Imprimir
Home
 
Mensagem do Ministério Público
Ricardo Vaz Seelig
 
Palavra dos Editores
Omar L. de Barros Filho e Sylvia Bojunga
 
Os protagonistas italianos da Revolução Farroupilha
Annita Garibaldi Jallet
 
A Revolução Farroupilha e o Uruguai
Enrique Mena Segarra
 
Os farrapos negros e a política da escravidão
Spencer L. Leitman
 
Revolução Farroupilha: significado regional e nacional
Helga Iracema Landgraf Piccolo
 
1835: a ordem e o horizonte utópico
Miguel Frederico do Espírito Santo
 
A relação entre Revolução Farroupilha e maçonaria
Eliane Lucia Colussi
 
Memória, mito e identidade: farroupilhas
e italianos no Rio Grande do Sul
Núncia Santoro de Constantino
 
Os italianos no Rio Grande do Sul: 130 anos de história
Luiza Horn Iotti
 
Garibaldi e a Revolução Farroupilha
Alvaro Bischoff e Cíntia Vieira Souto
 
Mazzini, Garibaldi, Verdi e a Unificação Italiana
Voltaire Schilling
 
Anita e Giuseppe Garibaldi na Revolução Farroupilha
Yvonne Capuano
 
Os Garibaldi como símbolo de integração entre a América do Sul e a Europa Mediterrânea
Elma Sant'Ana
 
A Revolução Farroupilha e os italianos: o federalismo e a fronteira
Maria Medianeira Padoin
 
Porto Alegre sitiada
Sérgio da Costa Franco
 
Livro Completo
 
 
 
Patrocinio Cultural:
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Palavra dos editores


Omar L. de Barros Filho e Sylvia Bojunga
____________________________________________________
Jornalistas e editores


Na era da informação virtual e veloz, este livro é uma provocação, quase um ato de rebeldia. A razão disso está em seu próprio cerne: múltiplas e, muitas vezes, contraditórias abordagens sobre personagens e fatos que não estariam tão presentes nos dias de hoje não fosse o intenso trabalho dos historiadores e pesquisadores. Os vultos aos quais nos referimos na presente obra são os relacionados com a Revolução Farroupilha, que ajudaram a moldar a face política do Rio Grande do Sul e do Brasil, além de sua relação com os países do Cone Sul do continente. Os atores desses episódios da história do século XIX, aqui examinados sob distintas angulações, entre eles os lendários Bento Gonçalves, Giuseppe Garibaldi e Anita, praticamente se incorporaram às lendas da construção política, social e cultural da região, os dois últimos também na mitologia das lutas pela unificação do Estado italiano moderno.

Há 30 anos, o instigante pensador Paul Virilio sacudiu o cenário intelectual francês com sua denúncia contra a tirania do tempo real e da velocidade, letais armas de guerra e poder, que hoje atingem o grau absoluto e elevam o conhecimento a uma dimensão infinita, quando sabemos tudo até sobre o que não aconteceu em nosso espaço real. Quando entramos nessa hiperdimensão, corremos o risco de perder a noção de quem somos e, principalmente, de quem fomos, e a memória pode deixar de ser um atributo humano necessário para a preservação de nossa identidade individual e coletiva.

O alerta de Virilio contribui para enfatizar ainda mais o caráter desta obra conjunta, carregada de sentido de humanidade, na medida em que o livro transporta o leitor para um outro universo histórico e mítico, quando os protagonistas regionais dos dramas nele analisados estavam longe de se transformar, para muitos, em heróis e arquétipos das gerações futuras. Era um tempo de “velocidades relativas”, em que “o gaúcho andrajoso sobre um pingo bem aparado”, como o descrito por Euclides da Cunha, em “Os Sertões”, fustigava a cavalo as tropas imperiais, transportava barcos à vela sobre carretas puxadas por bois, e o legalista reaproveitava, em seu próprio canhão, os projéteis lançados pelo inimigo sobre as trincheiras, no cerco de Porto Alegre.
Naquele tempo, quando as fronteiras do sul do Brasil estavam por se definir, gastavam-se meses em uma boa conspiração, como as que faziam por carta os dissidentes da Jovem Itália, até que mensagens cruzassem o oceano e respostas retornassem para alimentar a difícil e aguda argumentação política sobre realidades e países tão distantes, muitos em pleno processo de conformação.

O salto “para trás”, de olho na História, ocorre justo no ano de 2007, em que a Itália, os italianos e seus descendentes no exterior, dispersos em milhares de comunidades em todos os continentes, assinalam a passagem do bicentenário do nascimento do herói dos dois mundos, o General da Unificação, Giuseppe Garibaldi. Não foi uma coincidência. Este livro começou a se delinear em 2005, quando, juntamente com o Memorial do Ministério Público do Rio Grande do Sul, iniciamos os preparativos para a realização de um grande seminário internacional, que ocorreu de 14 a 16 de setembro daquele ano, no teatro Dante Barone, na Assembléia Legislativa gaúcha.

Na ocasião em que comemorávamos os 170 anos da Revolução Farroupilha, os 170 anos do parlamento estadual e os 130 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul, compareceram ao evento, como convidados internacionais, três relevantes conferencistas: Annita Garibaldi Jallet, bisneta de Giuseppe e Anita, professora, constitucionalista e pesquisadora italiana; Spencer Leitman, historiador norte-americano e referência por seus estudos sobre aquela etapa da vida rio-grandense, em que o fim da escravidão era uma promessa a cumprir; e o diretor do Museu Histórico Nacional do Uruguai, o historiador Enrique Mena Segarra, um devotado estudioso das raízes históricas de seu país e de suas relações com as nações vizinhas. Agora, esta edição reproduz, em língua portuguesa, os conteúdos integrais das três conferências, que conferem à obra a generosa particularidade do “olhar estrangeiro”, mas profundamente identificado e próximo ao horizonte local.

Na oportunidade, participaram das mesas expositoras 12 historiadores e especialistas brasileiros que, tendo como ponto de partida os significados regional, nacional e internacional da Revolução Farroupilha, e suas utopias, mitos, realidades e ordenamento jurídico, retrataram a diversidade das relações sociais geradas pelo movimento irredentista que abalou o Império brasileiro. Foram também focalizados, no encontro, a presença e o destino dos primeiros imigrantes italianos que desembarcaram no Rio Grande do Sul, em 1875, vindos, em sua maioria, do porto de Gênova, a mesma cidade liguriana de onde partira Giuseppe Garibaldi rumo à aventura no Brasil, cerca de quatro décadas antes.

Em conclusão, registramos a importância fundamental da parceria estabelecida com o Banco do Estado do Rio Grande do Sul e a Souza Cruz, patrocinadores deste projeto cultural, e do Ministério da Cultura, que tornaram possível a edição deste livro. Destacamos, também, a marcante contribuição e dedicação dos autores e parceiros institucionais, que nos apoiaram irrestritamente. Da mesma forma, agradecemos às centenas de participantes inscritos no Seminário Internacional 170 Anos da Revolução Farroupilha – o legado de Bento Gonçalves, Garibaldi e Anita, que foram a garantia última do êxito de nossa iniciativa.

 
 
 
  Voltar Página Inicial