Por meio da fotografia, adolescentes de Canoas exercitam olhar crítico sobre seu cotidiano e a cidade. Por Marilia Schmitt Fernandes e Redação de ViaPolítica
Um universo sensual habitado por mulheres dignas dos melhores sonhos adolescentes, materializa-se agora em Siena. Mas parece destino à jaula em tempos de Silvio Berlusconi e ‘bunga-bunga’. Por Irene Hdez. Velasco, de Roma, para El Mundo, de Madri
Michael Moore, o mais famoso documentarista social, foi ao centro de Nova York para falar ao movimento ‘Occupy Wall-Street’, que ocupa a zona próxima da Bolsa, para contestar um mundo esmagado pela lógica financeira global.
O mês de maio de 1969 foi veículo para uma série de acontecimentos sociais. O famigerado sonho do disco-voador estava acabando e a gente estava virando gente, bichos, sem grilo, mas adultos. O mundo estava pauleira, as coisas continuavam quentes, havia um certo incômodo no ar, a guerra fria, a guerra quente no Vietnã, a tortura gritava silenciosa nos porões tropicais. Os soldados e a polícia militar usavam seus uniformes verde-oliva, também chamados green jeans, e a rapeize das legiões urbanas usava o desbotado blue jeans, fardamento dos jovens inconformados do Ocidente.
Enquanto isso, lá na União Soviética, de acordo com Sergei Boukhonine, doutorando da Universidade de Houston em Ciência da Informação, em seu artigo Subversivo blue jeans, "...in the 1960s, the Soviet people were slowly introduced to the new Western counterculture personified by the Beatles, Rolling Stones, and Elvis Presley. These musicians offered new seductive and subversive rhythms, rhymes, and appearances. They sported long hair and wore blue jeans. The Soviet authorities went ballistic. They had a tradition of being wary of foreign influences. In the 1920s, there was a slogan: today he listens to jazz, tomorrow he’ll sell out the motherland. The 1960s’ reaction was no less strong. The long hair, hip shaking, and blue jeans were declared to be alien and incompatible with the ‘moral profile of a builder of communism.’ A true builder of communism had to sport a crew cut, dance waltz or polka, and wear traditional style, well-ironed pants. LewRockwell.com’s readers are smart and know that the forbidden fruit is sweet. To be sure, young people around Russia embraced the new Western "abominations." There was a problem though. You can always grow long hair and whiskers (unless you have strict parents or are in the army). Almost anyone can shake hips. But… not too many of us could make our own blue jeans, especially if there is no denim for sale.”
Neste texto, em resumo, o autor afirma que parte da derrocada do comunismo soviético se deu por conta da invasão do rock'n'roll e da roupa jeans, vejam só. Delírios à parte, certamente há um “quê” de verdade nisso, pois é sabido o espírito libertário e anárquico do roque. Pois o denim, tecido original do blue jeans, assim chamado por ser tingido com o azulão do índigo e cuja história é bastante interessante (http://en.wikipedia.org/wiki/Denim), era utilizado para a confecção de roupas, diga-se, macacão para trabalhadores de serviço pesado.
No dia 20 de maio de 2009, comemorou-se os 136 anos do registro da patente norte-americana das primeiras calças e macacões pela Levi Strauss & Co., a famosa e querida Levis. A roupa blue jeans, com rebites de reforço e botões em cobre, foi inventada pelo imigrante Jacob Davies, em 1973, que se associou ao sortudo Levi Strauss, de quem era cliente, comprando tecidos feitos de cânhamo (Cannabis). Vejam só, maravilhoso, as coisas realmente não acontecem só pelo acaso, não esqueçamos os desígnios jamais, as escrituras eternas das estrelas.
Por algum motivo, não sei qual, as primeiras calças jeans a aportarem em Porto Alegre, quando eu era um jovenzinho, foram as calças Lee, e não as Levi's, as quais fui conhecer depois. O mais importante é que elas DESBOTAVAM. Essa era a marca! Quando mais desbotada, melhor. Uma vez, para desespero da minha mãe, peguei aquela calça novinha, recém comprada de contrabando*, quase tão cara como na União Soviética, levei pro tanque e tasquei água sanitária, esfregando – pasmem – com um pedaço de tijolo maciço. O "bom" é que agora elas já vêm, de fábrica, todas surradas. O fato é que, junto com a camiseta de mangas curtas, para as quais haveremos de elaborar uma trilha sonora no futuro, as calças jeans, sejam elas Levi's, Lee, US Top, Calhambeque, Calvin Klein, Faroeste ou Jordache, passaram a ser o uniforme dos roqueiros da vida e hoje fazem parte do dia-a-dia de todas as pessoas.
Ouviremos a seguir uma sequência musical dedicada ao blue jeans, complementada com uma homenagem especial aos 40 anos da inesquecível performance do casal John e Yoko, que ficaram uma semana inteira na cama, trancados num quarto de hotel. Primeiramente em Amsterdã (25 de março de 1969) e, depois, no dia 22 de maio, num hotel em Montreal. Este foi um happening que, além de ser um protesto internacional contra a guerra e violência, tinha um forte sentido estético e era alimentado pela música do imortal beatle John Lennon. Na época, junto com sua amada e outros companheiros de luta, ele participava da invocada Plastic Ono Band. Born in USA, com o Boss, Back to the USSR dos Four Fabs, Dead flowers do LP Sticky Fingers dos Stones, os Swinging Blue Jeans com Lawdy Miss Clawdy e Shakin' all over. E, para terminar, o mestre John Lennon com os Beatles em The ballad of John and Yoko. Oba.
Falou rapeize, super abraço e uma ótima semana junho adentro.
John e Yoko... uma semana na cama, em Montreal, maio de 1969.
djLC
31/5/2009
Fonte: ViaPolítica/O autor
* A gang da Rua Coronel Bordini, em Porto Alegre, da qual eu fazia parte, costumava comprar calças Lee no porão de uma “inocente” casa de classe média, na Avenida América. E, pasmem, queridos leitouvintes, na igreja Mórmon na Rua Marquês do Herval, em frente ao seleto clube Leopoldina Juvenil. Os “brothers” da igreja, além de pregar seus princípios e fé, davam impulso à economia informal daquele tempo. Graças a deus!