| Anita e Giuseppe Garibaldi
na Revolução Farroupilha
Yvonne Capuano 1
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Pesquisadora de História e escritora, autora
dos livros “De sonhos e utopias –
Anita e Giuseppe Garibaldi” e “Garibaldi –
o leão da liberdade”
Meu interesse por Garibaldi vem de minha família.
Sou descendente de italianos, que chegaram ao Brasil fugidos
da miséria do sul da Itália, em 1890, mas que
vinham com uma grande esperança, trazendo uma bandeira
e um nome: Garibaldi. Cresci entre as histórias de
Garibaldi. Meus familiares me falavam das lutas de Garibaldi
na Itália e ainda completavam: ele era casado com uma
brasileira, Anita Garibaldi. Quando resolvi pesquisar sobre
eles, fui desencorajada por grandes historiadores, meus amigos,
que me disseram: “Mas você vai estudá-los?
Eles foram uns mercenários. Não merecem sua
atenção.” Porém, como sou teimosa
e muito ligada às histórias dos heróis,
resolvi estudá-los mesmo assim.
As diversas opiniões a favor e contra a atividade política
do casal levaram-me a procurar diversas fontes, entre elas,
jornais da época, depoimentos de participantes dos
episódios da época, memórias deixadas
por combatentes, ordens do dia, cartas, ou seja, documentos
que também foram usados, possivelmente, por outros
autores. Não esperava encontrar tantas obras espalhadas
pelo mundo inteiro, que narrassem a participação
dos dois no Brasil, no Uruguai e na Itália, em todos
os locais onde defenderam seus ideais.
Acreditei, então, que seria fácil analisá-los,
mas as discordâncias entre os escritores, pesquisadores
e historiadores me deixaram, de início, um tanto perdida.
O material que recolhi proporcionou-me dados para que eu escrevesse
os livros “De sonhos e utopias - Anita e Giuseppe Garibaldi”
e “Garibaldi: o leão da liberdade”. Ao
estudar os dois personagens, a comparação de
opiniões divergentes ou semelhantes, como é
comum que ocorra a todas as figuras que se destacam, permitiu
que eu os compreendesse e os analisasse segundo a época
em que viveram e em que lutaram. Certos juízos implacáveis,
apresentados por alguns historiadores, não me convenceram.
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1 Texto transcrito da palestra proferida no Seminário
Internacional “170 Anos da Revolução Farroupilha
– o legado de Bento Gonçalves, Garibaldi e Anita”,
em 16 de setembro de 2005.
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Assim, estudando fatos passados e confrontando-os
com os fatos presentes, pude, então, defini-los: idealistas,
heróis e guerreiros universais.
Vou me referir a algumas passagens para que possa provar o
que estou afirmando. Em uma ocasião, Garibaldi transportou
para Constantinopla, no navio Clorinda, 12 prisioneiros políticos
liderados por Émile Barrault. Eles iam para a Turquia
porque eram seguidores das idéias socialistas de Saint-Simon,
teorias perigosas para a monarquia, o que resultava sempre
na perseguição dos adeptos.
Barrault dizia o seguinte: “O homem que defende a sua
pátria, ou que ataca a dos outros, é no primeiro
caso um soldado piedoso, e injusto no segundo; mas o homem
que, tornando-se cosmopolita, adota a todas por pátria,
e vai oferecer a sua espada e o seu sangue ao povo que luta
contra a tirania, é mais que um soldado, é um
herói.” Garibaldi, naquele momento, estava predisposto
a adotar todas as nações que fossem ameaçadas,
tornando-se, assim, um cosmopolita, um herói.
O papel de Anita e Garibaldi na Revolução Farroupilha
deve ser analisado segundo o contexto e as circunstâncias
da época. A América do Sul era um laboratório
revolucionário gerado pelos antecedentes das lutas
e revoluções na América espanhola. Os
confrontos ao longo das fronteiras, as guerras Cisplatinas,
muito contribuíram para o cenário armado no
Rio Grande do Sul. O descaso da Corte em relação
à província atiçou o descontentamento
que culminou com a Revolução Farroupilha.
Os italianos, nessa ocasião, eram bastante ativos no
Brasil, principalmente no Rio de Janeiro. Muitos revolucionários
foragidos, ou comerciantes bem-sucedidos, auxiliavam os farroupilhas
nas lutas, no transporte de cabotagem, vendendo gado, ou como
coletores das taxas nas zonas controladas pelos rebeldes.
Em 1834, Giuseppe Stefano Grandona fundou a Congrega della
Giovine Italia, com o intuito de reunir exilados políticos,
divulgar as idéias de Giuseppe Mazzini e os princípios
republicanos entre italianos e brasileiros. Pouco depois,
em fins de 1835, início de 1836, não se sabe
ao certo, chegou Garibaldi ao Rio de Janeiro, após
um levante com Giuseppe Mazzini, quando, delatados e condenados
à morte, foram obrigados a fugir. Ao chegar ao Brasil,
Garibaldi encontrou-se com Luigi Rossetti. Iniciaram um comércio
de cabotagem com um pequeno barco fornecido por outro italiano
bem-sucedido, Giacomo Picasso, passando também a conhecer
Tito Livio Zambeccari.
Tomam conhecimento que Zambeccari e Bento Gonçalves
estavam presos em um forte no Rio de Janeiro, desde a Batalha
do Fanfa. Rossetti e Garibaldi vão visitá-los
e se impressionam vivamente com a causa da Revolução
Farroupilha.
Há autores que defendem até a influência
do Risorgimento italiano na Revolução
Farroupilha, mas isso é contestado por outros que afirmam
serem as idéias democráticas contrárias
aos princípios liberais dos farrapos. Entre esses autores
vou citar um dos grandes, Moacyr Flores, a quem respeito.
Moacyr Flores afirma que, do ponto de vista ideológico,
foi nula a influência dos italianos, e que Zambeccari
teve influência apenas na fase preparatória do
movimento, até porque foi preso logo no início,
e não mais retornou ao Rio Grande do Sul. Diz também
que Rossetti contribuiu à causa, mas mais como administrador
e soldado do que como jornalista doutrinário, uma vez
que suas idéias não encontraram receptividade
entre os rio-grandenses. Sobre Garibaldi, afirma que formou
e comandou a Marinha farroupilha, marcando sua participação
com muitos atos de heroísmo, mas os efeitos desses
atos se desfazem no andamento da guerra. O que vou tentar
demonstrar aqui é o contrário.
A participação de Garibaldi na Revolução
Farroupilha será sempre discutida, pois, ao mesmo tempo
em que encontramos personagens e protagonistas que atestam
sua participação, alguns historiadores desclassificam
seu empenho, não somente o seu, mas o da maioria dos
italianos que lutaram na revolução. Na obra
“Modelo político dos farrapos”, do historiador
Moacyr Flores, ele escreveu: “Quando os mercenários
italianos chegaram à fazenda do Brejo, às margens
do Camaquã, de propriedade de Antônia Gonçalves,
irmã de Bento Gonçalves da Silva, já
encontraram dois lanchões em construção,
sob a orientação do norte-americano John Griggs.
(...) A maior contribuição de Garibaldi ao movimento
farroupilha foi a sua atuação como corsário,
coadjuvando David Canabarro e Teixeira Nunes na tomada de
Laguna. De acordo com sua carta de corso, dada por Canabarro,
tocaria três quartas partes da presa ao navio corsário,
cabendo deste total a metade ao comandante que era Garibaldi.”
Realmente, Garibaldi encontrou-se com João Griggs.
Mas, em suas “Memórias”, Garibaldi referiu-se
às dificuldades de sua tarefa na construção
desses barcos, porque até o ferro tinham que forjar.
O Governo farroupilha estava bastante preocupado com o atraso
na construção das embarcações,
fato que Garibaldi comunicou a Rossetti, que imediatamente
entrou em contato com Luigi Carniglia, em Montevidéu,
para que viessem auxiliá-los com alguns italianos.
Confirmando este fato, o jornal O Povo, de 7 de novembro de
1938, traz a notícia: “Expediente pela Repartição
da Guerra e Marinha, outubro, 26: ao capitão-tenente
Giuseppe Garibaldi, comunicando-lhe haver sido despachado
Edoardo Mutru para a Marinha Republicana, o qual marcha nesta
data a reunir-se-lhe”.
Portanto, os barcos necessitavam de auxílio para serem
concluídos. Quando Garibaldi recebeu ordens para dirigir-se
à Laguna, já existiam quatro barcos, dois operando
na Lagoa dos Patos, sobre as ordens do marinheiro Zeferino
Dutra, e mais dois que foram para Laguna, o Seival e o Farroupilha.
Garibaldi efetivamente auxiliou John Griggs na construção
do barco.
Quanto à divisão das cargas da embarcação
mineira que eles apreenderam, em 26 de agosto de 1838, citada
pelo historiador, foi dividida em oito partes por ordem de
Domingos José de Almeida, o encarregado do Tesouro
republicano. Quatro partes deveriam ficar para o Estado, uma
para Garibaldi, uma para os oficiais, duas para a tripulação.
Eram 20 sacos de arroz, 20 sacos de feijão, um saco
de salitre, artigos dessa natureza. Como era comum na época,
a divisão de produtos apreendidos pelos farroupilhas
sempre foi feita de acordo com práticas adotadas desde
a Guerra Cisplatina. Garibaldi não foi nenhuma exceção
ao receber sua parte. Mas, podemos avaliar seu procedimento
pela narrativa que ele deixou nas “Memórias”:
“No meio de todos aqueles pequenos acontecimentos, tomamos
um barco ricamente carregado, que foi conduzido para a costa
ocidental da Lagoa, junto a Camaquã, onde o queimamos,
depois de haver retirado tudo que era aproveitável.
Foi esta a primeira proeza que fizemos, que valeu o trabalho
e alegrou bem a nossa Marinha. Todos tiveram a sua parte e
eu, com um fundo reservado, mandei fazer uniformes para todos
os meus bravos”.
Garibaldi também pode ser considerado um estrategista.
Foi o que ele nos demonstrou quando recebeu a ordem para levar
os barcos Seival e Farroupilha para Laguna, com o objetivo
de proclamar a República Catarinense, com David Canabarro
e Joaquim Teixeira Nunes. Não podendo sair pela Lagoa
dos Patos, porque a barra do Rio Grande estava impedida pelos
imperiais, Garibaldi teve que ir por terra. Mandou construir
duas carretas grandes puxadas por bois, e, em cada uma delas,
colocou um barco. E foi até as margens das praias de
Tramandaí.
Sobre esse fato, cito um depoimento de Walter Spalding, que
escreveu a obra “A Revolução Farroupilha”:
“Este memorável projeto executado por Garibaldi
- o transporte dos barcos Seival e Farroupilha por terra,
desde a Lagoa dos Patos, na foz do Capivari, até as
praias de Tramandaí - tornou-se célebre não
tanto pelo transporte em si, pois nada de novo nele havia
(...) mas pela audácia do feito, desorientando completamente
os imperiais, que o julgavam perdido pelo bloqueio que lhe
faziam no saco do Capivari, e pela rapidez do transporte de
um a outro ponto.”
Foi em Laguna que Garibaldi encontrou Anita, mas as controvérsias
continuam: local de nascimento de Anita, seu nome, casamento,
e o encontro com Garibaldi, dados sobre os quais não
há consenso. Alguns historiadores questionam ainda
sua participação na Revolução
Farroupilha. Anita, a heroína silenciosa, mãe
sofrida, amante apaixonada, figura esboçada apenas
por suas ações concretas, pelos depoimentos
dos que com ela conviveram, e por algumas cartas deixadas,
contrasta com Garibaldi, que legou aos historiadores um tesouro
autobiográfico em suas “Memórias”.
Ficaríamos também restritos por vagas descrições
se não fosse um retrato, o único, feito em 1845,
em Montevidéu, pelo pintor ítalo-uruguaio Gaetano
Gallino, que era o artista predileto das damas e dos militares,
e a quem Garibaldi pediu para que pintasse um medalhão
aquarelado dele e de Anita. Este é o único retrato
que temos dela.
Embora considerada por muitos como símbolo da mulher
guerreira no Brasil, há raras opiniões destoantes
sobre Anita, como é o caso da historiadora Hilde Flores,
que escreve o seguinte:
“Nem china de soldado, nem guerrilheira, nem heroína.
Pensamos nós, o essencial é colocar Ana de Jesus
no contexto social de sua época, moral rígida,
casamento por vontade paterna. Sem amor, a mulher ia arrastando
a vida a rezar e a gerar muitos filhos para povoar esta terra
sem fim. No momento em que a mulher do sapateiro sonhou com
uma vida melhor, e deixou-se levar pelo turbilhão de
seus sentimentos dando as costas ao marido, decretou sua sorte.
Quebrados os austeros preconceitos sociais, estava marginalizada
em sua pacata comunidade. Grávida, só lhe restou
seguir o guerreiro que lhe inspirou tantos sentimentos contraditórios,
não importava para onde ele a levasse. No fundo, foi
uma pobre mulher desvalida que comeu o pão que o diabo
amassou.”
Tentarei contestar tal descrição. Anita
não acompanhou Garibaldi por estar grávida,
mesmo porque eles se encontraram poucos dias depois de proclamada
a República Catarinense, que foi em 22 de julho de
1839. E ela deu a luz a Menotti, seu único filho brasileiro,
em 16 de setembro de 1840.
Então, uando foi embora com Garibaldi, ela não
estava grávida, seguiu-o porque quis. Segundo, ela
não deixou o marido, porque logo depois que estourou
a Revolução Farroupilha, ele se inscreveu na
Guarda Nacional, sumiu e ninguém mais soube dele. Assim,
quando Garibaldi encontrou-se com Anita, ela estava só.
Discordo também de um grande amigo que tive, um dos
primeiros historiadores de Anita Garibaldi, Valentim Valente,
que dizia que Anita fora uma grande heroína por amor.
Anita realmente teve um amor inexplicável por Garibaldi,
mas ela era uma heroína de fato, todos os atos posteriores
ao seu encontro com Garibaldi demonstram esse fato: o batismo
de fogo de Imbituba, as travessias que fez em um pequeno barco,
levando armas durante o ataque da esquadra de Frederico Mariath,
quando perdem Laguna. Garibaldi pede para que ela vá
para a praia procurar auxílio, pensando que ela ficaria
lá. Mas Anita volta para dizer que não tinha
encontrado a ajuda de ninguém, e ainda se propôs
a levar todas armas para a praia para que não caíssem
em mãos dos imperiais. E isso ela faz inúmeras
vezes no pequeno barco, até o final, quando Garibaldi
incendeia os barcos farroupilhas, e parte juntamente com ela.
Sobre o assunto, há uma correspondência de Frederico
Mariath ao Império do Brasil contando os feitos de
Garibaldi e Anita.
Quando Anita é presa em Curitibanos, depois de muito
tempo, o coronel que a prendeu, Antônio de Melo Albuquerque,
o Melo Manso, em uma carta que manda ao marechal Leite de
Castro, faz a seguinte declaração: “Quando
o combate tornou-se mais renhido, via-se que era Anita quem
mais animava os soldados do seu marido a serem valentes. Os
meus oficiais, especialmente os que estavam na vanguarda,
me referiram que era a combatente com a espada em punho e
com seus lindos cabelos flutuantes que mais se expunha às
nossas balas; que mais trabalhava pela vitória de seu
marido, tendo por vezes posto em dúvida a sorte de
minhas forças. Finalmente, vendo reduzido o número
de seus bravos soldados, pela morte de muitos e ferimentos
de outros, como vendo-se completamente cercada por meus comandados,
deixou-se aprisionar, seguida de alguns combatentes. Quando
me foi apresentada estava mal vestida, desgrenhada, bem como
com voz embargada, devido à tremenda luta e ao fato
de ficar separada de seu marido; via-se que ela padecia horrivelmente,
tendo por tudo conquistado a minha admiração,
como a de meus comandados, por nunca termos pensado em ver
uma mulher tão valorosa, tendo-nos enchido de maior
orgulho porque era uma catarinense, uma compatriota que dava
ao mundo tão sublimes provas de valor e intrepidez.
Apesar de todo conforto que lhe forneci, apesar de todas as
garantias de vida que lhe concedi com a melhor boa vontade,
apesar de lhe haver dado todo o acampamento por menagem, ficando
assim em plena liberdade; apesar, ainda mais, da promessa
que lhe fiz de restituí-la a seu esposo na primeira
oportunidade, a denodada Anita com uma pasmosa coragem conseguiu
fugir em noite tenebrosa. Quando este fato teve lugar e chegou
ao meu conhecimento, fiquei penalizado por não possuí-la
mais como prisioneira, mas tendo desejado que ela encontrasse
o seu marido, e tirasse também da dolorosa situação
em que se achava, julgando nunca mais vê-lo para sua
desgraça. Ainda agora, apesar da passagem de vinte
anos, quando me recordo do seu pasmoso heroísmo, dos
seus cruéis sofrimentos, das suas angústias,
sinto ensoberbecer-me, por haver sido Anita minha gloriosa
prisioneira, o mais honroso título da minha longa vida
e o principal enfeite da minha fé de ofício.”
Realmente a presença de Anita na Revolução
Farroupilha foi comprovada por todos os seus atos de bravura
e de efetiva atuação. Em 1841, o casal resolveu
partir, convencido da inutilidade da continuação
da luta entre os irmãos. Entretanto, aqui também
há controvérsia. Muitos dizem que Garibaldi
foi embora para o Uruguai e se fez pagar por 900 cabeças
de gado. Garibaldi registrou em suas “Memórias”
que decidiu ir a Montevidéu, temporariamente, pedindo
licença ao presidente Bento Gonçalves “e
que me concedesse uma tropa de bovinos para pagar as despesas”,
lembrou ele. O pesquisador da Revolução Farroupilha,
Alfredo Varella, admite que Garibaldi foi a Montevidéu
em missão farroupilha, e que levou 900 cabeças
de gado para vender uma parte e transformá-la em subsídios
para a Revolução Farroupilha.
Portanto, pelas pesquisas por mim realizadas, não há
dúvida de que foi efetiva a participação
de Anita e Garibaldi na Revolução, porém,
creio, será sempre contestada de alguma forma. Mas,
temos também o depoimento do ministro farroupilha Domingos
José de Almeida, transcrita no jornal O Povo, que era
uma publicação republicana, e que prova, da
mesma forma, o quão profícua foi essa participação.
Quando procurado para acertar um pagamento, ele escreveu uma
declaração no jornal, dizendo: “Os senhores
engenheiros e artilheiros têm tido um procedimento que
não se compadece com os defensores de princípios,
cuidam que nadamos em ouro. Não é fácil
encontrarmos muitos Zambeccaris, Rossettis e Garibaldis.”
Para finalizar, e tentar explicar os desencontros de opiniões,
lembrarei as palavras ditas por Garibaldi para o seu amigo
Candido Vecchi, já na Itália. Garibaldi dividia
os seres humanos em dois grupos. Os egoístas, que nunca
sacrificam nada pelo bem comum, e os verdadeiros patriotas
que, voluntariamente, sacrificam o que têm de mais caro
em benefício de outros. Esses últimos são
sempre mal interpretados, insultados e arrastados pela areia,
enquanto os primeiros governam o mundo. Tenho sempre a pretensão
de, com as pesquisas que faço sobre Anita e Garibaldi,
alcançar defendê-los para que nunca sejam mal
interpretados ou esquecidos através da história.
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