Na sequência ouviremos preciosos registros desta época: começamos com Pega ladrão, de Getúlio Cortes, outro grande personagem da jovem guarda, depois Lobo mau (The wanderer), de Ernie Maresca, ambas gravadas no disco Jovem Guarda, de 1965. E ainda Negro gato (Getúlio Cortes) do disco Roberto Carlos de 1966, Broto do jacaré do disco Proibido Fumar de 1964, Mexerico da Candinha (Jovem guarda) e Os sete cabeludos do disco Roberto Carlos canta para a juventude de 1965, todas da dupla Roberto e Erasmo. Ao fundo a famosíssima O calhambeque, de Loudermilk e Gwen, do disco É proibido fumar.
É isso aí bichos!



djLC


Fonte: ViaPolítica/O autor

Mais sobre Luiz Fernando Las-Casas

E-mail: roqueradio@gmail.com

Skype: lascanan


19/04/2009

       
 
 
 
 
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